uma fanfic baseada na novela e no livro 'Hilda Furacão'. Sobre a relação de Roberto Drummond e Amina Carvalho, personagem criada para esta história.
Amina à noite era uma meretriz, morava e trabalhava na Zona Boêmia. De dia, uma mulher diferente, fa...
Um dia ensolarado em Belo Horizonte, nos jornais e na rádio só se dava Hilda Furacão, o avanço do comunismo na cidade e os conservadores de alta classe querendo acabar com tudo aquilo. Andava em direção ao escritório da Folha de Minas, com passos acelerados, pois estava meio atrasado.
Aparentemente, o dia era como os outros. Emecê me parou para falar algo sobre reportagens, não prestei muita atenção e respondi no automático. Entrei no escritório, Demétrio já sentado, arrumando a câmera em seu colo, nem levantou os seus olhos quando cheguei na sala. Me sentei, já organizando as folhas jogadas sobre a mesa, colocando-as em pilhas desalinhadas de papéis que estavam por perto.
- Hoje vamos de novo no montanhês, o chefe pediu mais coisas sobre a zona boêmia, especificamente sobre Hilda. - Diz Demétrio, ainda com a sua atenção voltada para o equipamento em mãos.
- Novamente? Nós não fomos a pouco tempo atrás? - Pergunto um pouco impaciente, continuando a arrumar minha mesa.
- É, mas ele está querendo que a gente vá outra vez. - Explica Demétrio entediado, enquanto envolve a alça de sua câmera no pescoço.
Suspiro fundo, terminando de ajeitar a mesa em que eu estava. Pego o meu bloco de notas e ponho em frente a mim, analisando as anotações que eu tinha feito. Organizando as informações tanto em minha mente quanto em meu caderno, sobre a "epidemia" de Hilda Furacão.
Minha cabeça dava fortes pontadas, porém já tinha me acostumado com a dor, era algo que acontecia com bastante frequência. Não me importava com as dores na cabeça, nas costas, nos olhos, não eram tão agravantes. Eu ainda era jovem, e os pensamentos que pairavam em minha mente – reportagens, zona boêmia, reunião com os camaradas –, eram mais importantes que algumas dores no corpo. Meu cérebro não parava de pensar e analisar matérias, o trabalho exigia bastante de meu potencial, entretanto, no fundo, gostava bastante do que eu exercia.
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Passavam-se das dez da noite, pessoas gargalhando e bebendo nos bares, muitos homens que iam após o expediente; outros conversando com as meretrizes que trabalhavam nas vielas, de forma bem íntima; e também tinha as pessoas que andavam em direção ao Montanhês Club, e eu era uma delas.
Eu e Demétrio íamos frequentemente para lá, cobrir matérias sobre a zona boêmia que ganhava mais popularidade, especialmente com o surgimento de Hilda Furacão. Muitos homens à procura de uma noite, de um toque, de um beijo daquela mulher. E não só a procura dela, mas também das outras damas da noite.
Ao chegar no Montanhês, vieram à tona o cheiro de cigarro, perfume doce e uísque. Comecei a adentrar no lugar, enquanto pessoas esbarravam sem querer em mim, por conta do lugar lotado, também existiam pessoas dançando no centro do salão, e ao redor, tinham diversas mesas com copos de bebida, cinzeiros, notas de dinheiro e bitucas de cigarro. Nas cadeiras, sentavam-se homens poderosos e ricos, junto às cortesãs. Estavam se divertindo, animados, tagarelas, muitos deles eram casados e com filhos, mas isso não os impedia de vir ao clube.
Identifiquei logo de cara, Hilda Furacão. Sentada em uma das mesas rodeada de rapazes que queriam passar uma noite com ela, também tinha a presença de alguns repórteres à sua volta, tentando fazer perguntas a ela, a moça não se importava muito com eles; na mão esquerda segurava seu copo de bebida, e entre os dedos da outra mão, seu cigarro na metade.
Também avistei Leonor, por causa dos seus cabelos curtos e louros. Estava sorridente, com o batom vermelho vibrante em seus lábios, ao lado de Jabuti, o grande cafetão da zona boêmia. Divaneia tinha acabado de terminar a sua apresentação e agora se sentava em uma mesa onde um cliente estava à sua espera.
Eu caminhei para perto da mesa de Hilda e parei no lugar onde estavam os outros repórteres. Não conseguia me aproximar de Hilda para lhe fazer perguntas, devido às pessoas ao redor que atrapalhavam a passagem. Enquanto Demétrio tentava fotografar Hilda, eu olhei ao redor do salão, pensando em como poderia chegar até Hilda. Então, a vi.
Uma mulher da noite, que eu ainda não tinha visto nas vezes que vim para o montanhês. Ela se encontrava no bar, com o cotovelo apoiado na bancada e com uma taça de vinho em sua mão.
A cortesã tinha cabelos castanhos com fios dourados que reluziam sob a luz do local. Eram da altura de seus seios e tinham leves ondulações. Vestia um vestido longo de alça, colado na parte do tronco, com uma fenda na perna esquerda que ia de sua coxa até os pés. O vestido era azul marinho, o tecido brilhava quando a luz incidia sobre a vestimenta. Em seu pescoço usava um colar de pérolas, que combinava com seus brincos e, em seus pulsos tinham pulseiras prateadas.
Olhei para seu rosto, era jovial e marcante. Em seus olhos, que eram castanhos tão claros que pareciam mel, estava com um delineado e em seus lábios um batom vermelho carmim. Não podia negar, ela era uma mulher linda. Não sabia seu nome, não a conhecia, mas aquela moça atraiu o meu olhar.
Homens chegavam querendo uma noite com ela, oferecendo dinheiro e bebidas, mas ela nem sequer olhava para eles. A moça observava ao redor com um olhar analítico, parecia escolher os seus clientes, ela não aceitava qualquer um. Seu olhos encontraram os meus, só por alguns segundos, para meretriz, eu só era mais um repórter atrás de saber sobre Hilda Furacão.
Desviei meu olhar, voltando a atenção em Hilda que já estava no meio do salão, dançando e gargalhando junto a Cintura-fina como se nada importasse, enquanto os outros a observavam. Eu sabia que não iria conseguir fazer perguntas para Hilda, os outros repórteres também não conseguiram, naquela noite ela não aparentava dar atenção alguma para perguntas, suposições, reportagens.
Ajeitei meu óculos, e comecei a retornar para a porta, entretanto, antes de sair do montanhês, meu olhar involuntariamente vai em direção ao bar, mas a moça que antes estava no lugar havia sumido. Fitei o salão pela última vez, e então saí do montanhês, sem nenhuma resposta de Hilda Furacão em meu bloco, porém com a descrição da dama da noite que eu ainda não conhecia.
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Oiii, gente!! Esse foi o primeiro capítulo da fanfic, espero que tenham gostado!! Espero de coração que ela não esteja confusa e nem com erros gramaticais. Não sei quando vou lançar o capítulo 2, também não sei se vão gostar e ver esta história. Mas quem estiver lendo, eu agradeço muito, e se gostarem, não deixem de curtir. Beijos, até próximo capítulo!!