Jenny estava no meio do corredor da faculdade, rindo alto com dois alunos que imploravam para ela estender o prazo de entrega de um trabalho. Ela cruzava os braços, inclinava a cabeça e fingia pensar profundamente.
— Bom… talvez eu aceite — ela disse, dramática. — Mas vocês vão ter que me trazer café de graça por um mês.
Eles riram, aceitando a chantagem, e foram embora. Jenny respirou fundo, ajeitou o cabelo ruivo que caía como uma chama até a cintura e seguiu pelos corredores. Trabalhar ali era sua zona de conforto. Todo mundo a amava. Professores, alunos, até os inspetores. Ela era engraçada, carismática e sempre tinha uma piada pronta, mesmo que estivesse morrendo de medo de aranhas ou de filmes de terror.
Mas naquele dia, algo cortou seu bom humor.
No estacionamento, duas figuras a esperavam. Quando reconheceu os rostos, Jenny parou, o sorriso derretendo.
— Pai? Mãe? — sua voz vacilou.
Eles estavam pálidos. Olhos fundos, bocas tensas, como se tivessem acabado de sair de um velório. A aproximação deles foi silenciosa demais, quase antinatural. Jenny sentiu o estômago se revirar.
— Precisamos conversar — o pai disse, seco.
— Não gostei desse “precisamos” — ela rebateu, cruzando os braços. — Parece coisa ruim.
A mãe suspirou e tocou o braço da filha.
— Jenny… chegou a hora do casamento arranjado.
Por um segundo, Jenny achou que fosse uma piada. Soltou uma risada curta, esperando a câmera escondida.
— Hahaha… boa. Agora fala sério.
O pai desviou os olhos.
— Não é brincadeira. Você vai se casar.
Jenny arregalou os olhos, virou de costas e começou a andar, bufando.
— Ah, claro! Século XXI, mas meus pais resolveram jogar Dungeons & Dragons com a minha vida! — resmungava. — Quem vocês acham que eu sou? Uma moeda de troca?
Saiu marchando pelo estacionamento, a fúria queimando no peito. Não olhou para onde ia. E foi aí que o choque aconteceu.
Literalmente.
Ela deu de cara em algo sólido. Mais sólido que qualquer coisa. O impacto a fez tropeçar, e quando ergueu os olhos, encontrou um par de olhos escuros a encarando de cima. Escuros, intensos, quase predatórios.
— Olha por onde anda, baixinha — a voz era profunda, grave, carregada de irritação.
Jenny piscou algumas vezes. E só então percebeu. Ela havia se chocado contra o peito de um homem de dois metros, corpo definido sob uma camisa preta justa, cabelos negros em um mullet bagunçado. Parecia saído direto de um pesadelo sexy.
— Quem você pensa que é? Uma muralha? — ela rebateu, tentando disfarçar o rubor. — Desculpa se eu não tenho um radar anti-Armário Quatro Portas.
Ele arqueou uma sobrancelha, o canto da boca se curvando em um meio sorriso sarcástico.
— Jenny, certo?
Ela engoliu seco.
— Como você sabe meu nome?
— Porque sou seu futuro marido. — A resposta saiu como uma sentença.
O chão pareceu sumir sob os pés dela.
— O quê?! — Jenny quase gritou, o cabelo ruivo balançando com o movimento brusco. — Você tá de brincadeira, né?
Zack deu um passo para frente, e o mundo pareceu ficar menor. O cheiro dele era amadeirado, pesado, quase sufocante. Os olhos não desviavam, e aquilo a fez estremecer — de raiva, de medo, talvez dos dois.
— Gostaria que fosse uma piada. Mas não é.
— Não, não, não. Eu me recuso. — Jenny levantou a mão como se pudesse bloquear a realidade. — Eu não vou casar com você, nem ferrando.
Ele se inclinou, trazendo o rosto perto do dela.
— Você não tem escolha.
Jenny arregalou os olhos. O coração disparava como se quisesse sair do peito.
— Eu tenho, sim. — Tentou parecer firme. — Eu sou dona da minha vida.
Ele soltou uma risada baixa, carregada de deboche.
— É mesmo? Então por que seus pais estavam quase ajoelhados para mim agora há pouco?
O choque percorreu a espinha dela.
— O que você fez com eles? — a voz dela saiu trêmula.
— Nada demais. Apenas lembrá-los da dívida que carregam. — Zack recuou um passo, voltando à postura imponente. — E agora você é a moeda.
Jenny levou a mão à cabeça, rindo nervosamente.
— Isso não pode estar acontecendo. — Ela olhou para ele, tentando processar. — Então é isso? Eu, você, casamento, filhos?
Zack sorriu de lado, o olhar escurecendo ainda mais.
— Um herdeiro. É tudo que precisamos.
O ar ficou pesado. Jenny sentiu um frio percorrer o corpo inteiro. Ele não tinha dito “querer”. Tinha dito “precisar”.
Mas o que a deixou mais assustada foi a forma como ele a olhou depois, como se já fosse dela, como se já a tivesse preso.
Jenny respirou fundo, ergueu o queixo e soltou, debochada:
— Olha, grandão, não importa o quanto você se ache gostoso… eu não vou facilitar a sua vida.
Ele arqueou a sobrancelha.
— Eu não espero que facilite.
E ali, naquele instante, Jenny soube que estava prestes a entrar em um jogo perigoso — e possivelmente mortal — com o homem mais frio, sarcástico e implacável que já conheceu.
Um casamento arranjado com Zack não seria apenas sobre alianças ou promessas. Seria sobre controle, medo… e talvez, contra sua própria vontade, desejo.
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Olá, essa é a minha segunda fanfic nesse aplicativo. Por favor, tomara que gostem