Juntos? juntos.

22 5 2
                                        

AT: - "ei... Ei! Otário, acorda! A gente precisa se juntar ao esquadrão!" Angeli Valen acorda assustado com seu colega o chamando e com leves tapas na cara.

O som de soldados conversando e contando piadas, jogando cartas, e outras atividades em outros cômodos eram altos. Não tanto quanto o som de gritaria da sala dos generais.

AV: - "Cacete Alex..." Ele se levanta cansado, ajeitando sua blusa e com uma voz meio forçada.
"Precisava disso? Dessa vez nem tô atrasado..."

Ele ajeita sua farda e então, começa a vesti-la. Pondo seu óculos, checando seu colarinho enquanto Alex Tepius falava.

AT: - "sei que não. Mas o que seria de você sem eu pra te encher o saco?" Ele comenta num tom de deboche e cômico. Batendo nas costas de seu amigo.

"O comandante mandou a gente se reunir na sala de comunicações em 40 minutos. Decidi te acordar pra dar tempo de falar com o pessoal!" Ele dá um soquinho de leve em seu braço. "Você tava dormindo tanto haha! Achávamos que tinham te apagado."

Alex logo agarra a manga da farda de Angeli e o arrasta para os outros cômodos dizendo "Vem imbecil, estamos perdendo o devido tempo! Albretch e Osana decidiram fazer uma competição de culinária! Acabaram que trabalharam juntos no final por ordem do Malik. Você vai adorar o macarrão que deram um jeito de fazer!"

AV: - "ô caramba, vai com calma! Sempre me arrastando por aí, Vai abarrotar minha farda e eu tenho que ficar apresentado para a reunião seu idiota! Estamos em guerra, e precisamos manter o foco."

Alex diminui o ritmo e volta a andar, passando pelos corredores, aparentemente afetado.

- "Angeli, você quer mesmo parecer apresentável pra quê? Agradeça que estamos aqui, na reserva. E não lá naquela linha de frente infernal." Ele diz com firmeza e até tristeza.

- "Para desejar agradar esses velhos porcos e preguiçosos que nos mandam fazer o trabalho sujo. Não há porquê querer se tornar como eles. A não ser que seja pra sair daqui."

Angeli para, e olha para ele nos olhos, tocando em seu rosto.

- "sempre foi pra nos tirar daqui. Se provarmos nosso valor nas linhas da retaguarda e com apoio, teremos mais chances de voltar vivos para casa. E se eu me tornar mais alto na hierarquia, posso enviar nós todos para casa. Eu nunca que permitiria a gente se ferir Alex... Nunca."

Alex olha pra ele com um olhar mais suave, de repente, o cheiro de metal velho e madeira desgastada não parece tão irritante para os narizes. O cheiro do macarrão na distância, as risadas, os passos pesados. Tudo parecia um pouco mais borrado.

AT: - "obrigado Angeli, de verdade. Você é nobre, saiba disso. Agora vamos, não podemos deixar eles esperando, você tem que derrotar eles nas cartas mais uma vez." E volta a andar com ele, agora, num ritmo mais lento, lado a lado. Juntos.

AV: - "tudo por você, meu anjo. Tudo por nós e todos os outros presos no inferno que é aqui."

Após alguns longos minutos de comida, risadas e um grande amasso em jogos de cartas, Angeli permanecia invicto e se mostrava um ótimo estrategista. Comeram e riram bastante, até que foram chamados para a reunião.

Alex e Angeli andavam rápido pelos corredores, todos pareciam nervosos. Viam carrinhos e macas com feridos muito machucados chegando e sendo preparados por médicos incertos e nervosos. Soldados que vieram do lado de fora gritando, assustados e horrorizados. Alguns cobertos de sangue, outros em choque sem falar nada. Vários outros soldados naturais do bunker ali, receosos, falando e sussurrando boatos. Alex segura a mão de Angeli, e ambos entram juntos na sala de comunicações, onde todo o pessoal do bunker se reúne.

O comandante toma a frente, e fala com sua voz ríspida e firme.
- "o fronte é um inferno. Armas experimentais foram usadas pelo adversário, o que nos rendeu altas baixas e pouquíssimas tropas. Os feridos estão sendo transferidos e transportados para cá por esquadrões de reconhecimento. Vocês terão de ir até lá lutar no lugar de seus irmãos caídos."

O bunker se agita, todos dão um suspiro, começam a sussurrar entre si e ficam aflitos.

- "compostura!" O comandante diz, e a atenção do Bunker volta pra ele, agora em silêncio. O som do golpe que ele deu na mesa de metal ecoando e o cheiro do pó e ferrugem estragando as narinas. O calor era mais pesado também. Angeli e Alex dão as mãos.

- "o pessoal não essencial como cozinheiros, alguns médicos e entre outros, ficarão. Eu e o oficial Malik mantivemos comunicação com o fronte e os superiores. Aparentemente, vão nos buscar em pouco tempo, e trarão reforços e uma nova arma das nossas. Também disseram que as rotas subterrâneas que estávamos construindo estavam chegando em pontos de interesse arqueológico. Então uma parte dos engenheiros também ficarão. Eu não responderei mais perguntas, se armem. Sairão em 30 minutos." E então, ele se retira. Com o mesmo silêncio, e peso.

O bunker anda rápido, se movimentando pra acomodar os feridos e dar espaço para armarem suas armas, suprimentos e munição. Organizarem seus bens, e itens. As risadas viraram sussurros, gritos de ordens, e estresse. O cheiro agridoce do macarrão agora, disperso por pólvora e metal.

Alex e Angeli se armam, e vai andando com seus irmãos de batalha até às trincheiras centenas de metros à frente.

Após temerosos 30 minutos.

Os sons dos disparos eram ensurdecedores, Alex mantinha sempre a cabeça baixa, ele não iria arriscar dar um tiro.

Um inimigo tenta invadir a trincheira pelo flanco, mas Angeli neutraliza ele com três disparos desesperados no peito.

AV: - "vamos, se levanta! A gente tem que se reposicionar! Albretch tá ferido! Osana também! Vem Alex, precisamos sair daqui!" Ele agarra o braço do colega e vai levando ele pela trincheira, quando vem um soldado por cima tentar atirar neles, a cabeça do soldado explode por um disparo de revólver de alto calibre de Albrecht.

A: - "eu levei só um tiro na perna, seu dramático. Vão seguindo o corredor até o norte, Osana precisa de ajuda lá numa casamata."

Ele se ajeita numa caixa que estava apoiado, com uma faixa em sua perna.

AV: - "você não vem!?"

Angeli questiona, gritando meio desesperado e aflito para salvar seu amigo.

A - "não patrão, vou só atrasar. Seguro essa posição com o resto de gato pingado que sobrou ao meu lado. Agora corre pra lá antes que eu atire em você."

Angeli acena com a cabeça e continua correndo com Alex, que está em choque, mas logo retoma seus sentidos e corre ao lado dele, até um pouco na frente para ajudar Osana, e quando ambos estão se aproximando da Casamata, a porta explode.

Eles vêem Osana pegando fogo, saindo de lá de dentro gritando para se afastarem. Ambos apertam o passo para salvá-la, um cadáver de um soldado inimigo com lança-chamas estava lá dentro, e todo o interior estava em brasas. Corpos de outros aliados mortos.

Osana grita pra fugirem, e quando tentam chegar mais perto mais rápido, a casamata explode com um disparo explosivo de uma arma desconhecida.

Sangue quente pelas chamas voa. Cheiro de carne queimada permanece.

Os estilhaços acertam ambos e a onda de choque e impacto os rendem no chão.

Alex se rasteja e segura na mão de Angeli, que mesmo ferido, aperta a mão de seu colega e o olha nos olhos, antes de ambos desmaiarem e lembrarem da mesma palavra que disseram um ao outro.

"Juntos?"

"Juntos."

Presos Em Um BunkerWhere stories live. Discover now