꧁꧂ UM SONHO DE AMOR ꧁꧂

3 0 0
                                        


- A plateia está cheia Estella, as "olheiras" chegaram e seus pais estão na fila da frente, você está pronta? Somos os próximos a apresentar.

Estella não respondeu à pergunta de Amanda, ela estava parada encarando o seu reflexo no espelho, com mão esquerda no peito, estava claramente mais pálida que o normal.

-Amiga você está bem? Está pálida!

-É a maquiagem, acho que devo ter exagerado um pouco.

- Está bem mesmo né Estella? Não pense que eu esqueci a sua tontura no ensaio do último sábado.

- Eu estou bem Amanda, só estou nervosa tem gente importante na plateia hoje, se nós formos bem e ganharmos essa competição nossa carreira vai alavancar, nosso sonho...

- Vai se tornar realidade eu sei.

- Você não parece animada, o que aconteceu?

- Adivinha quem não chegou ainda.

-Seus pais?

- Na mosca.

Estella ia consolar a amiga, mas o som no alto falante veio primeiro que sua voz. - AGORA COM VOCÊS, A EQUIPE QUE VEM ACUMULANDO UMA SERIE DE VITORIAS!!! EQUIPE RV RODAS VELOZESSSSS"

-OK equipe todos aqui, vocês já vão entrar- Disse Diana a treinadora da equipe.

A equipe toda se juntou em uma roda junto a treinadora.

-Esse momento é de vocês, entrem naquele salão e mostrem o do que vocês são capazes. VÃO!!

Eles se juntarão em uma fila uniforme e entraram na pista com seus patins a todo o vapor, a plateia foi à loucura, Estella ajustou o microfone, se posicional no centro do salão, respirou fundo, e disse para si mesmo –O show vai começar.

A batida musical foi entregue, Estella soltou a voz cantando _You'll always find your way back home. A coreografia começou, saltos, mortais, piruetas, tudo ao som de sua voz, era o sonho se realizando, a plateia adorando, as capitãs de equipes famosas ou "olheiras" como Amanda gostava de chamar, de olhos bem atentos, o orgulho nos olhos dos seus pais, a certeza do sucesso até que... A dor no peito veio forte demais para ser ignorada, o som da sua voz se recusava a sair, e então ela caiu no chão, a mão no peito na esperança de que ela pudesse amenizar a dor ou a falta de ar que veio logo em seguida, Amanda patinou até a amiga, mas Estella estava tonta de mais para ouvir o que ela dizia, o rosto de Amanda foi à última coisa que ela viu antes de apagar por completo.

Os paramédicos não demoram para chegar, em poucos minutos uma reanimação cárdica foi realizada, não funcionou, ela foi conduzida para a ambulância e o procedimento de desfibrilação foi iniciado, o coração de Estella estava prestes a parar.

                                                      ❈ DO OUTRO LADO DO PAÍS ❈

Will encarava o alvo a sua frente como quem encara um inimigo de batalha, posicionou bem sua flecha e a lançou como quem esperava abater uma preza difícil de se caçar, a flecha atingiu o centro do alvo, ele preparou a próxima flecha, mirou o próximo alvo e lançou novamente, a flecha cortou o vento e acertou o centro do alvo, vendo de longe parecia fácil.

André, melhor amigo de Will encarava a cena de longe, admirava o talento do amigo, ele se aproximou aos poucos com uma garrafa de água, uma oferenda de paz para a cara carrancuda de Will.

-Está tudo bem? Perguntou André estendendo a água.

Teve silencio como resposta, Will continuava lançando flechas nos alvos como se não existisse um mundo ao seu redor.

-Will, silencio não resolve os problemas da vida, sabe o que resolve? Contar o que está acontecendo para o seu melhor amigo para eu ir lá e matar o desgraçado que te deixou assim.

- Aconteceu de novo.

- O que exatamente?

- Ele bateu na minha mãe de novo.

- Aquele desgraçado, vagabundo!!! Temos que denunciar ele Will!!

- Não vale a pena, ele é policial esqueceu? E ela retira a queixa, minha mãe sempre o defende com desculpas esfarrapas de 'foi a última vez' 'ele vai mudar' 'ele só estava nervoso' 'ele não é sempre assim.'

-Esse cara fez lavagem cerebral na cabeça da tia Tania.

Will começou a guardar o seu material de arquearia, junto a André foi até os alvos retirar as flechas acertadas.

-Não sei mais o que eu faço, se eu denunciar como na última vez ela vai ficar chateada comigo, e não vai adiantar de nada porque toda a delegacia de polícia passa pano pra ele, mais ao mesmo tempo eu não aguento mais chegar em casa e ver minha mãe toda roxa se culpando por algo que não é culpa dela.

-Caramba, olha nós podemos colocar veneno na comida dele ou...

-Você tem alguma ideia que não vá levar a gente pra cadeia?

-Não.

-Então é melhor parar por aí.

- Tem certeza? Porque eu sei direitinho como sumir com um corpo sem deixar rastros.

-Às vezes você me assusta André.

-Sério?

-Claro que não seu idiota.

André sorriu para o amigo, que o retribui com outro sorriso, um sorriso triste, porém de esperanças, o primeiro sorriso que ele deu no dia, talvez o primeiro da semana, e se for analisar direitinho, o primeiro do mês.

-Vamos? Eu tenho que ver como minha mãe está.

-Sim eu tenho que dar uma olhada na vovó então vou com você.

A avó de André era vizinha de Will e a razão pelo qual os dois eram amigos, uma senhora de cabelos brancos, olhos azuis e uma voz doce, ela vinha sofrendo de Alzheimer nos últimos dois anos, e André seu único neto ajudava a cuidar dela durante a noite.

-Como ela está?

-Bem, ontem ela me confundiu com o papai, foi triste, mas também foi bem fofo.

-Semana passada ela me olhou pela janela da casa dela e perguntou que horas eu ia passar para pegar ela para o jantar.

Os dois deram risadas da situação e continuam a caminhada até seus destinos. Will encarou a porta por alguns minutos antes de finalmente entrar em casa, ele chamou por sua mãe, mas não obteve resposta, ao olhar para o sofá ele a viu adormecida, seu rosto ainda estava com as marcas da agressão sofrida mais cedo, Will não pensou duas vezes em pegar sua mãe no colo e levá-la para o quatro para que ela pudesse dormir melhor.

-Filho...

-Shih, a senhora precisa descansar.

Ela não discutiu, apenas voltou a dormir, dessa vez em sua cama. Ele foi para o quarto dele, tomou um banho e se jogou na cama, na esperança de dormir e esquecer nem que fosse por um breve período de tempo toda a tempestade de coisas ruins que vinha acontecendo. Ele encarou o teto por alguns minutos, até que o sono veio ao seu encontro.

                                                                                   ❈❈❈

Pela primeira vez em anos Will teve um sonho bom, ele estava em um campo de girassóis, o céu estava lindo como nunca, o ar era fácil de respirar, e ao fundo tocava a música I think they call this love, ele seguia no rumo de onde vinha a canção, e então ele parou, de repente ele parou, ele olhou e aí, ele a viu, tal qual um sonho, quem ela era ou de onde veio nem ele sabia nem lhe importava, seus olhos encontram os dela, como um encontro de almas, ela era a jovem mais linda que os olhos dele já puderam admirar, Will se aproximou dela encarando seus olhos claros cor de mel, passou a mão em seus cabelos castanhos e levemente ondulados, ela sorriu, e por algum motivo ele se sentiu obrigado a sorrir também.

Não precisaram de palavras, ele a puxou para dançar a música que tocava, e durante aquela noite eram só ele e ela, dançando em meio a paz que os abraçava.

                                                                                   ❈❈❈ 

Has llegado al final de las partes publicadas.

⏰ Última actualización: Oct 19, 2025 ⏰

¡Añade esta historia a tu biblioteca para recibir notificaciones sobre nuevas partes!

Sempre será vocêHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora