Uma rápida visita - One more hour

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Ler ao som de Tame Impala, One more hour

By RiancKz

A

chuva caindo causava pressa nas pessoas e carros na rua, movimento extremo e agitado de uma noite em Nova York era costumeira a seus residentes a esse ponto.

O céu negro davam espaço aos aviões e turbulência de luzes do alto dos arranha-céis. Os soms altos dos passos na chuva, as gotas caindo e atingindo as janelas da cafeteria.

Midnight Latte, seu nome era clássico, conhecido e famoso pelas subculturas de Nova York. Punks, góticos, nerds e pessoas que não se encaixavam com lugares normais vinham aqui sempre.

E por que não viriam? Este lugar é livre de julgamento, poderiam ser quem eram sem necessidade de fingir ou tentar se dirigir as ordens de um mundo inflexível e que o ultimamente os odiava.

A bandeira lgbt, o símbolo anarquista e a cruz unidas na entrada reprensetavam que não haveria ninguém aqui para os negar.  Desde o ambiente até o horário que aqui funcionava, difícil achar cafés que ficam abertos durante a madrugada, eram atrativos para os seres da noite.

Aqueles vivos o bastante para curtir sua noite e até aqueles que ninguém sabia que não respiravam mais. A cafeteria era espaçosa, assentos confortáveis e estofados, luminárias no teto com cores diversas e placas cheias de neon para se sobresair durante a noite.

Era neste ambiente que se encontrava Noe, o dono deste estabelecimento e acima de tudo seu frequentador. Noe precisava de um local de paz, um lugar seguro tanto para ele e seus iguais.

Assim foi criado esse oásis noturno, Noe sempre se sentava na mesma cadeira, na mesma mesa e no mesmo canto a janela da rua todas as noites que vinha, e eram muitas, como se esperasse alguém aparecer.

Noe se vestia de forma elegante e extravagante, imitando um estilo Victoriano porem moderno, caminhava lado a lado com o estilo gótico.

Seu rosto era de uma beleza fria, nunca aparentava estar alegre realmente. Só exitia ali um sorriso, não morbido, mas vazio.

Nesta noite, Noe se sentou da mesma forma de sempre, esperando alguém que  nunca voltaria... Até que dessa vez, alguém realmente apareceu.

"Lamento a demora, eu tava ocupado com algumas pendências, sabe como é, príncipes."

O jovem homem se vestia de forma menos formal que Noe, usava um estilo mais parecido com o punk. Jaqueta de couro, botas e correntes no pescoço e pulsos.

"Boa noite Athos, espero que não tenha entrado em problemas para poder me ver aqui. Afinal, sabe como nossas seitas são..."

Noe, puxava uma cadeira de forma graciosa para seu recém chegado convidado. Servia o homem com café – mesmo que ele não bebesse – e apertava sua mão ao sentar, com um sorriso, dessa vez, genuíno.

"Nunca deixaria alguns desgraçados engomados dizer o que posso ou não fazer, mesmo que siga as tradições e suas leis, não irei ficar sem ver meu único amigo que sobrou." Athos, colocava uma pasta que trouxe consigo na mesa, abri-a e mostrava para Noe.

"Encomendas?" Perguntou Noe, já sorrindo, que ao mesmo tempo acentiu Athos. Um punhado de cartas era posta sobre a mesa frente a Noe.

"Muitas pessoas no nosso ramo enviam cartas, algumas nunca chegam ao seus endereçados. Fora as que trouxe a nós dois, também há algumas que são nossas." Disse Athos, enquanto segurava uma carta com um selo negro.

"Acha que notícias boas aguardam a gente?" Noe riu, nada que recebeu nos últimos meses eram informações otimistas ou que ele gostaria de saber.

"Provavelmente não... Mas essa é a graça de ser imortal, uma vida infinita para decepções." Athos com seu sorriso, começou a abrir uma carta endereçada para Noe.

"Vai ler minha carta? Sério?" Athos sorrindo continuava a abrir o selo, juntamente com a carta logo em seguida.

"Você lê a carta dos outros por puro prazer e entretenimento, óbvio que vou ler a sua também." Athos disse.

"Não se pode culpar um Toreador por ter um hobbie diferente!" Noe proclamou, mas rindo ao mesmo tempo.

"Tudo bem, tudo bem. Sem julgamentos. Mas eu vou ler a carta igual, bobão."

Athos então abriu completamente a carta e descansou seus olhos sobre a letra delicada de seu título.

O fim de Detroit



Deadman LettersWhere stories live. Discover now