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primeiro dia

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Eu queria muito começar essa história com um "Era uma vez", mas… não sei se combina. Talvez, no fim, você decida se deveria ter começado assim.

O que eu sei é que tudo começou numa segunda-feira comum — ou parecia ser. Primeiro dia de aula. O despertador tocou às 6:00 da manhã e, mesmo depois de um domingo cansativo, eu levantei. Fui direto pro banho, ainda meio grogue, e depois desci pra tomar café. Sabia que não dava pra ficar quatro horas na escola de estômago vazio.

Me arrumei, respirei fundo e fui. Sou tímido — daquele tipo que fica esperando alguém vir puxar conversa. E foi o que aconteceu.

Uma garota linda se aproximou. Cabelos cacheados, olhos azuis e um sorriso que parecia iluminar o corredor.
— Você é novo, né? — ela disse. — Meu nome é Francielle. É francês, pronuncia "Francie".

Eu ri meio sem jeito.
— Meu nome é Fabrício. Eu… gosto de música. E sou tímido, acho que já deu pra perceber.

Definitivamente não era assim que eu imaginava minha apresentação, mas aconteceu.

Logo em seguida, Francie me apresentou à Emanuelle, uma garota mais na dela, quieta, quase invisível. Do tipo que prefere ficar no canto, longe de confusão. E junto com ela, veio a Nicollly — o oposto. Extrovertida, falante, como se quisesse carregar o mundo nas costas.

Um mês se passou. A rotina era tranquila, sem grandes emoções. Fiz amizade com o Samuel, um garoto que parecia não ligar pra nada, mas era fácil de conversar. Até que, numa dessas conversas, ele soltou algo inesperado:

— O Kaique já foi meu melhor amigo, sabia? Mas ele é manipulador. Tentou me virar contra meus próprios amigos só porque ele não gostava deles.

— Sério isso? — perguntei.

Samuel deu de ombros, como quem não quer se abalar, mas logo lembramos de uma conversa tensa que ele teve com Kaique:

— Não sei o que você quer com isso — disse Samuel. — Mas não vai rolar.
— Eu só acho que eles não prestam — rebateu Kaique, com aquela arrogância.
— Isso é problema seu, não meu. Você não decide com quem eu ando.
— Achei que você fosse diferente. Mas é só mais um babaca que depende dos outros pra ser alguém.

Samuel virou as costas, sem nem hesitar.
E eu fiquei… chocado.

No caminho pra casa, pensei na conversa. Percebi que, enquanto falava com o Samuel, eu me sentia diferente. Como se... quisesse entender mais sobre ele. Como se ouvir ele falasse mais alto do que qualquer música.

À noite, minha mãe me chamou pra ir à pizzaria com a família. Me arrumei, fui… e lá estava ele. Samuel. Três mesas à frente. Acenei, mas ele desviou o olhar. Fingiu que não me conhecia.

— Talvez ele só não tenha me visto… acontece — tentei me convencer.

Uma hora depois, ele foi embora. Eu também. Dormi.

Era sexta-feira, e a escola, como sempre, estava mais agitada.

Conversei com a Manu e percebi algo estranho. Enquanto falávamos, vi cortes no braço dela. Não disse nada. Não sabia o que dizer. Ela notou meu olhar, puxou a manga do casaco e ficou em silêncio. Eu também.

O sinal tocou, e na hora da pausa, eu, Manu e Nicollly fomos ao campo ver o pessoal jogando. Tudo parecia normal… até que ouvimos gritos na arquibancada.

Era o Kaique discutindo com a Gabriely, uma das líderes de torcida.

— Eu quero terminar — disse ela.
— Você não vai terminar comigo! — Kaique explodiu.
— Desculpa, mas quem decide isso sou eu.
— Sozinha? Sem mim, você não é ninguém.
— Então veremos — respondeu ela, firme. — Seu babaca.
— Cachorra! Quando você voltar se arrastando, eu já vou estar com outra!

O silêncio tomou conta do campo.

— Mano, mano, mano… — sussurrou Nicollly.
— Eu já sabia da fama dele, mas achava que era só boato — disse Manu.
— Isso foi... pesado — completei.

Depois disso, Kaique passou o resto da aula inquieto, nervoso, com o olhar perdido. Alguma coisa estava errada. E, de alguma forma, eu sentia que essa história estava só começando.

OLHARES CONTAGIANTES (REMASTERIZADO)Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora