A fumaça espessa e sufocante invadia cada espaço do prédio, queimando minhas narinas e arranhando minha garganta. Cada respiração era uma luta; cada tossida, um aviso de que o tempo estava contra nós. O fogo crepitava, engolindo paredes, móveis e tudo que ousava permanecer em seu caminho, espalhando calor e luz rubra que refletia nos vidros quebrados.
— CLARA! ONDE VOCÊ ESTÁ?! — minha voz rouca e desesperada mal atravessava o rugido das chamas. O pano molhado sobre o nariz filtrava pouco, e a fumaça me fazia engasgar a cada passo, o coração batendo tão forte que parecia explodir no peito.
Um gemido fraco cortou a confusão. Entre as chamas que dançavam pelas paredes, vislumbrei sua silhueta: Clara caída, a cabeça machucada, inconsciente. Meu peito apertou, e minhas mãos tremeram ao me ajoelhar ao lado dela.
— Não... não... não... Clara, fala comigo! — sussurrei, quase implorando.
Peguei-a no colo, sentindo seu corpo leve e frágil e comecei a avançar pelo corredor em colapso. Cada passo era uma batalha: o chão rangia, ameaçando ceder; estalos de madeira queimando caíam ao redor; faíscas quicavam nas paredes, lambendo a minha roupa. O calor intenso fazia minha pele arder, e cada respiração parecia um esforço impossível.
Clara murmurou algo ininteligível, seu braço deslizou levemente sobre meu ombro. Meu coração disparou. Ela estava viva, mas frágil demais. Segurei-a com mais força, prometendo mentalmente que não a deixaria cair, que sairíamos dali juntas.
Finalmente, enxerguei a luz do lado de fora. Um túnel de esperança entre a fumaça sufocante e as chamas vorazes. Usei minhas últimas forças para atravessar o corredor final, cada passo uma batalha contra o cansaço e o pânico.
Coloquei Clara no chão, o coração ainda batendo descompassado, o corpo queimando de exaustão. Ela respirava, fraca, mas respirava. Segurei sua mão trêmula, olhando para seus olhos semiabertos.
— Você vai ficar bem... — murmurei, tentando transmitir força que nem eu sentia.
Mas minha cabeça girou violentamente. O ar rarefeito e o calor sufocante drenaram todas as minhas forças. Tudo começou a escurecer ao redor. Ouvi apenas o crepitar do fogo, o chiado da fumaça e a batida ofegante do meu próprio coração.
E então, sem conseguir mais lutar, caí ao lado dela. O mundo se dissolveu em cinza e calor, e minha última visão foi das chamas ainda rugindo atrás de nós, como se quisessem reclamar tudo que deixamos para trás.
Oi meus amoreeeees, eu voltei com tudo.
Dei uma pausa em Álibi para começar "Através dos seus olhos" e espero que vocês gostem.
Lembrando que ambas histórias tem crossover
Novidade: Serão 3 livros em crossover: Álibi - Através dos seus olhos - Sempre será você.
COMENTA E CURTE MUITOOOOO.
DEIXEM O VOTINHO E COMPARTILHEM ESSA HISTÓRIA LINDA.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Através dos seus olhos - Sáfico
FanfictionThalía, uma empreendedora famosa por seus negócios absurdos encontra-se em apuros devido a uma fake news que a aproxima de Clara, uma advogada voluntária que ajuda ongs em áreas de difícil acesso. Ambas com objetivos diferentes, lutam contra suas ob...
