primeiras impressões

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Charlotte entrou no salão do evento de braços dados com Liam, elegante e discreta, sentindo-se exibida como um troféu pelo marido, que caminhava ao seu lado com aquele orgulho silencioso que ela conhecia tão bem. Apesar de ser fiel a Liam e nunca ter reparado em outra mulher, algo naquela noite parecia diferente.

Encostada perto de uma coluna, com postura impecável, estava Engfa. Sobretudo alinhado, vestido sob medida, cada gesto transmitia uma calma quase hipnotizante. Ela não precisava chamar atenção — sua presença já se impunha com naturalidade, sem forçar ninguém a notar.

“Charlotte, é um prazer finalmente conhecê-la,” disse Engfa, aproximando-se com passos contidos. A voz era suave, medida, educada, e o sorriso leve, formal, mas impecável. Ela estendeu a mão em cumprimento, e Charlotte sentiu um calor inesperado subir pelo corpo — um efeito sutil, quase imperceptível, mas que não passou despercebido.

Charlotte apertou a mão de Engfa, formal, mantendo o sorriso e o equilíbrio, mas a sensação de ser observada de forma tão intensa quanto delicada a deixou ligeiramente tensa. Engfa percebeu, mas não se aproveitou; a sutileza era seu maior talento. Apenas existia, impecável, transmitindo respeito e ao mesmo tempo despertando algo que Charlotte jamais tinha sentido — um fascínio inexplicável por uma mulher que, por direito, deveria ser apenas mais uma sócia de Liam.

E assim começou o primeiro contato: formal, discreto.
Charlotte continuava o jantar entre taças de vinho e conversas sobre negócios. Seu marido parecia completamente absorvido, falando alto, gesticulando, exibindo-se. Charlotte sorria educadamente, apoiando a mão no braço dele, cumprindo o papel esperado.

Mas, em contrapartida, Engfa pouco falava. Escutava tudo com atenção, olhos semicerrados, postura impecável, o tipo de presença que dominava o ambiente sem esforço. Sempre que Charlotte desviava o olhar para ela, era como se Engfa já estivesse esperando por aquele contato visual. E então, vinha um meio sorriso enigmático, rápido, quase imperceptível.

Charlotte não entendia por que aquilo a incomodava tanto. Talvez fosse porque nunca havia reparado em outra mulher dessa forma. Ainda assim, tinha a estranha sensação de que Engfa estava sempre um passo à frente, controlando até a forma como a atmosfera da sala parecia mudar quando ela se movia.

Em determinado momento, os garçons começaram a servir a sobremesa. Charlotte, distraída, deixou sua taça de vinho vacilar na borda da mesa. Antes que ela mesma percebesse, a mão de Engfa já estava lá, firme, segurando a taça e impedindo o desastre.

— Cuidado — disse em voz baixa, olhando diretamente em seus olhos.

Não foi apenas o gesto rápido. Foi a forma como Engfa manteve a taça por um segundo a mais que o necessário, como se fosse uma desculpa para prolongar o contato. Charlotte agradeceu num tom quase sussurrado, tentando voltar ao foco do jantar, mas o coração batia acelerado.

Engfa apenas voltou a se recostar na cadeira, pegando o garfo com tranquilidade, como se nada tivesse acontecido.Charlotte se pegava pensando mais do que gostaria naquele detalhe da taça. No jeito firme de Engfa, no tom baixo de sua voz. Tentou se convencer de que estava exagerando, de que era só cortesia. Mas não conseguia.

A cada vez que o olhar das duas se cruzava, Charlotte sentia o corpo reagir — um calor estranho nas bochechas, um arrepio que percorria sua nuca.

Era como se o ar ao redor de Engfa tivesse uma gravidade própria.

Charlotte desviava os olhos rápido, quase envergonhada. Por que estou sentindo isso? — perguntou a si mesma em silêncio, enquanto sorria para os comentários do marido, tentando disfarçar. Nunca havia reparado em outra mulher antes. Nunca. E, ainda assim, Engfa despertava algo que ela não tinha controle.

O medo vinha junto, apertando o estômago. Medo de ser descoberta, medo de estar confundindo as coisas, medo de que aquele jogo silencioso tivesse um significado que ela não queria admitir.

Engfa, por outro lado, parecia não ter pressa alguma. Observava, mas não invadia. Cada gesto era calculado, cada olhar tinha a medida certa: apenas o suficiente para deixar Charlotte instável, sem nunca ultrapassar o limite do aceitável.

E, pela primeira vez em muito tempo, Charlotte não sabia se queria escapar daquela sensação — ou se queria se perder nela.

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⏰ Last updated: Sep 17, 2025 ⏰

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