Capítulo 1

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Capítulo 1 – O Acidente e o Arranjo

Jenny estava no meio do corredor da faculdade, rindo alto com dois alunos que imploravam para ela estender o prazo de entrega de um trabalho. Ela cruzava os braços, inclinava a cabeça e fingia pensar profundamente.

— Bom… talvez eu aceite — ela disse, dramática. — Mas vocês vão ter que me trazer café de graça por um mês.

Eles riram, aceitando a chantagem, e foram embora. Jenny respirou fundo, ajeitou o cabelo ruivo que caía como uma chama até a cintura e seguiu pelos corredores. Trabalhar ali era sua zona de conforto. Todo mundo a amava. Professores, alunos, até os inspetores. Ela era engraçada, carismática e sempre tinha uma piada pronta, mesmo que estivesse morrendo de medo de aranhas ou de filmes de terror.

Mas naquele dia, algo cortou seu bom humor.

No estacionamento, duas figuras a esperavam. Quando reconheceu os rostos, Jenny parou, o sorriso derretendo.

— Pai? Mãe? — sua voz vacilou.

Eles estavam pálidos. Olhos fundos, bocas tensas, como se tivessem acabado de sair de um velório. A aproximação deles foi silenciosa demais, quase antinatural. Jenny sentiu o estômago se revirar.

— Precisamos conversar — o pai disse, seco.

— Não gostei desse “precisamos” — ela rebateu, cruzando os braços. — Parece coisa ruim.

A mãe suspirou e tocou o braço da filha.

— Jenny… chegou a hora do casamento arranjado.

Por um segundo, Jenny achou que fosse uma piada. Soltou uma risada curta, esperando a câmera escondida.

— Hahaha… boa. Agora fala sério.

O pai desviou os olhos.

— Não é brincadeira. Você vai se casar.

Jenny arregalou os olhos, virou de costas e começou a andar, bufando.

— Ah, claro! Século XXI, mas meus pais resolveram jogar Dungeons & Dragons com a minha vida! — resmungava. — Quem vocês acham que eu sou? Uma moeda de troca?

Saiu marchando pelo estacionamento, a fúria queimando no peito. Não olhou para onde ia. E foi aí que o choque aconteceu.

Literalmente.

Ela deu de cara em algo sólido. Mais sólido que qualquer coisa. O impacto a fez tropeçar, e quando ergueu os olhos, encontrou um par de olhos escuros a encarando de cima. Escuros, intensos, quase predatórios.

— Olha por onde anda, baixinha — a voz era profunda, grave, carregada de irritação.

Jenny piscou algumas vezes. E só então percebeu. Ela havia se chocado contra o peito de um homem de dois metros, corpo definido sob uma camisa preta justa, cabelos negros em um mullet bagunçado. Parecia saído direto de um pesadelo sexy.

— Quem você pensa que é? Uma muralha? — ela rebateu, tentando disfarçar o rubor. — Desculpa se eu não tenho um radar anti-Armário Quatro Portas.

Ele arqueou uma sobrancelha, o canto da boca se curvando em um meio sorriso sarcástico.

— Jenny, certo?

Ela engoliu seco.

— Como você sabe meu nome?

— Porque sou seu futuro marido. — A resposta saiu como uma sentença.

O chão pareceu sumir sob os pés dela.

— O quê?! — Jenny quase gritou, o cabelo ruivo balançando com o movimento brusco. — Você tá de brincadeira, né?

Zack deu um passo para frente, e o mundo pareceu ficar menor. O cheiro dele era amadeirado, pesado, quase sufocante. Os olhos não desviavam, e aquilo a fez estremecer — de raiva, de medo, talvez dos dois.

— Gostaria que fosse uma piada. Mas não é.

— Não, não, não. Eu me recuso. — Jenny levantou a mão como se pudesse bloquear a realidade. — Eu não vou casar com você, nem ferrando.

Ele se inclinou, trazendo o rosto perto do dela.

— Você não tem escolha.

Jenny arregalou os olhos. O coração disparava como se quisesse sair do peito.

— Eu tenho, sim. — Tentou parecer firme. — Eu sou dona da minha vida.

Ele soltou uma risada baixa, carregada de deboche.

— É mesmo? Então por que seus pais estavam quase ajoelhados para mim agora há pouco?

O choque percorreu a espinha dela.

— O que você fez com eles? — a voz dela saiu trêmula.

— Nada demais. Apenas lembrá-los da dívida que carregam. — Zack recuou um passo, voltando à postura imponente. — E agora você é a moeda.

Jenny levou a mão à cabeça, rindo nervosamente.

— Isso não pode estar acontecendo. — Ela olhou para ele, tentando processar. — Então é isso? Eu, você, casamento, filhos?

Zack sorriu de lado, o olhar escurecendo ainda mais.

— Um herdeiro. É tudo que precisamos.

O ar ficou pesado. Jenny sentiu um frio percorrer o corpo inteiro. Ele não tinha dito “querer”. Tinha dito “precisar”.

Mas o que a deixou mais assustada foi a forma como ele a olhou depois, como se já fosse dela, como se já a tivesse preso.

Jenny respirou fundo, ergueu o queixo e soltou, debochada:

— Olha, grandão, não importa o quanto você se ache gostoso… eu não vou facilitar a sua vida.

Ele arqueou a sobrancelha.

— Eu não espero que facilite.

E ali, naquele instante, Jenny soube que estava prestes a entrar em um jogo perigoso — e possivelmente mortal — com o homem mais frio, sarcástico e implacável que já conheceu.

Um casamento arranjado com Zack não seria apenas sobre alianças ou promessas. Seria sobre controle, medo… e talvez, contra sua própria vontade, desejo.

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Olá, essa é a minha segunda fanfic nesse aplicativo. Por favor, tomara que gostem

Até que a morte nos separeStories to obsess over. Discover now