O Som Do Fim

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Ao alvorecer do primeiro mês do ano de 1816, um garoto de cabelos alvos e olhos azuis acorda com um som.

Um barulho;

Um disparo;

Um tiro;

Uma morte.

Ele se levanta de sua cama rapidamente, com certo desespero. Corre e desce as escadas o mais rápido que consegue. Abre as portas de sua casa e vê estirado em sua frente, o homem que ele mais admirava na vida, morto. Seu pai estava caído, sangrando. Essa foi a primeira visão que Yerik teve no dia do seu décimo sexto aniversário. A segunda foi o brasão da Família Imperial na arma do homem que matara seu pai. O garoto estava em estado de completo choque, não conseguia se mover, mas seus olhos haviam testemunhado tudo, e ele lembraria. Em um instante sua mãe surgiu e trouxe o menino de volta a realidade com um grito ensurdecedor de medo ao ver o amor de sua vida morto.

— AAAAAHHHH! IVAN, NÃO! - Ela gritou enquanto corria em direção ao corpo frio do marido.

— Pa- pai...

— Yerik o que está fazendo? Me ajude aqui! Precisamos levar seu pai para um médico agora mesmo! - A mulher falou em meio a lágrimas e desespero. Yerik se aproximou dela e se ajoelhou, começando a chorar junto com a mãe.

— Mãe... ele morreu. Não tem como sobreviver a um tiro na cabeça... - O garoto abraça a mãe que segurava o corpo de seu marido.

Yerik levanta-se e sua mãe.

— Não... ele não pode ter morrido... não pode ser! - Sua mãe esperneia enquanto se agarra aos braços do filho para chorar. Yerik chora com ela, e logo homens se aproximam de ambos. Esses eram aqueles que deviam proteger a família.

— Meu senhor, por favor volte para dentro, é muito perigoso. - Um dos guardas pede. A mãe de Yerik se vira para os homens e desconta sua raiva.

— Seus malditos, onde estavam?! Era o trabalho de vocês nos proteger e agora meu marido está caído no chão, morto!

— Senhora... jamais poderei me desculpar por isso, foi tão rápido-

— A culpa é toda de vocês! - A mulher se solta dos braços do garoto e avança contra os guardas, dando socos e empurrões neles.

— Mãe, para! Precisamos entrar! - O garoto enxuga as lágrimas e afasta a mãe dos homens, levando ela para dentro de casa enquanto ela grita tanto com ele quanto com os homens que ela naquele instante culpava.

Os guardas imediatamente fecharam as portas da casa e cuidaram do cadáver de seu senhor, cobrindo-o com lençóis e levando o corpo para o porão da casa, longe de olhares curiosos. O porque disso? Ivan Serebryakov não era um homem qualquer. Se tratava de um importante burguês, que gerenciava uma grande indústria de prata na região da Sibéria Oriental. Era um homem importante o suficiente para que sua morte não pudesse ser revelada a grande massa antes do momento certo. Importante o suficiente para que tivesse uma guarda pessoal. Rico o suficiente para tal.

As próximas três horas daquela manhã foram as mais longas tanto de Yerik, quanto de sua mãe, Natasha. Foram as três horas que precisaram para acreditar que Ivan havia de fato... falecido. E então, um dos guardas da casa, pediu permissão para entrar no cômodo onde estavam.

— Senhor e senhora, um oficial da polícia de Yakútsk está na porta. Oficial Viktor.

— Deixe-o entrar, já estamos indo. - Respondeu Yerik. Logo se virou para mãe.

— Vamos, mãe?

— Vamos. - Natasha respondeu, distante.

Na sala de estar da casa, eles encontraram o oficial em pé, os esperando.

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