Agatha não esperava um final grandioso para sua vida - mas também não esperava acordar no corpo de Jéssica Stanley, a garota tagarela e secundária de Crepúsculo. Sem chance de voltar, ela decide o óbvio: manter-se longe de vampiros brilhantes, lobis...
A primeira coisa que percebi foi que o mundo estava errado. Nada do que eu conhecia fazia sentido. Meu corpo latejava, principalmente a cabeça, e meus músculos estavam estranhamente pesados, como se eu tivesse corrido uma maratona sem nunca ter saído do lugar. Abri os olhos devagar, e a primeira visão que tive foi um mar de verde escuro. Árvores, folhas molhadas, troncos caídos. O cheiro era forte: terra úmida, folhas podres, chuva leve. Um cheiro que grudava na pele e fazia cada respiração parecer um esforço.
- Ótimo... - murmurei, tentando me sentar, mas quase rolando de novo na lama. - Morri e fui parar no meio do nada. Isso é purgatório ou reality show de sobrevivência?
Minha cabeça doía, latejante, e cada movimento parecia uma eternidade. Tentei lembrar como tinha chegado ali. Lembranças desconexas surgiram: um carro, um impacto, a sensação de que tudo tinha acabado. Mas eu estava viva. Pelo menos parecia.
Antes que pudesse avaliar melhor, ouvi passos apressados.
- Ei! Você está bem? - uma voz masculina chamou, carregada de preocupação, mas sem aquele tom teatral de filme de ação.
Virei a cabeça e vi um garoto alto, com cabelos castanhos escuros presos em um rabo de cavalo improvisado. Seus olhos escuros me estudavam com cuidado. Era magro, de um jeito bem juvenil. Ele parou a poucos passos de mim, hesitando, mas pronto para me ajudar.
- Eu... acho que sim? - respondi, tentando soar convincente, mas minha voz saiu trêmula. - Só estou meio... fora de lugar.
- Você bateu a cabeça? Quer que eu te leve ao hospital? Balancei a cabeça rapidamente, mesmo com o mundo girando. O hospital não era opção. Sempre tive pavor de médicos, cheiros de desinfetante e aquele ar de "você não vai sair daqui sem fila de espera".
- Não, não... obrigado. Estou bem. Acho. - Tentei rir, mas saiu um som estranho, meio histérico.
Ele se aproximou e me ajudou a ficar em pé. Meu corpo parecia chumbo, e eu não conseguia caminhar direito sozinha, para falar a verdade nem conseguia pensar direito. - Vamos devagar - disse ele, segurando meu braço.
- Devagar é meu nome do meio hoje - murmurei, fazendo pouco caso da situação, porque rir era melhor do que surtar completamente.
Caminhamos pela trilha enlameada, e eu percebia cada detalhe: folhas grudando nos sapatos, galhos que arranhavam minhas pernas, garoa fina que molhava cada fio do meu cabelo volumoso, o que é estranho já que eu não tenho um Cabelo volumoso. O frio cortava minha pele de forma desagradável. O mundo estava cinza, chuvoso e sombrio, como se até o céu tivesse decidido que eu precisava sofrer.
- O que você fazia na floresta?- ele perguntou, claramente tentando puxar assunto.
- Hã... me esborrachava no chão?- disse, sem conseguir explicar nada de verdade. - É só que... eu não lembro de nada direito.
Ele me olhou, atento, mas não fez mais perguntas. Talvez tenha percebido que qualquer resposta seria estranha demais.
Depois de alguns minutos, começamos a sair da floresta. As árvores diminuem, dando lugar a uma rua molhada e silenciosa. Casas suburbanas se alinhavam de forma quase idêntica, todas molhadas pela garoa constante. Eu não reconhecia nenhuma, não fazia ideia de para onde ir.
- Olha sem querer ser inconveniente, mas não faço ideia de onde estamos - afirmei, hesitante, tentando parecer útil.
- Eu sei. Confie em mim - ele respondeu com firmeza. - Mas, tem certeza que não quer ir ao médico? Acho que você está realmente precisando.
- De forma nenhuma ... tenho certeza de que só preciso de umas horinhas de sono - murmurei, sentindo um arrepio percorrer minhas costas.
O garoto me guiava com cuidado, sempre atento, evitando que eu tropeçasse nos buracos cheios de água da rua. Eu comentava cada coisa, meio nervosa, meio tentando ser engraçada:
- A cidade está ... chuvosa. Muito chuvosa. Engraçado que umas horas atrás o tempo estava ótimo.
Ele riu, sem nem se importar com meu comentário desajeitado.
- E você ainda diz que não precisa de um médico, tempo ótimo e essa cidade na mesma frase, só funcionam com um grande nunca no meio - disse ele, sério, com aquele ar de aviso apocalíptico.
Eu pisquei, tentando absorver cada detalhe: ruas silenciosas, cheiro de madeira molhada das casas, portões enferrujados e carros cobertos de gotas de chuva. A sensação de que eu estava totalmente deslocada aumentava a cada passo.
Quando finalmente paramos em frente a uma casa simples, ele olhou para mim.
- Pronto, chegamos. Você está bem para entrar?
- Aqui?... essa não é minha casa. - Respirei fundo, consternada com a mente ainda girando.
- É sim Jéssica, olha eu acho que você realmente precisa de ajuda - afirmou, com um olhar preocupado.
Jéssica? Ele acabou de me chamar de Jéssica, com uma certeza estranha, como se realmente me conhecesse, o que é impossível já que eu nunca o tinha visto até hoje. Notei que precisava de informações. - Espera... qual o seu nome? - perguntei, sentindo minhas têmporas pulsando violentamente.
- Jacob - respondeu ele, firme. - Jacob Black, não se lembra de mim da reserva? -Sim... lembro... da reserva. - falei, tentando juntar as informações na minha cabeça de forma que fizesse sentido mas falhando miseravelmente e sentindo cada vez mais pressão na cabeça.
Ele se virou e começou a se afastar, mas eu permaneci parada, olhando para a rua cinza e molhada. A sensação de estranheza não diminuía.
Entrei na casa, temerosa, sentindo o peso do corpo estranho. Cada passo parecia me aproximar de algo que eu não compreendia. A sala estava silenciosa, o cheiro era diferente do mato, mais quente, mais familiar de forma estranha. Eu me sentei no sofá, tentando colocar ordem nos pensamentos confusos.
Então, algo me chamou: o reflexo de um espelho no corredor. Meu coração disparou. Me levantei com cautela, me aproximando.
Olhei.
Cabelo castanho volumoso, despenteado pela chuva. Olhos azuis que me encaravam de volta. Um rosto que não era meu, mas agora parecia... familiar? Um turbilhão de memórias começou a me invadir: conversas na escola, amigas da Jéssica, situações que não eram minhas.
- Espera... - murmurei, engolindo em seco. - Isso não é possível.
Tentei me afastar, mas era tarde demais. Cada lembrança chegava como uma agulha perfurando meu cérebro, me mostrava uma vida que não era minha, e ainda assim, que estava sendo vivida através de mim.
Foi quando a ficha caiu: eu não estava apenas em algum lugar estranho. Eu estava dentro de Crepúsculo, na pele de Jéssica Stanley.
A sensação era estranha, desconcertante e completamente assustadora. Eu não sabia exatamente o que isso significava, nem como sobreviver nesse corpo e nesse mundo de faz de conta. Mas havia uma coisa que eu sabia com certeza: minha prioridade agora era aprender a andar nesse universo sem me tornar protagonista involuntária do caos vampírico que estava por vir.
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É isso gente, essa é minha primeira história espero que gostem, amo críticas construtivas então podem interagir bastante.
Ultimamente estou com baita hiperfoco em vampiros e dragões então estou planejando outras histórias com foco em TVD, The originals e HOTD. Estou particularmente interessada em fazer uma história com a Leah Clearwater, então comentem o que vocês acham.