Upper East Side, 6h da manhã.
O sol mal começava a nascer quando Andy abriu os olhos, envolta nos lençóis brancos e no perfume sofisticado que conhecia bem demais: Miranda Priestly. A editora-chefe da Runway, sua ex-chefe, sua amante — embora ela nunca tivesse dito isso em voz alta.
Miranda estava de pé, imóvel diante da janela de vidro, observando Manhattan com uma taça de café preto em mãos. Impecável. Intocável. Perfeita até no silêncio.
— Você sempre acorda tão cedo? — Andy perguntou, a voz rouca de sono.
— É o único momento do dia em que posso ouvir meus próprios pensamentos — respondeu Miranda, sem se virar.
Andy sorriu, sentando-se lentamente na cama, puxando o lençol para cobrir os ombros nus.
— Miranda...
— Sim?
— Você ainda está com o Stephen?
Silêncio.
Miranda levou alguns segundos antes de responder, como se estivesse decidindo entre a verdade e o conforto.
— Sim.
A resposta foi seca, direta. Cruel, talvez. Mas ela não mentia.
Andy desviou o olhar, tentando esconder a decepção que escorria pelos olhos antes mesmo que percebesse.
— Então... o que somos?
Miranda finalmente se virou. Os olhos azuis cravados nos dela.
— Você sabe o que somos. Não finja que não entende.
— Eu não quero ser o segredo de ninguém.
— E eu nunca pedi que fosse. Você se ofereceu.
As palavras cortaram como faca. Andy sentiu o estômago revirar, mas se obrigou a manter a postura. Saiu da cama, pegou a roupa no chão e começou a se vestir em silêncio.
Miranda a observou, mas não a impediu.
Andy não disse adeus. Só fechou a porta.
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Dois dias depois.
Nenhuma mensagem respondida. Três ligações ignoradas. Até que um bilhete surgiu sob a porta de Andy, com a caligrafia impecável de sempre:
> “Às 20h. No The Modern. Eu espero. – M.”
Andy hesitou. Pensou em rasgar. Pensou em ir só para dizer que era o fim.
Mas foi.
No restaurante.
Miranda estava sentada com um vestido preto justo, colar de pérolas, impecável. A imagem da perfeição — e do controle.
— Está linda — disse Andy, sentando-se. O tom era mais ácido do que ela pretendia.
— Fiquei preocupada com seu silêncio — respondeu Miranda, com calma ensaiada.
Andy soltou um riso breve.
— Preocupada? Ou com medo de que eu conte ao seu marido?
— Stephen é esperto, mas distraído. Não é ele quem me preocupa. É você.
Andy pegou a taça de vinho e girou o líquido, tentando disfarçar a raiva.
— O que sou pra você, Miranda?
— Eu pensei que isso já estivesse claro.
— Talvez esteja. Talvez eu só esteja me recusando a aceitar que sou só... a amante.
Miranda manteve o olhar firme. Mas Andy notou, pela primeira vez, um traço de hesitação.
— Você é muito mais do que isso. E você sabe.
Andy se inclinou para frente.
— Então por que não prova?
— Quer que eu destrua minha família? Que abandone tudo por um romance que começou como um erro?
— Você sabe que não foi um erro. A gente não se olha assim por acaso.
Miranda respirou fundo.
— E se eu disser que não posso prometer nada além de agora?
Andy fechou os olhos por um instante.
— Então talvez agora seja tudo o que a gente tem mesmo. E talvez seja hora de acabar.
Ela se levantou, ignorando o toque suave de Miranda tentando segurar sua mão.
— Cuidado, Andréa — sussurrou Miranda. — Não me provoque a ponto de te deixar partir.
Andy parou, de costas, mas não se virou.
— Talvez você já tenha feito isso sem perceber.
E foi embora.
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A Amante
FanfictionEnvolvidas por segredos, poder e desejo, Andréa Sachs e Miranda Priestly vivem um romance proibido. Mas até onde se pode ir quando se é apenas... a amante?
