{ O primeiro reencontro }¹

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Fanfic: Depois de Sete Anos

O elevador da NERV sempre foi pequeno demais.
Misato entrou distraída, ajustando a jaqueta, quando a porta se fechou atrás dela - e um cheiro conhecido invadiu o ar.
Ela congelou antes mesmo de olhar. O coração disparou como se estivesse de volta à juventude.

- Ora, ora... - a voz masculina soou carregada de ironia e saudade. - Se não é a Major Katsuragi.

Misato virou o rosto devagar, encontrando aquele sorriso debochado. Kaji Ryoji. O mesmo olhar, o mesmo ar relaxado, a barba por fazer. Sete anos e ele parecia ainda mais perigoso.

- Kaji... - ela murmurou, forçando um sorriso que não escondia o aperto no peito. - Achei que já tinha se enfiado em algum buraco pra nunca mais voltar.

Ele arqueou uma sobrancelha, dando um passo para perto.
- E perder a chance de ver como você continua maravilhosa? Nem morto.

Ela engasgou num riso nervoso, virando o rosto para esconder o rubor.
- Continua o mesmo... sempre com essas cantadas baratas.

- E você continua caindo nelas - ele sussurrou, baixinho, fazendo-a prender a respiração.

O elevador parou no andar errado, mas nenhum dos dois se moveu. Por alguns segundos, apenas trocaram olhares carregados de lembranças. Misato desviou primeiro, ajeitando o cabelo como se isso fosse esconder a fraqueza.

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Dias depois, o reencontro aconteceu fora da NERV. Um velho amigo da faculdade se casava, e lá estavam os dois, brindando como se o passado não existisse. O vinho correu solto, a música os cercou, e entre provocações e olhares demorados, acabaram saindo juntos da festa, já cambaleando na madrugada.

- Quem diria... nós dois, bêbados outra vez, como naqueles velhos tempos - Kaji riu, tentando equilibrar-se.

- É... - Misato respondeu, a voz carregada de algo mais que álcool. - Como se nada tivesse mudado.

O silêncio os alcançou. O vento frio da noite arrepiava a pele, as folhas secas rolavam pelo chão iluminado por lâmpadas distantes. Havia algo pesado entre eles, mais forte que qualquer lembrança da festa.

Kaji parou de andar, virando-se para encará-la.
- Eu passei todos esses anos tentando entender por quê. Por que você terminou. Foi traição? Foi cansaço? Foi... o quê?

Ela respirou fundo, os olhos marejando. O álcool tornou impossível segurar a verdade.
- Não foi nada disso, Kaji. Eu terminei porque... eu me odiava. Porque pensei demais, duvidei de mim mesma... e de nós. Eu achei que não merecia você. Então fugi.

Ele permaneceu em silêncio, os olhos fixos nela. Misato desviou, sentindo a garganta arder.

- Eu estraguei tudo... mas nunca deixei de te amar. - As palavras saíram baixas, quase implorando. - Nunca.

Kaji se aproximou devagar, sem a máscara de ironia. Os dedos tocaram o rosto dela com cuidado, e antes que pudesse se defender, ele a puxou para um beijo urgente.

Foi um beijo quente e desesperado, com o gosto forte do vinho ainda presente, misturado à sensação de reencontro. As mãos dele prenderam sua cintura, e ela, trêmula, agarrou a jaqueta dele como se tivesse medo que ele desaparecesse de novo.

Quando se afastaram, estavam ofegantes, os rostos colados, olhos marejados.

- Eu também nunca deixei de te amar - ele disse, sério, quase num sussurro. - Você sempre foi a única, Misato.

Ela deixou escapar um riso frágil, não mais forçado. Apoiou a testa na dele, fechando os olhos, permitindo-se, por fim, descansar no calor que sempre buscou.

Depois de Sete anosStories to obsess over. Discover now