Capítulo 1

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O despertador tocou às seis e meia da manhã, mas Caio já estava acordado há uns bons quinze minutos.
Não porque estivesse animado — longe disso —, mas porque o nervosismo não o deixava dormir direito desde a noite anterior.

Primeiro dia do segundo ano.
Novo ano, novas matérias, os mesmos corredores cheios e os mesmos rostos.

Caio, um ômega de dezesseis anos, se virou na cama e ficou encarando o teto. Gostava de pensar que era um ômega "tranquilo", desses que preferem ficar na deles e observar o caos de longe. Só que, em uma escola cheia de alfas competitivos e betas hiperativos, "ficar na sua" era quase um superpoder.

— Mais um ano de guerra — murmurou, empurrando o cobertor. — Que comece o show.

Levantou-se devagar, ainda meio sonolento. O cabelo escuro e rebelde insistia em cair sobre os olhos, como se compartilhasse da sua preguiça. Vestiu o uniforme do Colégio São Lourenço — camisa branca, calça jeans azul escura e tênis preto — e foi até o espelho.
Ficou olhando o próprio reflexo por alguns segundos. O olhar calmo, os traços suaves e o sorriso discreto denunciavam sua natureza ômega.

Nem todo mundo respeitava isso, mas Caio aprendera a lidar. Preferia usar o jeito leve como uma armadura: quanto menos reagisse, menos deixava os outros mexerem com ele.

Desceu as escadas e encontrou a mãe na cozinha, mexendo no celular enquanto o café passava.

— Bom dia, meu amor — disse ela, sem levantar os olhos. — Dormiu bem?

— Mais ou menos — respondeu ele, pegando um pão. — Hoje voltam as aulas.

Ela sorriu, finalmente encarando o filho.
— Tá ansioso pra rever o pessoal?

Caio deu de ombros.
— A Ana Júlia vai fazer um escândalo, certeza.

A mãe riu.
— Ah, a alfa barulhenta?

— Essa mesma. — Ele riu de volta. — E com sorte, a Laura e a Geovana vão estar por perto pra equilibrar o furacão.

O caminho até a escola era curto, e Caio gostava de ir andando. O ar da manhã ainda estava fresco, e o céu tinha aquele tom azul-acinzentado de quem não decide se quer chover ou abrir sol.

Quando o portão da escola apareceu à vista, ele já ouvia o barulho: gargalhadas, passos apressados, o som de mochilas batendo e alguém tocando música no celular em volume absurdo.

Bem-vindo de volta ao caos, Caio.

Ele suspirou, ajeitou a mochila e atravessou o portão.

E então ouviu uma voz inconfundível:
— CAIOOO!

Antes que pudesse reagir, uma garota morena veio em disparada e o puxou num abraço tão forte que ele quase perdeu o equilíbrio.

— Ana Júlia! — tossiu. — Você ainda não aprendeu o conceito de "espaço pessoal"?

— Tsc, frescura — ela respondeu, rindo. — Senti sua falta, ômega preguiçoso.

Ana Júlia era uma alfa clássica: confiante, intensa e com um sorriso que parecia gritar "Eu mando aqui!".
Ela usava o uniforme com o botão de cima aberto, o cabelo preso num rabo de cavalo e uma pulseira de berloques no pulso — o tipo de detalhe que fazia todo mundo lembrar que ela era diferente.

Logo atrás vieram Laura e Geovana, as duas ômegas do grupo.

Laura, com o cabelo castanho escuro e olhos expressivos, tinha um jeito mais calmo e observador.
Geovana, por outro lado, era engraçadinha — um contraste de doçura e entusiasmo que fazia qualquer dia parecer mais engraçado.

MEU doce ômegaWhere stories live. Discover now