Capítulo 1
°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•°•
- Filha, você pegou as últimas caixas do seu quarto? - Mamãe, Dora, perguntou, fazendo uma careta que eu já conhecia. Ela odiava aquela parte da mudança.
- Ainda não, mãe. Já vou subir e buscar o que tá faltando. - soltei um bufo impaciente . - a última coisa que eu queria era estar ali, empacotando minha vida. Subi as escadas correndo.
Eu parei por um segundo na porta do meu quarto. Olhei para as paredes, para cada canto, e senti um nó na garganta. Fui muito feliz ali. Meu palácio dos segredos, meu refúgio, meu lugar favorito no mundo.
Foi ali, afinal, meu primeiro crush de verdade, meu primeiro beijo com o garoto mais gato do colégio. Jhon Chester. O cara era babado e sabia muito bem o que fazer.
Sacudi a cabeça para afastar a nostalgia e voltei para a realidade. Agarrei o que faltava, mais algumas caixas, e desci o mais rápido que pude.
Coloquei-as no caminhão de mudança e me virei para subir de novo, só para pegar as duas caixas finais, quando ela apareceu. Ariana, minha melhor amiga desde sempre, entrou no quarto nas pontas dos pés, parecendo um fantasma triste.
- Você vai ter que ir mesmo, amiga? - ela perguntou. Os olhos já estavam marejados, e a tristeza dela, juro, quase me fez querer largar tudo.
- Ariana! Que susto! Você me pegou de jeito. - falei. - Sim, amiga, eu vou. As universidades de lá dão de mil a zero nas daqui, não estou dizendo que são ruins, só que não rola para mim. Eu queria muito ficar, de verdade, mas é o meu futuro, sabe? É por isso que eu estou indo. - minha voz falhou um pouco.
- Eu queria muito poder dar um jeito de você ficar, mas sei que é inútil. Vou sentir sua falta, demais! - Ari começou a chorar de verdade, e eu fiz o que pude para consolá-la.
- Vem cá, sua bobona. Para com isso, Ari. Você sabe que pode ir me visitar, e eu prometo que volto sempre que der. Principalmente no verão.- eu a puxei para um abraço apertado.
- Eu vou sentir sua falta. Não vai ser fácil passar em frente a essa casa e não te ver. E como vou para a escola sem você? É estranho demais!- ela disse, lutando contra a emoção.
- Calma, relaxa. A Luci vai estar lá com você todos os dias. Você vai ficar bem!
- Não vai ser a mesma coisa! Você é minha melhor amiga, a pessoa com quem eu divido os meus piores perrengues e meus segredos mais bizarros. Sem você, eu não tanko!
- Ariana, vamos parar de caô. Deixa de drama! Eu vou estar a uma ligação de distância, e a gente pode se ver algumas vezes. Fica tranquila! - tentei acalmá-la, rindo de leve.
- Tá bom, miga. Só não vai ser a mesma coisa sem você aqui. - ela me abraçou de novo, e rimos das coisas cringe que já passamos e das rolês que fizemos juntas. Depois de tudo arrumado eu e Ariana fomos até uma sorveteria, a nossa preferida, ficamos conversando mais um pouco rindo e chorando das coisas que passamos juntas. Era o jeito mais Júlia e Ariana de se despedir.
Depois das despedidas com as pessoas mais próximas, eu e Mamãe, Dora, partimos para essa nova jornada de nossas vidas.
Eu estava ansiosa, mas no fundo, fiquei repetindo na minha cabeça que foi um erro. Como podia estar deixando um lugar novo, cheio de história minha, para voltar a um lugar velho que a gente tinha deixado dez anos atrás?
YOU ARE READING
Quando a Grama do Antigo Quintal Floresceu
ChickLitEles se conheceram nas brincadeiras despretensiosas do verão: ele, com nove anos e cheio de planos para o futuro; ela, com sete e a leveza de quem acabava de chegar. Eram inseparáveis, vivendo naquele universo mágico da infância onde a amizade parec...
