SANGUE E OLHARES

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O salão estava tomado pelo cheiro de charuto e uísque caro. As paredes de mármore refletiam a grandiosidade de mais uma reunião de paz — ou pelo menos era o que diziam. No fundo, todos ali sabiam que, entre aquelas quatro paredes, o silêncio valia mais que a vida.

Joong, o alfa puro que comandava com mão de ferro a máfia Sangnok, observava cada detalhe ao redor. Seu olhar era afiado, frio como lâmina recém-polida. Nada escapava à sua atenção: os gestos nervosos dos subordinados, a arrogância dos convidados e, principalmente, a presença que mais o incomodava naquela noite.

Do outro lado da mesa de mogno, Dunk, o ômega puro que liderava a máfia Noir, exalava confiança e perigo em igual medida. Não havia nada de dócil nele. Seus olhos, negros como a noite, pareciam sorrir em desafio, como se cada segundo fosse uma provocação calculada.

— Que ironia — Dunk quebrou o silêncio, encostando-se de forma relaxada na cadeira. — Dizem que esta reunião é para negociar limites… mas todos nós sabemos que o senhor Joong não entende a palavra limite.

Alguns subordinados tossiram nervosos. Outros desviaram o olhar, com medo de presenciar o que estava prestes a acontecer. Joong não moveu um músculo sequer. Apenas ergueu lentamente seu copo de uísque e deu um gole antes de responder:

— Limites só existem para os fracos. E você sabe muito bem que não se enquadra nessa categoria, Dunk. — Seus olhos estreitaram. — Talvez por isso seja tão… irritante.

O clima ficou pesado, carregado de tensão. Os dois líderes estavam frente a frente, e a rivalidade entre eles pulsava como pólvora prestes a ser acesa. Mas havia algo mais, algo que nenhum dos dois ousava admitir: a estranha e sufocante conexão que queimava cada vez que seus olhares se encontravam.

Um cheiro diferente pairou no ar. Intenso. Inconfundível.
Os dois sentiram ao mesmo tempo.
O choque foi instantâneo.

Joong cerrou o punho sobre a mesa, como se tentasse esmagar aquela sensação absurda. Dunk, por outro lado, deixou escapar um sorriso de canto, perigoso e curioso.

O silêncio se quebrou com o som metálico de uma arma sendo engatilhada por um dos seguranças. Mas, naquele instante, tanto Joong quanto Dunk sabiam que a verdadeira ameaça não estava nos gatilhos armados ao redor… e sim no laço invisível que os prendia de forma irrevogável.

E, pela primeira vez, Joong sentiu algo que não poderia controlar.
Predestinação.

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