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O silêncio de Simon

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A casa de Simon Riley era tão silenciosa quanto ele. Localizada em um bairro afastado, com poucas casas vizinhas, ela refletia exatamente o que ele buscava: paz, distância e anonimato. Não havia quadros nas paredes, nem objetos pessoais espalhados. Apenas móveis funcionais, cada coisa no seu lugar.

Simon acordava cedo, como se ainda estivesse em serviço, mesmo sem precisar. Fazia café preto, lia o jornal em silêncio e passava o resto do dia em tarefas repetitivas que lhe davam a sensação de controle. A vida se resumia a sobreviver, não a viver.

Até que a campainha tocou.

Ele estranhou. Quase ninguém o visitava. Olhou pelo olho mágico da porta e, ao ver quem era, quase revirou os olhos por baixo da máscara invisível que ainda carregava.

Johnny MacTavish, o homem que conseguia transformar qualquer silêncio em riso, estava parado na porta com um sorriso largo e uma sacola de compras na mão.

— Bom dia, vizinho! — ele disse, animado. — Bom... não sou exatamente teu vizinho, mas achei que soava melhor do que "olá, ermitão mal-humorado"!

Simon cruzou os braços, apoiando-se no batente da porta.
— O que você quer, MacTavish?

Johnny ergueu a sacola.
— Comprei umas coisas no mercado e achei que você poderia... sei lá, apreciar um café da manhã decente. Porque, convenhamos, café preto e pão seco não contam como refeição.

Simon bufou.
— Eu não pedi nada.

— Eu sei. — Johnny abriu um sorriso ainda maior. — Mas eu pedi. Pra mim. E pensei: por que não dividir com o meu parceiro favorito?

Simon pensou em recusar, fechar a porta e voltar para o seu silêncio confortável. Mas havia algo no olhar de Johnny, um brilho tão irritantemente genuíno, que o fez ceder.

— Cinco minutos. — murmurou, abrindo espaço.

Johnny entrou como se tivesse sido convidado para um palácio, olhando ao redor.
— Rapaz... tua casa parece mais uma cela de interrogatório. Precisa de umas plantas, talvez umas cortinas.

— Não estou interessado em decoração. — Simon rebateu, sentando-se à mesa.

— Claro que não. — Johnny começou a tirar coisas da sacola: pães frescos, queijo, geleia, até frutas. — Mas ainda bem que eu estou.

Eles comeram em silêncio por alguns minutos. Bem, Simon em silêncio. Johnny falava sem parar, contando histórias engraçadas da cidade, de como quase brigou com uma velhinha pelo último pacote de biscoitos no mercado e de como Gaz mandava mensagens de voz cantando desafinado só para irritá-lo.

Simon tentou ignorar, mas percebeu um detalhe: estava quase sorrindo.

— Por que você está aqui, Johnny? — perguntou de repente, a voz grave. — A gente já não trabalha junto. Não precisa... cuidar de mim.

Johnny parou, encarando-o com uma seriedade rara.
— Eu sei que não preciso. Mas eu quero.

O silêncio voltou, mas dessa vez não era desconfortável. Simon desviou o olhar, sentindo uma pontada estranha no peito. Johnny sempre foi barulhento, exagerado, um furacão. Mas agora, sentado à sua frente, ele parecia diferente. Real.

E Simon, contra a própria vontade, deixou aquele furacão permanecer.






*Esse capítulo é um teste. Não sei se vou continuar ainda*

O Furacão e o FantasmaStories to obsess over. Discover now