Capítulo único

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Eu o odiava. Parte de mim só conseguia pensar em ir até ele e socar aquele rosto arrogante novamente. Eu queria que ele sentisse dor, queria que os olhos dele ardessem como os meus estavam ardendo. O esforço para segurar as lagrimas parecia mais árduo desde que ele cruzara meu caminho.

Continuo caminhando cegamente até minha cama, tirando o uniforme idiota no trajeto. O suéter de lã me impede de enxergar se há obstáculos a frente.

Sinto a dor aguda de quem bate a canela no baú que tem perto da cama e sinto meu corpo dobrar.

Dói. Dói muito.

Tiro o suéter que antes me cegava e repito para mim mesma que a dor é referente a pancada, e não com o fato de Malfoy ter dito coisas cruéis de novo. Eu poderia chorar por um machucado, mas jamais choraria por ele.

Quando minha respiração se acalma um pouco e choro não parece mais querer me sufocar me permito levantar do chão e deitar na cama.

Minha mão vai automaticamente ao pingente que eu carrego no pescoço, aquele que guarda uma foto nossa. Me pergunto como seriam as coisas se no lugar deste pingente eu ainda tivesse o viratempo.

Me pergunto como seriam as coisas se ele não fosse tão cabeça dura.

Me pergunto se eu mudaria a noite em que nos conhecemos. Aquela em que nos conhecemos de verdade, não nossas versões públicas.

A noite em que eu percebi que ele era muito mais do que eu esperava, a noite em que me senti vista de verdade pela primeira vez em muito tempo.

Eu mudaria nossa história se tivesse chance?

Me sentindo um pouco melhor mas não eu mesma, decido dar uma volta pelo castelo.

Enrolada em um dos agasalhos da sonserina, me deixo levar pelas escadas. Não me sinto capaz de pensar com clareza. É como se meus pensamentos pertencessem a ele mesmo quando não está por perto. Me sinto inebriada, contaminada ate. Algo dentro de mim sabe que nunca mais vou ser a pessoa que era antes de conhecê-lo. E isso me assusta. Tenho tanto medo que procuro brigar mesmo quando não há razão.

É profundo demais, arrebatador demais. Sinto que seja lá o que for que tenhamos vai me consumir por inteiro.

Chego a torre de astronomia sem saber que caminho fiz ou se alguém me viu. O vento chicoteia meu cabelo e gela meu corpo até os ossos. De repente sinto que o agasalho não foi a melhor escolha, mas ainda assim não consigo me arrepender. Ele tem o cheiro dele, o que me acalma, mesmo que eu nunca vá confessar isso.

-Até quando pretende me ignorar? - pergunta ele, atrás de mim.

Olho para a direção de onde veio a voz, sobressaltada.

Ele parecia acomodado, como se estivesse ali há muito tempo.

Parece uma piada cármica, mesmo quando não estou no controle acabo correndo de volta para ele.

-Ainda não decidi – respondo, mesmo sabendo que era mentira.

Draco se levanta do chão e vem em minha direção, tirando a capa de seus ombros e a estendendo sobre mim. Suas mãos gélidas pegas as minhas, que devem estar no mesmo estado, e as aproximam da boca, deixando um beijo casto em cada um de meus dedos.

Ele olhou em meus olhos quando deu o último beijo e eu soube: eu não mudaria nada. Mesmo se pudesse voltar no tempo, jamais mudaria a noite em que nos conhecemos.

A verdade é que parte de mim pertencia a Draco Malfoy, assim como parte dele pertencia a mim também. Eu sabia disso, ele sabia disso, o castelo todo sabia disso. Era só olhar naqueles malditos olhos azuis e eu voltava a me perder e me encontrar no mesmo segundo. Me perder da realidade, me encontrar rendida por ele.

-Eu te amo – sussurrei baixinho, com medo de que aquilo fosse usado contra mim mais tarde.

-Eu sei – respondeu ele, também baixinho. - Eu também te amo.  

The night we metStories to obsess over. Discover now