Para o meu amado, que não conheço, Mas em sonhos teço e em versos me aqueço. Guardo em mim um abraço que nunca foi dado, Um beijo suspenso, um futuro sonhado.
Para o meu amado, para quem eu escrevo, Com a tinta da alma, um sentimento novo e longevo. Cada palavra, um passo em tua direção, Uma ponte de esperança, a mais pura emoção.
Para o meu amado, o homem por quem anseio, Em cada rosto que passa, teu vulto eu leio. Imagino teu riso, o calor da tua mão, E a paz que trarás ao meu coração.
Que o vento te leve o meu mais doce canto, Que a estrela te guie e te cubra com seu manto. E que um dia, no tempo de um Deus que é sereno, Teu olhar encontre o meu, num encontro pleno.
O cheiro de pólvora e terra molhada era a última coisa de que Oliver se lembrava com clareza. Depois, veio o som - um estalo seco, mais próximo do que deveria - e a súbita traição do próprio corpo ao desabar. Seis anos de serviço, de um propósito que o definia, desmoronaram no tempo que uma bala leva para errar seu alvo por um milímetro. "Sorte", o médico havia dito. Sorte por estar vivo. Mas agora, a centenas de quilômetros do campo de treinamento, encarando o teto familiar do seu antigo quarto de infância, a palavra ecoava vazia e irônica. A farda, que ele vestira como uma segunda pele, estava guardada em uma caixa, um fantasma de um homem que ele não sabia mais como ser. O futuro, antes um mapa militar traçado com precisão, havia se tornado um território em branco, e o silêncio que se instalou em seu peito era mais ensurdecedor do que qualquer disparo.
Enquanto o futuro dele emudecia, o de Amélia encontrava sua voz no som de uma marcha nupcial. Sentada na primeira fileira da igreja antiga, ela observava sua melhor amiga, Lúcia, flutuar em direção ao altar. Havia uma santidade no ar, uma promessa que transcendia as alianças, e foi ali, em meio ao tule branco e à luz que se derramava pelos vitrais, que uma certeza, tão suave e poderosa quanto a melodia, aqueceu a alma de Amélia. Não era sobre encontrar alguém amanhã, mas sobre honrar esse amor hoje. Ela não precisava de um rosto ou um nome para começar a amar.
Naquela mesma noite, com o coração ainda vibrando com a alegria da cerimônia, ela se sentou à sua escrivaninha. O mundo lá fora adormecia, mas dentro dela, uma promessa florescia sob a luz do abajur. A caneta parecia leve em sua mão, e as palavras vieram não da mente, mas de um lugar muito mais profundo, como uma oração há muito guardada. A primeira linha foi um suspiro no papel:
Para o meu amado, que ainda não conheço...
Ela não escrevia para um homem de sonhos, mas para uma alma que ela acreditava, com toda a sua fé, que já caminhava sob o mesmo céu. Cada palavra era uma semente de esperança, uma conversa íntima com Deus sobre aquele por quem ela já intercedia. Ela semeava um futuro em páginas de fé.
Ele, por sua vez, lidava com os destroços de um passado que terminara de forma abrupta. Ela se preparava para uma história de amor que sentia estar por vir. Ele precisava deixar para trás a história que perdeu para ter a chance de recomeçar.
Eles não sabiam, mas a bússola silenciosa do destino já havia reajustado sua rota. Cada passo de ambos - um em direção à fé, o outro buscando uma saída da dor - os estava, inevitavelmente, guiando um na direção do outro. Guiando-os de volta para casa.
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As cartas que te escrevi - Finalizado
RomancePode um coração amar um rosto que nunca viu, um nome que ainda não conhece? Para Amélia, essa questão era mais do que uma dúvida; era uma oração silenciosa. Em meio à alegria do casamento de sua melhor amiga, uma certeza aqueceu sua alma: ela honrar...
