o luto

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eu estava numa casa desconhecida, perto da porta de entrada, e o ambiente era frio; escuro, silencioso. pensei que estava sozinha, mas sentia uma presença ali comigo o tempo todo, era pesada, não era boa.

em um momento eu apaguei, e de repente, estava na casa do meu pai, o lugar parecia maior, mais espaçoso, e continuava frio. com um tempo, descobri que a minha mãe havia falecido, alguém matou a minha mãe naquela mesma noite em que eu me sentia só, e de repente, me senti vazia.

os dias se passavam, e o ambiente esfriara mais e mais, eu me sentia amedrontada o tempo todo, não sabia a razão, mas temia tudo ao meu redor. os dias eram nublados, escuros, não havia a luz do sol iluminando o ambiente, apenas a tristeza fria ao redor da casa.

eu não sei o que houve exatamente, mas eu estava na frente de casa com o meu pai, e uma mulher apareceu. ela olhava para mim com compaixão, havia algo nela que me causava paz.

- você precisa vir comigo, este lugar não pertence a você. - ela me dizia.

sua voz era suave, assim como o vento que batia em seus cabelos, quem era essa mulher?

quando eu olhava para o meu pai, ele sorria entristecido, e concordava, queria que eu fosse. eu não sabia o que sentir, ou o que dizer... apenas aceitei esse meu destino, e com aquela mulher eu segui, deixando o meu pai para trás.

de repente, eu me vi em uma casa com uma tintura vermelha, não um vermelho forte, era leve. os móveis tinham cores alegres, a casa era decorada com objetos bonitos, e havia outras pessoas além de mim, jovens, assim como eu; que conversavam entre si, sorriam, e brincavam.

aquela mesma mulher que havia aparecido para mim, cuidava de todos nós. ela era doce, tinha um sorriso gentil, era cuidadosa, amável, com um espírito maternal enorme, ela lembrava a minha mãe...

os dias se passavam, e mesmo com todos os cuidados, o ambiente leve e alegre, diferente do ambiente a qual eu costumava conviver, eu ainda me sentia vazia. alguns dias depois, recebi a notícia.

- o seu pai se foi, eu sinto muito, querida... - aquela doce mulher me consolava.

de repente, aquele ambiente alegre e colorido se tornou escuro e frio novamente. fui convidada pela família do meu pai para o velório, e assim fui. estávamos em uma casa desconhecida para mim, mas a família do meu pai estava reunida.

eu caminhava até a cozinha dessa casa desconhecida, e via uma foto do meu pai em preto e branco em cima de um balcão, com algo escrito na foto, mas não consegui ler, fui interrompida, e logo voltei para a sala. meus primos estavam sentados no sofá, com algumas revistas em mãos, conversando, sorrindo, e falando sobre como o meu pai costumava ser...

depois de um tempo, eu voltei para aquela casa acolhedora, mas ela já não parecia mais acolhedora, estava frio, muito frio, e meu coração pesava, nunca me senti tão sozinha em toda a minha vida. os dias se passavam, e eu apenas chorava, tentava ao máximo segurar, controlar minhas emoções, mas não conseguia, era impossível.

em um dia, me aproximei daquela mulher adorável. ela estava sentada, e eu me ajoelhava aos seus pés, deitando minha cabeça em seu colo, chorando como uma criança, mas ela já não parecia se importar mais. então eu levantava o rosto, e percebia, estava só, completamente só.

depois de um tempo, eu voltei para a casa do meu pai, e lá estava ela, vazia, resolvi ficar. com a solidão, chamei alguns amigos na qual confiava para que me fizessem companhia, eles me distraiam, mas a casa estava pesada, e eu quase congelava de tanto frio que fazia.

comecei a ter pesadelos, uma sombra negra sempre aparecia para mim, tinha uma forma humanoide, e seus olhos brilhavam; ela me deixava entristecida, amedrontada, era ela, a causadora de tanta dor.

era ela, era ela, era ela, era ela, ERA ELA!

eu me sentia vazia todo os dias, algo me atormentava toda noite, todos os dias em que eu acordava e lembrava que estava só, sentia falta do colo da minha mãe, dos carinhos do meu pai, nunca senti tanto frio em toda a minha vida.

já não conseguia chorar, apenas sentia um peso enorme em meu coração, uma tristeza sem fim, sentia falta do sol, da quentura da vida, minha vida era rodeada de tristeza e perda.

comecei a ficar paranóica, não conseguia dormir, observava a casa da entrada, até a saida. sentia aquela presença ruim comigo, aquele tormento, aquilo não me deixava em paz, comecei a enlouquecer, eu me via amedrontada com tudo, desconfiava de todos em casa.

em uma noite, estava em um dos quartos com minha amiga, estávamos conversando, o quarto cheirava ao cigarro que ela fumava, e de repente, senti algo pingando em minhas costas. aquele vento frio, aquele vazio voltou, passei a ponta dos dedos em minhas costas; sangue. minhas mãos tremiam, minha respiração falhava, eu paralisei. levantei minha cabeça devagar, trêmula, o choro entalado em minha garganta, e ao olhar para o teto, o choro se soltava, as lágrimas desciam, os olhos arregalados, lá estavam; as cabeças dos meus pais penduradas no teto, olhos brancos, sangue pingando, pálidos. quando olho para o lado, aquela forma que me atormentava estava lá, os olhos penetrantes em mim.

̶E̶̶R̶̶A̶ ̶E̶̶U̶ ERA ELA, ̶E̶̶R̶̶A̶ ̶E̶̶U̶ ERA ELA,

era eu, a causadora de tanto sofrimento.

daughter of the saintStories to obsess over. Discover now