PRÓLOGO

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O ônibus estava barulhento.

A excursão escolar deste semestre não era algo que os estudantes estavam realmente animados em participar. Estaríamos indo para um museu em Somnaris, uma cidade a algumas horas de viagem de Elysoria. Eu, igual a grande maioria dos alunos, não queria ir visitar esse museu.

Posso gostar de história e de ir em museus, mas excursões escolares em museus eram sempre um saco. Bem, de qualquer forma, eu estava indo ao lado dos meus amigos, então não importava muito.

— São oito e vinte da manhã… Como que eles conseguem ter tanta energia? — O garoto ao meu lado pergunta.

— É uma boa pergunta, Vesper.

— Será que falta muito ‘pra chegar? Não quero ficar um segundo a mais perto desses animais! — A dona do assento ao lado do corredor se queixa. — Nem teria vindo se esse passeio não valesse nota!

Eu bufei, me virando para encará-la. — E você acha que qualquer um teria vindo se não valesse nota, Thea?

Ela resmungou mais um pouco e revirou os olhos em resposta, me arrancando um suspiro.

Althea Roosevelt e Vesper Reinhold. Esses são os meus melhores amigos há anos, e aqueles que estão sentados ao meu lado.

Althea sempre foi barulhenta e animada. Seus cachos eram tão perfeitos quanto as ondulações do mar, sendo tão laranjas quanto a própria laranja. Eu não duvidaria caso seu cabelo tivesse dado origem a própria cor. Seus olhos amarelos atraíam a atenção de qualquer um, e seu carisma sempre a faria ser o centro das atenções em qualqjuer cômodo. Sua pele escura complementava bem o seu visual, ajudando a mesma a sempre ficar no top 5 na lista de pessoas mais inteligentes e bonitas da escola.

Vesper também era uma borboletinha social. Foi ele que me convenceu a ir ao passeio e não ficar com um rombo no meu boletim. Seus cabelos castanhos eram escuros, beirando a preto, sempre bagunçados mas que ficavam bonitos de algum jeito. Da mesma forma que Althea, ele possuía olhos amarelos, apenas em um tom mais escuro. Ele era atleta: jogava no time de vôlei da escola, sendo um dos melhores jogadores de todo o colégio. Apesar de ser tão barulhento quanto a Roosevelt, ele era infinitas vezes mais gentil, não sendo capaz de machucar nem mesmo uma formiga.

Eu, por outro lado, não era uma borboleta social igual a eles ou extremamente inteligente. Meus cabelos pretos eram, de certa forma, comuns no ambiente, eu facilmente me misturaria com a multidão se não fosse por conta dos meus olhos. Eles são cinzas, como se houvesse uma fumaça que cobrisse a verdadeira cor deles. E, por mais que eu não tenha as melhores notas, ainda assim sou popular à minha maneira por ser um garoto problema. Pergunte para qualquer professor qual o aluno que mais odeiam, e eles responderão sem pensar: “Cálix Aster”.

Explodir o encanamento da escola, bexiga de pum na cadeira do professor, colar papéis nas costas dos professores e intimidar o diretor quando ele não se importava com os casos de assédio entre os alunos são coisas que estão no meu currículo.

A maioria dos estudantes quando passam por problemas com os professores — principalmente quanto a bullying ou pedofilia                                                                                                                                                                                                                                        —, buscam a minha ajuda, pois sabem que eu sempre farei o possível para ajudar aqueles que necessitam.

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⏰ Last updated: Sep 16, 2025 ⏰

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