Cap 1

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Capítulo 1 – Primeira Batida da Noite

Los Angeles, 19h12 – Sede da Polícia Metropolitana

O som característico das rádios policiais ecoava pelo vestiário. Lucy Chen ajeitou a gola do uniforme, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo alto. Olhou para o espelho, tentando parecer confiante — ou pelo menos convencida de que estava pronta para mais um turno.

Era sua primeira patrulha com Tim Bradford depois de semanas trabalhando em uma força-tarefa temporária.
Sem o admitir em voz alta, sentia falta da forma como ele… a desafiava.

Quando atravessou o corredor em direção ao estacionamento, ele já estava lá, encostado na viatura, segurando uma prancheta. Bradford sempre parecia parte do cenário: postura ereta, olhar avaliador, uniforme impecável. E aquela expressão que, para quem não o conhecia, parecia fria — mas Lucy sabia que havia muito mais ali.

— Chen — disse ele, sem sorrir, mas com um tom levemente menos rígido do que o habitual. — Pontual. Surpreendente.
Ela arqueou uma sobrancelha. — Sargento Bradford, até parece que eu chegaria atrasada logo no meu primeiro dia de volta.
— Primeiro dia de volta significa mais chance de estar enferrujada — respondeu, entregando a prancheta. — Faça a checagem do veículo.

Lucy suspirou, mas obedeceu. Enquanto anotava as informações, notou de relance que ele observava cada movimento dela. Não de forma invasiva, mas como alguém que registrava detalhes para medir se estava tudo como deveria.

No rádio, uma chamada de prioridade média soou: uma briga em um posto de gasolina na Wilshire Boulevard. Bradford pegou o microfone.
— Unidade 7-Adam-19 a caminho.

Ele se sentou no banco do motorista e ligou o motor. Lucy fechou a porta, ajustando o cinto de segurança.
— Então… como foi a força-tarefa? — perguntou, tentando iniciar uma conversa.
— Efetiva — respondeu ele, sem tirar os olhos da rua.
— Isso é código para “não quero falar sobre isso” ou…?
Ele soltou um quase-sorriso, rápido demais para ser notado por alguém distraído. — É código para “foco no que está na nossa frente, Chen”.

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Posto de Gasolina – Wilshire Boulevard – 19h28

A cena estava relativamente calma quando chegaram. Dois homens discutiam, um deles segurando uma lata de combustível, o outro com um celular apontado como se estivesse gravando.

Bradford saiu da viatura primeiro, andando com aquele passo firme que fazia qualquer um reconsiderar atitudes impulsivas. Lucy o seguiu, mantendo o olhar atento.

— LAPD! — a voz dele soou firme. — Larguem o que estiverem segurando.
Os dois homens se entreolharam, um deles resmungou algo sobre “não era nada demais”. Lucy se aproximou do segundo homem, mantendo uma distância segura.
— Por que estão discutindo? — perguntou ela.
— Ele tentou cortar a fila — respondeu o rapaz, ainda ofegante. — E aí começou a me ameaçar.

Bradford conversava com o outro sujeito, verificando se havia algum risco real.
Lucy percebeu que não era uma ocorrência de grande perigo, mas a forma como Tim se posicionava — sempre um passo à frente dela, entre ela e qualquer possível ameaça — não passava despercebida.

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De volta à viatura – 19h45

— Você fica sempre nesse modo “escudo humano” ou é só quando é comigo? — ela provocou, ajustando o cinto.
— Isso se chama protocolo, Chen. Não é pessoal.
Ela sorriu de canto. — Claro que não.

Por alguns segundos, ficaram em silêncio, o som do rádio preenchendo o carro. Lucy olhou pela janela, mas sentia o peso de algo não dito entre eles.
Era engraçado: quando ela começou a treinar com Tim, o achava insuportável. Agora, aquela presença sólida e previsível era… reconfortante.

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21h02 – Chamada de Alta Prioridade

O rádio chiou com uma ocorrência: roubo em andamento numa loja de conveniência a menos de cinco quarteirões dali.
Tim ligou as sirenes e acelerou. Lucy segurou firme a barra lateral da porta, o coração acelerando não pelo risco, mas pela adrenalina familiar.

Quando chegaram, um homem encapuzado estava saindo da loja com uma mochila.
— Polícia! — gritou Tim, saindo da viatura e sacando a arma. — Largue a mochila e coloque as mãos onde eu possa ver!
Lucy circulou pelo outro lado, mantendo a visão clara do suspeito. O homem hesitou, olhou para trás, e então começou a correr.

— Vai! — ordenou Tim.

Lucy disparou atrás dele, sentindo o frio da noite cortar seu rosto.
A perseguição foi curta — o suspeito tropeçou ao tentar pular uma cerca, e ela o imobilizou.
Tim chegou logo depois, algemando o homem.
— Boa corrida, Chen. Não perdeu o fôlego. — O tom dele tinha algo próximo de orgulho.

Lucy, ainda respirando rápido, respondeu:
— Treino constante. Você devia tentar sorrir quando elogia alguém, sabe?

Ele não respondeu, mas ela viu o canto da boca dele se curvar levemente enquanto o conduziam até a viatura.

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23h10 – Delegacia da Wilshire

O resto do turno foi relativamente calmo. Patrulhas de rotina, uma ou outra chamada de perturbação do sossego, nada que fizesse a adrenalina subir como antes.

Lucy aproveitou para atualizar alguns relatórios, sentada no banco do carona enquanto Tim digitava no computador de bordo. A luz azulada da tela projetava sombras suaves no rosto dele, destacando o maxilar firme e a concentração que ele sempre mantinha.

Ela desviou o olhar rapidamente. Não queria que ele percebesse que estava… observando.

— Chen — disse ele, sem tirar os olhos do computador —, você ainda tem o mesmo tempo de reação que antes da força-tarefa. Isso é bom.
Lucy ergueu as sobrancelhas. — Isso foi… um elogio?
Ele digitou mais algumas coisas antes de responder: — Foi uma constatação. Não se acostume.
Ela riu baixinho. — Tá.

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23h42 – Última ocorrência da noite

O chamado era simples: possível invasão em um armazém abandonado. Provavelmente adolescentes explorando, mas protocolo é protocolo.

A rua estava silenciosa quando estacionaram. Tim fez sinal para que ela o seguisse, lanterna em punho.
O armazém cheirava a poeira e madeira velha. O som de passos ecoava no segundo andar.

Lucy subiu a escada atrás dele, sentindo o chão ranger. Encontraram dois garotos assustados, claramente sem intenção criminosa. Tim foi direto:
— Vocês têm cinco segundos para explicar o que estão fazendo aqui antes de chamarmos os pais.

Depois de uma bronca rápida, eles foram liberados. No caminho de volta, Lucy comentou:
— Você é meio… intimidante com adolescentes.
— Faz parte do trabalho. Se eles me acharem “legal”, é porque não estou fazendo direito.
— Talvez. Mas às vezes ser “legal” também ajuda.
— Não é o meu estilo.

Lucy balançou a cabeça, sorrindo de leve. Era tão tipicamente Bradford que ela nem se surpreendia mais.

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00h15 – Estacionamento da Delegacia

De volta à base, Lucy pegou sua mochila no banco de trás.
— Boa patrulha — disse ela.
— Sim. — Ele fez uma pausa. — É bom ter você de volta, Chen.

Lucy piscou, surpresa. Não era o tipo de coisa que Tim costumava dizer.
— Obrigada, Tim.

Houve um momento de silêncio. Eles se encararam por um segundo a mais do que o necessário, como se houvesse algo prestes a ser dito — mas o rádio chamou Bradford para revisar um relatório, e o instante se quebrou.

Lucy entrou no carro dela, mas não conseguiu evitar um pequeno sorriso no caminho para casa.
Era bom estar de volta. E, embora não admitisse nem para si mesma, era bom estar de volta com ele.

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