🕯️ Capítulo 1
Era uma noite fria em Blumenau. O vento batia nas janelas e fazia um som estranho, como se alguém estivesse sussurrando lá fora. Dentro do quarto, o beliche dos irmãos Do Prado rangia a cada movimento.
Lá em cima, Érika tentava ler um livro com a lanterna do celular, enquanto Isadora, na cama do meio, mexia no travesseiro tentando achar uma posição confortável. Já José, o mais velho, estava na cama de baixo — e, como sempre, brincando de fazer barulhos esquisitos.
— José, para de fazer esse som horrível! — reclamou Érika, bufando.
— Que som horrível? — respondeu ele, fingindo inocência.
— Esse “grrrr” aí! Parece que tem um monstro morando embaixo de ti! — disse Isadora, rindo.
José gargalhou.
— Vai ver tem mesmo! — provocou, mexendo os pés de propósito pra cama ranger ainda mais.
Érika suspirou e fechou o livro.
— Se essa cama quebrar, tu vai dormir no chão, cientista maluco.
— Relaxa, madame organizada — retrucou José, com um sorrisinho. — Essa cama aguenta fácil!
Mas, de repente… toc, toc, toc.
Um barulho veio debaixo da cama.
Os três pararam na hora. O vento lá fora cessou. A luz do corredor piscou, e até Marrom, a cachorrinha da família, latiu lá da sala.
— Tá… tá brincando, né, José? — perguntou Isadora, engolindo seco.
— Eu juro que não fiz nada agora — respondeu ele, levantando o cobertor devagar.
Érika pegou o celular e ligou a lanterna.
— Se for um rato, tu vai ter que pegar, porque eu não chego nem perto — disse, já se afastando.
— Rato? Credo! — exclamou Isadora, puxando o pé pra cima da cama. — Espero que seja só o vento.
José se abaixou um pouco, tentando olhar por baixo da cama.
Silêncio. Só o som da respiração deles.
De repente, algo bateu lá embaixo — PÁÁÁ!
Os três gritaram ao mesmo tempo e subiram na cama de Érika.
— EU DISSE QUE ERA UM MONSTRO! — gritou Isadora.
— Cala a boca e segura a lanterna! — disse Érika, tremendo, mas tentando parecer corajosa.
— Eu acho que… eu acho que foi só a vassoura que caiu — disse José, tentando rir, mas sua voz saiu trêmula.
O trio se encarou, suando frio.
Marrom parou de latir.
Silêncio outra vez.
Então, bem baixinho, uma voz arranhada ecoou do chão:
> “Vocês... estão... acordados...?”
Os três irmãos se entreolharam, completamente imóveis.
E, por um instante, ninguém ousou respirar.
No Dia Seguinte
Depois do susto da noite anterior, Érika, Isadora e José não conseguiam dormir. Cada rangido do beliche ou assobio do vento fazia seus corações dispararem.
— Eu ainda não acredito que aquilo falou com a gente — sussurrou Isadora, abraçando o travesseiro.
— Fala sério, foi só imaginação de vocês — disse José, tentando parecer corajoso, mas roendo as unhas.
— Ah, claro! O “nossa, sou um monstro debaixo da cama” foi tudo imaginação — retrucou Érika, com os braços cruzados, tentando parecer séria.
Depois de alguns minutos de discussão, Érika teve uma ideia.
— Tá decidido: hoje a noite a gente descobre o que tem debaixo da cama. Mas tem que ser com estratégia. Nada de sair correndo, nada de gritar.
— Estratégia, hein? — zombou José. — Tipo cientistas investigando um monstro? Posso usar meu jaleco de cientista maluco então?
— Melhor não — respondeu Érika. — Só precisamos de lanternas, coragem e silêncio absoluto.
Isadora suspirou, colocando a mão na testa.
— Vocês são impossíveis. Mas… tá, vamos fazer isso juntos.
O trio se preparou: José pegou a lanterna dele, Érika levou a lanterna do celular, e Isadora trouxe uma pequena vassoura — “para defesa”, disse ela.
— Tá, a missão é simples — começou Érika, falando como comandante de equipe. — José fica na porta, se algo acontecer, ele sai gritando. Eu vou na frente com a lanterna e Isadora com a vassoura me cobre. Entendido?
— Entendido… comandante — respondeu José, rolando os olhos.
— Prontos… 1, 2, 3… — contou Érika.
Eles se abaixaram devagar e José iluminou o espaço com a lanterna.
— Nada aqui… nada… — sussurrou ele, mas de repente, um barulho forte de arranhar ecoou do fundo da cama.
— AAAAAAAAAH! — gritaram os três juntos, tropeçando uns nos outros e caindo em cima do colchão.
— Calma! — disse Érika, tentando respirar fundo. — Ok… calma… deve ser só a Marry, a gatinha, ou Marrom e Belinha.
Eles se entreolharam e decidiram espiar com cuidado. José se aproximou devagar, apoiando a lanterna no chão.
— Gente… acho que… — começou, mas foi interrompido por um pulo da gatinha Marry, que saiu correndo debaixo da cama, seguida das duas cachorras.
Os três começaram a rir, ainda meio assustados.
— EU SABIA! — disse José, rindo. — Monstro = pets!
— Pelo menos não era um fantasma — disse Isadora, rindo e ajeitando o cabelo.
— Mas… e se for só hoje? — murmurou Érika, ainda desconfiada.
Eles se deitaram novamente, mas cada um não conseguia parar de olhar para baixo do beliche. O quarto estava silencioso… mas aquele frio na espinha continuava, como se algo ainda estivesse espreitando, esperando o momento certo para se mostrar.
E naquela noite, entre risadas, sustos e implicâncias, os três irmãos descobriram que nem sempre os monstros estão debaixo da cama… mas o medo pode ser tão divertido quanto assustador.
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💀 Continua…
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Os Três Irmãos Do Beliche
Fantasía🌙 Descrição da história Érika, Isadora e José Henrique são irmãos que vivem juntos com os avós, Dorvalina e Ari, em uma casa simples, mas sempre cheia de risadas, barulhos e confusões. Apesar de se amarem muito, a convivência entre os três é uma m...
