💙Evie

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Você cresceu entre chávenas de porcelana, hortas bem cuidadas e histórias contadas à luz de velas - o legado da sua mãe, a Branca de Neve

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Você cresceu entre chávenas de porcelana, hortas bem cuidadas e histórias contadas à luz de velas - o legado da sua mãe, a Branca de Neve. Audaz e gentil, você aprendeu a receber sorrisos de estranhos e a esconder cortes pequenos com um sorriso maior; era o jeito de quem carrega a história de paz e perdão no sobrenome. Mas Auradon tem cantos que a história oficial não mostrou para ninguém. E foi ali, em uma dessas sombras de corredor, que Evie passou a te observar.

No começo você percebeu só como "atenção inesperada": um comentário sobre o laço do seu vestido, um batom emprestado no dormitório, uma mensagem deixada com cuidado no seu armário - nada que fosse arriscar a normalidade. Evie era a rainha das aparências, brilho e risos fáceis; você, a herdeira de um conto que todo mundo idolatra. Não parecia um choque que suas vidas se cruzassem. Mas havia algo na maneira como ela ajeitava o cabelo azul quando você entrava, como suas palavras escolhiam atalhos até você, como seus olhos, no meio de uma sala cheia de luzes, insistiam em pousar onde você estava e não mais em nada.

Numa tarde chuvosa, você estava na biblioteca, folheando um livro com páginas amareladas - história, por ironia. A chuva fazia um tamborilar suave nas janelas. De repente, o calor do perfume dela invadiu seu espaço: algo entre baunilha cara e maquiagem nova. Evie sentou na poltrona à sua frente, sem tocar no livro, só porque havia uma cadeira ali. O gesto parecia casual; não foi.

- Esse trecho é tão dramático... - ela disse, sem olhar para as palavras. Olhou para você. Os cantos da boca curvaram, mas não daquele jeito amistoso que todos conheciam - era um sorriso calculado, como se medisse sua reação. - Acho que você entenderia. - Ela deixou a frase no ar, tão simples, mas pesada.

Você sorriu, incerto, sentindo um arrepio que não sabia nomear. Evie devolveu o sorriso com uma precisão quase cirúrgica. Sem aviso, puxou uma mecha do seu cabelo e colocou por trás da sua orelha; o toque foi leve, íntimo, inquietante. Seus dedos demoraram mais do que o necessário. Então se retirou como se nada - e ficou ali, observando cada movimento seu, como se estivesse guardando tudo.

Com o passar dos dias, as "coincidências" se multiplicaram. Um presente estiloso deixado no seu armário - um lenço com uma estampa que só vocês duas notariam -, um comentário no jantar sobre como você sempre escolhia o melhor dos lugares, e aquela risada abafada quando você falava de sua mãe. Evie ouvia as histórias sobre a Branca de Neve com uma espécie de reverência colorida, e depois, quando as luzes se apagavam, ela fazia pequenas coisas que tinham significado só para você: um bilhete com um desenho de maçã (mas não a maçã do mito - uma maçã mordida, estilizada, com um laço), um esmalte azul depositado sem explicação no seu criado-mudo, as mesmas cores que ela usava como assinatura.

Às vezes, porém, havia pequenas rachaduras no verniz. Como naquela noite do baile beneficente. Você estava na varanda, encarando as árvores que sussurravam com o vento, quando Evie apareceu. Não havia música entre vocês - só o som dos respingos de chuva nas folhas e o ar pesado de promessas não ditas.

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