Sobre o Pessimismo.
Meus caros colegas, sei que me vêem como um pessimista, apesar de pensarem que não sei disso. Mas digo-lhes, ao menos sabem o que é o tal pessimismo? Não, meus colegas, vocês não sabem o que é pessimismo. O pessimismo surge do realismo em excesso. Quando tomamos conta da triste realidade que nos cerca, nos tornamos os tais "pessimistas" apenas para sustentar o vazio causado por essa nova descoberta. A realidade nos castiga, e sempre castigará, não importa o quão bom formos ao próximo ou o quão puro e inocente sermos. Essa é a realidade, mesmo que a tal seja vil ou indesejada. Devem se acostumar com ela, se adaptar a esse sofrimento, pois ele é eterno e tão intenso quanto a mais forte dor física existente no mundo. Podem não aceitar a existência desse sofrimento e simplesmente tentarem refutá-lo com o simples argumento de que "Sou eufórico, feliz... Como posso ser um desses sofredores?", então lhes digo: não, não são como pensam. Todos nós somos um desses sofredores os quais já citei, porém alguns de nós caímos na ilusão de que não somos, de que não há sofrimento em nossas vidas, e é sobre essa ilusão que quero lhes falar.
Chamaremos essa ilusão de "otimismo", pois é ele o causador dessa horrível ilusão. O otimismo não é como pensam, não consiste em pensar que tudo irá dar certo algum dia e que devemos ser felizes com o que temos; otimismo é fugir do castigo necessário da vida, é fugir do aprendizado, mesmo que esse intensifique o nosso castigo. E é a fuga do castigo que faz com que não aprendamos o necessário para sobreviver, pois nesse sofrimento encontramos as respostas. E o que seríamos sem as respostas para os nossos problemas? Eu sei, eu sei, meus colegas, que algumas respostas nunca são encontradas, mas por que não buscá-las? Por que não corrermos atrás delas? Realmente deixarão de buscar uma solução pelo simples medo do castigo da vida? Ora, se deixam se prender pelo medo, sinto em lhes dizer, mas são grandes covardes. E são esses covardes que mais me causam desprezo.
E não podem me condenar, colegas, por esse desprezo que sinto, pois apesar de tudo que já me fizeram, tudo que já me tiraram, nunca vos faltei com respeito. Mas agora devem se perguntar quem sou eu. Ora, sou aquele seu velho colega de trabalho, Georg Fleischmann, lembram-se? Aquele inútil funcionário daquela corporativa que se demitiu depois de tanto reclamar de seu trabalho. Mas não pensem que me esqueci das chantagens que faziam comigo, pois é isso que mais me recordo de meus dias naquele horroroso emprego. Não falarei mais sobre mim, pois isso já é suficiente para que descubram quem sou eu, mas tenham uma certeza ao meu respeito: não me procurem após isso, pois não estarei mais vivo. Está será minha última semana de vida, e não, não estou com nenhuma doença terminal ou coisa do tipo. Simplesmente me cansei, cansei de apenas existir nesse mundo, sem alguém para dedicar meus momentos felizes, sem algo para fazer. Cansei de ser apenas uma alma existente nesse lugar, não farei diferença alguma, e mesmo que fizesse, não me importo mais. Mas, por fim, não, não irei voltar atrás com minha decisão, colegas.
Ora, como gostaria de saber detalhadamente sobre o momento em que tomei conta da realidade ao meu redor! Essa percepção é algo que me fascina, pois é como um raio de luz iluminando a mente de alguém, trazendo a resposta para uma das principais questões de nossas vidas, que é: "O que é esse mundo que me cerca?". Como é prazeroso encontrar a resposta para algo na vida! Há anos que não sinto esse prazer, apenas mergulho cada vez mais na tristeza de minha vida, sempre solitário em meu quarto... Mas... de qualquer forma, esse prazer não seria suficiente para acabar com meu sofrimento.
Ora, meus senhores, devem querer saber mais sobre mim, não é? Irão descobrir com o tempo, pois não desejo contar-lhes diretamente sobre isso, muito menos gastar o meu pouco tempo restante escrevendo essas coisas. Contarei agora um pouco sobre a minha vida, mas de forma breve, talvez futuramente me aprofunde mais nessa história, mas não vos garanto.
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O Fúnebre Diário
HorrorDecidido em cometer suicídio, Georg começa a escrever um diário incomum: não contava sobre seu dia nem sobre seus sentimentos, apenas escrevia sobre sua mente, sobre os pensamentos que rondavam a sua cabeça nos mais fúnebres e sombrios dias de sua v...
