Se Fabrício ainda tivesse as mãos, elas estariam suadas. Não por conta do calor infernal daquela tarde e sim pelo nervosismo. Menos uma coisa para se preocupar. Porém sua cabeça ainda estava às voltas com o desafio de enfrentar seu opositor de longa data. Agora erara tudo ou nada. Seus pensamentos focavam apenas em uma coisa: A arena lá fora.
Sua última participação não lhe permitiu chegar tão longe. Estava entre os oito melhores quando um espadachim cortou seu avanço na competição em uma derrota constrangedora. Para qualquer um com um pingo de vergonha na cara, ali seria o fim da carreira, mas para Fabrício a experiência valeu a pena e até para sua equipe que, em grande parte, nunca tinha feito um torneio tão importante.
Os membros da equipe iam e vinham como formigas operárias em um intricado sistema de colaboração, revisando cada detalhe para a disputa. A maioria deles eram especialistas da Pro-titan. Apenas três faziam parte do seu antigo grupo de suporte. Estavam juntos desde o início da copa e agora já funcionavam como engrenagens reguladas.
Os displays espalhados pela sala mostravam os mesmos índices sem qualquer anormalidade. Tudo pronto para a decisão. Ainda assim o nervosismo não o deixava pensar em outra coisa. Seus olhos apontavam para o titan parado no centro de tudo, mas seus pensamentos viam outras coisas.
— Você pronto? — perguntou Gerardi Mascarenhas, representante da Pro-titan.
— Certeza. Só estou esperando a hora do show — rebateu Fabrício para o homem de terno. Gerardi ficou parado no meio da área reservada para a equipe, observando o titreinador. Não deixaria o homem e os interesses da empresa derrubar sua posição. Ao menor sinal de dúvida, eles tentariam suprimir sua opinião e tomar a frente durante a luta. Se não fosse pela sua última experiência não aceitaria o acordo com a Pro-titan. O contrato trouxe muita vantagem para ele, tinha que admitir, mas não pretendia ceder seu espaço de destaque para os interesseiros. Todo o trabalho duro estava em suas costas. Só precisava controlar a situação.
— Já verificou os parâmetros dos equipamentos?
— Você tem que parar de se preocupar demais. Está tudo como deveria estar. Nada mudou desde ontem. É só entrar lá e pegar o troféu.
Gerardi bufou, do jeito que ele esperava.
Ainda não entendia como alguém conseguia estar de terno naquela situação. O calor estava de matar. Se Fabrício fosse o representante de uma empresa de tecnologia esperando por um resultado que não dependia das próprias ações, estaria suando como uma cachoeira. Contudo, não estava em posição de falar muito da vestimenta do seu patrocinador.
Fabrício se levantou, passou as mãos pelos cabelos que caiam no rosto e esticou a lapela do colete cinza, vestido por cima do blusão de vinil.
— Eu já estou pronto. Isso é o que importa.
— Você parece muito despreocupado com a situação. Deveria estar mais focado. Prestar a atenção nos mínimos detalhes. Tem muita coisa em jogo.
— Eu sei. E já tenho tudo que preciso. Estou preocupado com o que precisa de atenção, não está vendo? Cabelo bem arrumado, roupa estilosa e até... — Fabrício ergueu o punho esquerdo e flexionou os dedos, como que testando os movimentos da mão. O implante robótico correspondeu os gestos da maneira que ele comandou. Ele observou os detalhes em arabesco sobre o metal com satisfação. O biohack, todo trabalhado no estilo de pedras de mármore, subia até os ombros, onde se ligava na carne. Considerava uma pena parte dos detalhes ficarem escondidos sobre a manga do blusão da cor do vinho. Gostou do que viu. — Tudo do jeito que vocês precisam. Terão o título para a sua marca, um titan de primeira linha e um titreinador com o rosto perfeito para representar a sua empresa no pódio. Está vendo como estou pensando nos mínimos detalhes?
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8ª Copa de Combatitans
Science FictionEnfim chegou o grande dia da final na 8ª Copa nacional de Coimbatitans, um torneio de lutas de robôs que explodiu no mundo inteiro e se tornou o novo esporte queridinho no coração de todos que gostam de ação e brigas alucinantes. Fabrício está morre...
