Em uma pacata cidade ao norte de Roma, na Itália, morava uma pequena família composta por três integrantes: Alessandro (pai), Ginevra (mãe) e Laura, uma garota de pele clara, olhos azul-claros e um sorriso que transbordava bondade e beleza. Eles viviam em um subúrbio.
Laura, uma jovem de 16 anos, tinha sonhos e vontades ardentes, mas tudo foi quebrado pelo vício de seu pai — um alcoólatra agressivo e compulsivo que quase a matou em um surto de fúria, espancando-a freneticamente com um atiçador de metal da lareira.
Cansada do abuso que ela e a filha sofriam, a mãe decidiu fugir na calada da noite.
Já dentro do carro, nenhuma das duas trocava olhares ou palavras. Foi uma despedida silenciosa. A viagem demorou horas, até que chegaram diante de um pequeno monastério, onde Laura foi deixada. A mãe lhe prometeu voltar assim que conseguisse um bom emprego, um lugar para viver e dinheiro suficiente para sustentar ambas.
Porém, os dias se tornaram semanas, e as semanas viraram anos. A mãe nunca voltou. Sozinha entre muros de silêncio e rezas, Laura aprendeu a sufocar as lágrimas e a moldar sua dor em força. Aquela menina frágil e sonhadora não existia mais: em seu lugar nasceu uma jovem de olhar firme, cuja fé se confundia com cicatrizes, e cuja bondade escondia uma determinação inquebrável.
