Hm hm hm hm hm, a rapariga trauteava a melodia da música que tocava nos seus fones de ouvidos, passeando o seu corpo pela sala, balançando de um lado para o outro acompanhando o som que apenas ela ouvia. A música tinha este efeito em Ana, se á segundos atrás se sentia afogar em algum tipo de preocupação, agora, a sua mente viajava por três minutos e meio na voz de um cantor brasileiro que ela tinha por hábito escutar. O dia tinha começado complicado para ela, raras eram as vezes que era procurada por o seu irmão para trocarem impressões sobre a vida de ambos, mas hoje ao amanhecer uma ligação perdida dele, e uma mensagem de voz deixada no seu correio de voz, tinha colocado em alerta o seu instinto de irmã mais velha.
Bom dia Ana, liguei-te para te contar uma coisa. Volto a ligar, quando sair do trabalho ao fim dia, espero que estejas bem. Beijinho.
A mensagem não tinha sido nada de preocupante, mas talvez por todas as partidas que em vinte e cinco anos de vida, a vida lhe pregara, o costume era esperar sempre o pior.
Mantém-te otimista, notícias más costumam chegar rápido.
Ela olhou no relógio pendurado na parede daquela divisão, suspirou e após pendurar o casaco na alça da sua mala, colocou a mesma no ombro e saiu de casa. Seria um resto de dia norma, como tantos outros, um dia de trabalho. Tinha planos para a noite, um jantar com o seu namorado Carlos. Os dois trabalhavam horas a dobrar nos últimos dias, o Verão sempre é uma época alta para quem trabalha diretamente com pessoas, num país conhecido por roubar atenção de imensos turistas, todos os dias Ana via caras novas, famílias enormes ou outras mais pequenas, ouvia línguas estrangeiras das mais diversas, mas o ponto alto dos seus dias, e que nunca poderia faltar eram os clientes habituais, os queridos da casa, que ao fim de tanto tempo se pareciam com família, que fizesse chuva ou sol, sempre arranjavam tempo de ir tomar um café e alegrar um pouco o dia da rapariga. Fazia alguns anos que trabalhava na Casa Pão, uma padaria pequena, mas muito bem localizada no centro da freguesia onde Ana, arrendara um apartamento com o seu namorado.
Também ele trabalhava com atendimento ao público, mas ao contrário de Ana que passava o dia entre chávenas, bolos e pães, o seu dia a dia era rodeado de tesouras, pedaços de cabelo espalhados pelo chão, e máquinas de última geração que prometiam deixar as cabeças masculinas, com looks extravagantes, modernos ou sofisticados, ao gosto de cada um claro, e todos os gostos diferenciados.
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NOS TEUS BRAÇOS
AdventureQuando a cabeça diz que não, mas o coração implora para que sim, a decisão é difícil, o futuro indecifrável e o amor condenado. Numa história onde amar, é tão fácil como respirar, mas cria cicatrizes impossíveis de curar, Eu sou a Ana, vi-me pela...
