capítulo 1 - primeiro treino

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A sala de estar estava iluminada apenas pela luz suave de um abajur. Era fim de treino, as duas estavam exaustas, mas a sensação de paz entre elas sempre preenchia qualquer cansaço. Rosa Maria estava deitada no sofá, a cabeça apoiada no colo de Roberta, que acariciava seus cabelos com carinho.

— Você já pensou em como vai ser quando a gente encerrar a carreira? — perguntou Rosa, olhando para o teto.
Roberta sorriu, pensativa.
— Eu penso... mas confesso que o que mais imagino não tem nada a ver com quadra. Eu imagino a gente em casa, juntas... e com alguém correndo pela sala.

Rosa ergueu o rosto, curiosa.
— Alguém correndo?
— Uma criança. Nossa filha. — disse Roberta, com aquela sinceridade que sempre a deixava vulnerável.

O silêncio que se seguiu não foi pesado, mas cheio de possibilidades. Rosa sentiu um calor no peito. Aquela ideia não era nova em sua cabeça. Ela também sonhava com isso, mas ouvir da boca de Roberta dava uma realidade diferente.

— Eu também penso nisso, — confessou Rosa, mordendo o lábio. — Só que... como vamos fazer?

Roberta ajeitou-se, segurando as mãos da namorada.
— A gente já falou algumas vezes. Tem inseminação, Rosa. Hoje isso é possível. Podemos escolher juntas, podemos decidir. E se você quiser... eu adoraria que fosse você a carregar.

Rosa ficou em silêncio por alguns segundos, sentindo o peso daquela escolha. Ela sempre teve medo do julgamento, de como o mundo veria duas atletas de renome assumindo algo tão íntimo. Mas, ao mesmo tempo, a força que elas construíram juntas era maior que qualquer receio.

— Se for para ser com você, eu quero. Eu topo, — respondeu Rosa, com os olhos brilhando.

Roberta a puxou para um abraço apertado. Ficaram ali, entrelaçadas, imaginando o futuro.

— Já pensou? Uma menina correndo pela casa, torcendo pela gente nos jogos, viajando junto... — disse Roberta.
— Uma menina com o seu sorriso e os meus olhos, — completou Rosa, emocionada.

Naquela noite, decidiram que começariam a pesquisar clínicas, que entrariam juntas nesse processo. Não seria fácil, sabiam. Mas nenhuma conquista em suas vidas tinha sido fácil. A diferença era que, dessa vez, o troféu não seria uma medalha dourada — seria uma nova vida, parte das duas.

Ao se deitarem, Roberta cochichou, antes de dormir:
— Esse vai ser o nosso saque mais importante.

Rosa sorriu, fechando os olhos.
E assim começou a história da família que elas estavam prestes a construir.

nosso saque mais importante (rosa e berta)Stories to obsess over. Discover now