Toda a loucura começou numa terça-feira. Sim, é isso mesmo que você ouviu, a loucura que vou contar teve seu início no dia mais pacato da semana, uma terça-feira. Mal a semana começava, e eu já cometia um dos piores erros de toda a minha vida. Marquei de encontrar num bar um amigo que havia perdido o contato com o passar dos anos.
E assim, na minha idade, quando um amigo reaparece, nunca é um bom sinal. Ou ele quer te pedir dinheiro, ou te colocar num esquema de pirâmide. Mas, já que naquela terça-feira eu não queria de jeito nenhum voltar para casa, a melhor opção mesmo era beber com o Fábio.
Ele já havia tentado me contactar algumas vezes durante os últimos anos, e eu sempre dava alguma desculpa para não encontrá-lo. Fábio era um amigo de longa data, moramos até juntos numa época, já que quando eramos mais novos, compartilhávamos do mesmo sonho: virar jogadores profissionais de poker.
Moramos em uma casa alugada por um "investidor". Na época, parecia um sonho, já que esse investidor, além de pagar o nosso aluguel, pagava a entrada em todos os torneios que jogávamos. Mas, agora, percebo que, na verdade, estávamos em um pesadelo.
Vivíamos como ratos, jogando pôquer por dezoito horas seguidas, trancados no escuro numa casa sem uma janela sequer. Quando conseguíamos algum lucro, quase tudo ia direto para o bolso do "investidor". Estávamos sempre duros — e, nas semanas em que não vencíamos, simplesmente passávamos fome.
Era uma rotina de altos e baixos, onde a euforia de uma vitória rapidamente se dissipava na realidade das despesas diárias. Diversos dias, só comendo miojo, esperando o próximo torneio, com a crença de que a nossa sorte mudaria.
Pulei fora do barco quando conheci a minha esposa, Amanda. Apesar dela não ser exatamente contra a minha carreira, a instabilidade financeira e emocional de viver de apostas era um motivo de atritos constantes nos nossos primeiros meses de namoro.
E eu já estava exausto daquela rotina, anos nessa luta e os dias de glória nunca chegavam. Decidido a mudar minha vida, abandonei o poker, em busca de uma vida mais estável, construindo pouco a pouco, junto da minha esposa, o nosso futuro.
Mas, ali estava eu, num bar em plena terça-feira, provando que alguma coisa tinha falhado nesse plano. Não estava lá porque queria naquela noite, mas porque eu precisava beber.
Sei que nesses relatos eróticos, as mulheres são sempre magras, bundudas e peitudas. Os homens possuem pirocas de cavalo que jorram leite como uma teta de vaca. E o sexo é sempre uma experiência transcendental. A minha história vai ser um pouco diferente, prometo que vou sempre tentar ser o mais honesto possível, contando nos detalhes toda a insanidade que me aconteceu.
E já que tenho que ser verdadeiro, o motivo por que estava ali, com dor de cabeça, sofrendo e evitando minha própria casa, era um problema extramente comum em homens na minha idade, embora ninguém goste de admitir.
Pela primeira vez na minha vida, eu havia brochado. E sempre quem brocha tem alguma desculpa do tipo – "Ah, eu tinha bebido", "Não tinha dormido nada na noite anterior" ou "Estava estressado do trabalho" – bom, acho que vou ser o primeiro brocha honesto do mundo. Não tinha uma gota de álcool no meu sangue, dormi como um neném na noite anterior e meu trabalho só é um porre, mas não tem estresse nenhum.
Ser obrigado a assistir à minha esposa batendo com meu pau molenga em sua própria cara, foi a sessão de psicanálise mais intensa que tive na vida.
— Vai, meu gostoso, quero esse pau inteiro dentro de mim. — Amanda disse uma hora, tentando me ressuscitar, embora seu ímpeto só piorasse toda a situação.
Foram quase dez minutos dessa tortura, antes dela finalmente desistir, me abraçando e dizendo que estava tudo bem, como se eu fosse uma criança machucada. E meu passeio no inferno não terminou por aí. O resto da noite ouvi as "soluções" que minha esposa encontrava na internet.
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Poker dos Cornos
Romance"Poker dos Cornos" é um mergulho obscuro na decadência, onde apostas não envolvem apenas dinheiro, mas também o orgulho e a dignidade. Entre partidas de poker e traições expostas, Lucas se vê jogando com as cartas marcadas do destino e com a própria...
