End Of Beginning

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06 de novembro de 1983 – 22h40Floresta de Mirkwood – Hawkins, Indiana

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06 de novembro de 1983 – 22h40
Floresta de Mirkwood – Hawkins, Indiana

A noite caíra sobre Hawkins como um manto sufocante. O céu estava coberto de nuvens espessas que escondiam a lua e as estrelas, deixando a floresta de Mirkwood mergulhada em escuridão. A chuva caía em torrentes, pesada e impiedosa, transformando o solo em lama e fazendo as árvores gemerem sob o peso da tempestade. O som era constante: trovões, água batendo nas folhas, vento assobiando entre os troncos.

No meio desse caos, corria um garoto.

Will Byers.

Seu peito queimava a cada respiração, e as pernas tremiam de cansaço, mas ele não parava. O medo o movia. A sensação de ser caçado era real demais para permitir descanso. Atrás dele, em algum ponto da floresta, havia algo. Ele não precisava ver para saber. O instinto gritava que estava perto, cada vez mais perto.

A água fria escorria por seu rosto, misturando-se às lágrimas que ele mal percebia. O mundo ao redor parecia querer engoli-lo. Cada sombra, cada árvore retorcida parecia observá-lo, e cada galho que estalava soava como um prenúncio do inevitável.

Foi então que o garoto alcançou um lugar que conhecia: Skull Rock. As pedras gigantescas, moldadas pelo tempo em formas bizarras, erguiam-se como uma caveira de pedra no meio da floresta. Para os meninos, era apenas um ponto de encontro, um marco curioso. Mas, naquela noite, para Will, era um refúgio.

Ele deslizou para debaixo das rochas, encolhendo-se, o coração martelando dentro do peito. O som da chuva agora parecia distante, abafado pelo teto natural das pedras. Por um momento, tentou controlar a respiração, forçando o ar a entrar e sair lentamente, mas o corpo não obedecia. Tremia demais.

E então ouviu.

Crack.

Um galho que se partia.

Depois outro.

E outro.

O barulho não deixava dúvidas: havia passos se aproximando. Lentos, calculados, pesados. O tipo de passo que não precisava correr porque sabia que a presa não tinha para onde escapar.

Will apertou os olhos, abraçando os joelhos contra o peito. Queria desaparecer. Queria estar em casa, no quarto pequeno, ouvindo Jonathan tocar guitarra, sentindo o cheiro de café vindo da cozinha. Mas não estava. Estava ali, sozinho, com o coração prestes a explodir.

Criando coragem, aproximou-se de uma fresta entre duas pedras. Olhou para fora. A floresta parecia vazia. Apenas a escuridão cortada pelos relâmpagos, apenas a chuva castigando o chão.

Ele se inclinou mais, buscando enxergar qualquer movimento. Mas não havia nada. Nenhuma silhueta, nenhuma sombra. Talvez fosse sua imaginação. Talvez estivesse sozinho.

Mas, antes que o pensamento pudesse lhe trazer algum alívio, sentiu.

Uma força brutal o agarrou pelas pernas e o puxou para dentro de uma abertura estreita entre as pedras. Foi rápido, inesperado. Ele gritou, mas o grito morreu na garganta. O corpo foi arremessado contra o chão encharcado, e a dor percorreu sua coluna como fogo.

Will tentou respirar, mas o ar parecia não entrar. Quis pedir ajuda, mas não havia voz. O corpo estava pesado, sem forças.

Deitado na lama fria, sentiu o desespero se apossar de si. "É isso... eu vou morrer aqui." A ideia era cruel, sufocante. Ele era só um garoto. Não queria que sua história terminasse assim. Não queria desaparecer.

Com esforço, virou o rosto.

E lá estava ele.

O monstro.

O Demogorgon.

Imenso, grotesco, a pele úmida refletindo os relâmpagos, as garras manchadas de lama. A cabeça se abriu em pétalas de carne, expondo fileiras de dentes que brilhavam sob a chuva. O cheiro era insuportável, pútrido, como carne apodrecida. Cada passo que ele dava parecia fazer o chão tremer.

Will, mesmo apavorado, sentiu algo crescer dentro de si. Uma resistência inesperada, um grito silencioso contra o fim. E, com a pouca força que lhe restava, murmurou apenas uma palavra:

— Não...

A palavra saiu fraca, mas parecia ter um peso que ele não compreendia.

O Demogorgon estremeceu. Como se tivesse sido atingido por algo invisível, cambaleou para trás. Rugiu, um som horrendo que ecoou por toda a floresta, mas não avançou. A cabeça começou a se agitar, convulsionando de forma descontrolada.

E então explodiu.

O barulho foi grotesco. Sangue e pedaços de carne se espalharam pelo chão encharcado. O corpo do monstro tombou, inerte, enquanto a tempestade continuava a cair.

Will permaneceu imóvel, sem acreditar no que via. O silêncio era quase pior que o rugido. Ele piscou. Uma, duas vezes. A visão começou a se desfazer, turva, embaçada, como se o mundo ao redor estivesse derretendo.

Levantou a mão diante dos olhos, mas seus dedos pareciam embaralhados, borrados como um reflexo em água. Sentiu algo quente escorrer por sua perna. Uma gota pingou no chão.

Instintivamente, levou a mão ao rosto. Quando olhou, a palma estava coberta de sangue. O gosto metálico invadiu sua boca sem que tivesse percebido antes.

Tentou se levantar. As pernas não obedeceram. O corpo cedeu. Ele caiu para trás, sentindo o frio da lama contra a pele.

A escuridão veio como uma onda, rápida, inevitável. Engoliu tudo — a chuva, o trovão, as árvores, o próprio medo.

E, no último instante antes de apagar, Will teve apenas uma certeza sombria: aquilo não havia acabado.

E, no último instante antes de apagar, Will teve apenas uma certeza sombria: aquilo não havia acabado

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WILLIAM BRENNERPříběhy, které tě pohltí. Začni objevovat