“Entre Âncoras e Espelhos” — e o mesmo clima elegante, intenso e emocional, mas agora com essa nova base:
• Alisa: 22 anos, estudante de Administração, inteligente, determinada, filha de mãe humilde que se casou com um vereador rico depois da morte do pai. Quer provar que pode conquistar o próprio espaço.
• Lian Duarte: 27 anos, herdeiro e atual presidente da Duarte Energy, uma das maiores empresas de energia e petróleo da Espanha. Misterioso, reservado e cético em relação às intenções das pessoas — especialmente das que se aproximam dele por status.
• Eles se conhecem desde pequenos (pela convivência das famílias), mas nunca foram próximos.
• Capítulo 1
Entre Âncoras e Espelhos
Capítulo 1 – O Reencontro
Madrid amanhecia envolta em tons dourados, refletindo nos vidros espelhados dos prédios empresariais. Entre eles, o imponente edifício da Duarte Energy destacava-se como um símbolo de poder — alto, frio e impecavelmente moderno.
Alisa Navarro olhava para ele do outro lado da rua, o crachá novo ainda tremendo em suas mãos.
Seu coração batia rápido, misto de nervosismo e orgulho.
Era o primeiro dia do estágio.
Depois de anos de estudo em Administração, finalmente estava pisando em um dos impérios empresariais mais respeitados da Espanha.
Mas o que ninguém sabia — e ela não fazia questão de divulgar — é que o dono daquela empresa era Lian Duarte, o garoto que conhecia desde a infância, e que nunca havia sido gentil com ela.
Lian sempre foi o tipo de pessoa que parecia pertencer a outro mundo — e, de certa forma, pertencia.
Filho de magnatas do petróleo, cresceu entre jantares de gala e negócios milionários.
Ela, por outro lado, viera de um bairro simples de Toledo, criada apenas pela mãe até os sete anos, quando Helena, sua mãe, se casou com o vereador Santiago Navarro.
O sobrenome dela abriu portas, mas o sangue humilde que corria em suas veias a fazia questão de conquistar tudo por mérito.
E é por isso que, quando recebeu a vaga de estágio, não contou a ninguém da empresa que conhecia a família Duarte — nem que já havia brincado (e discutido) com o próprio Lian quando eram crianças.
Ela ajeitou a blusa, respirou fundo e entrou.
O andar executivo era silencioso.
Os funcionários falavam baixo, as salas eram de vidro, e o nome “Lian Duarte – CEO” estava gravado em letras prateadas na porta principal.
A supervisora de estágio, uma mulher elegante chamada Beatriz, apresentou o local:
— Você vai auxiliar diretamente na área administrativa e financeira. O senhor Duarte é exigente, então tente não chamá-lo de senhor — ele detesta isso.
Alisa apenas assentiu.
— Entendido.
Mas quando a porta do escritório se abriu, ela sentiu o estômago afundar.
Lian estava ali — sentado, com o paletó apoiado no encosto da cadeira, a gravata afrouxada e o olhar fixo nos relatórios à sua frente.
Mais velho, mais sério, mais... perigoso.
A tatuagem de âncora ainda estava lá, agora meio escondida pela manga da camisa social.
Ele levantou o olhar, e por um instante o tempo pareceu parar.
Reconhecimento.
Surpresa.
E logo depois — aquele mesmo meio sorriso arrogante.
— Navarro. — a voz dele soou firme, grave. — Nunca imaginei te ver aqui. Achei que tivesse escolhido outro tipo de vida.
Ela endireitou os ombros, tentando ignorar a provocação.
— E eu achei que você ainda estivesse brincando de herdeiro, não de chefe.
Ele arqueou a sobrancelha, um riso baixo escapando.
— Vejo que o sarcasmo sobreviveu bem aos anos.
— E o seu ego também.
Beatriz tossiu discretamente, constrangida com a tensão que enchia a sala.
— Senhor Duarte, esta é a nova estagiária que ficará responsável por auxiliar na revisão dos contratos do setor. Achei interessante que vocês já se conhecem.
— Sim, — respondeu Lian, sem tirar os olhos de Alisa. — Conheço muito bem.
As horas seguintes pareceram uma eternidade.
Lian a tratava com profissionalismo — ou algo muito próximo disso —, mas cada instrução vinha com um toque sutil de provocação.
Ele corrigia detalhes mínimos, fazia perguntas desnecessárias, e observava cada resposta dela com um olhar quase desafiador.
Quando ela o confrontou no final do expediente, não segurou mais:
— Se está tentando me testar, parabéns. Mas não sou uma das suas funcionárias mimadas, Duarte.
Ele cruzou os braços, encostando-se à mesa.
— Não estou te testando, Navarro. Só quero saber se você realmente está aqui por mérito... ou por sobrenome.
Os olhos dela brilharam de raiva.
— Você acha que eu preciso do meu padrasto pra conseguir um estágio?
— Acho que o mundo que você viveu nos últimos anos pode ter te confundido um pouco sobre o que é “conquistar sozinha”.
Ela deu um passo à frente, desafiadora.
— Você não sabe nada sobre mim.
Ele se aproximou também, diminuindo a distância entre eles.
— Então me prove.
O silêncio que se seguiu foi elétrico.
Ela sentiu o coração disparar, mas manteve o olhar firme.
— Vou provar. E quando eu for promovida, quero ver o que vai inventar pra me diminuir.
Ele sorriu de canto, o olhar escurecendo.
— Mal posso esperar pra ver até onde vai, Navarro.
Naquela noite, enquanto saía do prédio, Alisa olhou o reflexo de sua própria imagem nas portas de vidro.
O espelho mostrava uma mulher determinada, mas no fundo, ela sabia: Lian Duarte era um desafio perigoso — e talvez o maior obstáculo em seu caminho.
O problema é que, por mais que ela negasse, parte dela estava disposta a enfrentá-lo.
Não apenas pelo estágio.
Mas porque algo antigo e confuso começava a despertar — algo que ela não queria admitir.
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Entre Âncoras e Espelhos ⚓️
RomanceMadrid amanhecia envolta em tons dourados, refletindo nos vidros espelhados dos prédios empresariais. Entre eles, o imponente edifício da Duarte Energy destacava-se como um símbolo de poder - alto, frio e impecavelmente moderno. Alisa Navarro olhava...
