- Onde deseja ir, senhorita? - perguntou o motorista, lançando um olhar curioso pelo espelho do retrovisor, enquanto a passageira se acomodava no banco de trás do táxi.
- Para o Arkham Asylum, por favor. - respondeu a jovem de olhos azul-claros, como um céu limpo em dia ensolarado, que refletiam uma determinação incomum para alguém com tal destino. Ela trajava um jaleco branco sobre uma blusa vermelha vibrante, que contrastava com as luzes da cidade que entravam pelas janelas do carro, revelando a beleza de sua juventude. Em volta do pescoço, um colar com um pingente vermelho discreto lembrava o formato de uma carta de ouros.
- Tem certeza, senhorita? - ele franziu o cenho, surpreso com o lugar que ela havia escolhido. Afinal, Arkham não era um destino comum que as pessoas costumavam ir, principalmente à noite.
Ela insistiu, e apesar da hesitação, ele ligou o carro, mas não conseguiu evitar a curiosidade, quebrando o silêncio que havia se instalado entre eles.
- Desculpe a intromissão, mas o que a leva a escolher esse lugar... tão peculiar? E ainda mais à noite?
- Recebi uma oferta de trabalho. Sou psiquiatra - ela respondeu com naturalidade.
A resposta provocou uma expressão de desconforto no rosto do motorista, como se a informação soasse como uma piada de mau gosto.
Ele riu sem graça, balançando a cabeça, como se quisesse afastar o que tinha acabado de ouvir.
- Psiquiatra, é? Então vai cuidar dos malucos... digo, dos pacientes de lá?
- Bem, espero que pelo menos o salário daquele manicômio valha a pena. - ele comentou, ajeitando o espelho do retrovisor, lançando-lhe um olhar avaliador. - Afinal, com todo respeito, uma moça jovem, bonita como você, e com cara de espertinha, disposta a trabalhar em um lugar cheio de assassinos psicóticos.... é surpreendente. Sinceramente, não entendo o que se passa na sua cabeça. Se fosse eu, recusaria tal oferta sem pensar duas vezes.
Ela desviou o olhar para a janela e respondeu com simplicidade - Eu só quero ajudar.
Enquanto ele manobrava o veículo, as sombras pareciam se aprofundar, como se a própria cidade estivesse em um estado de apreensão. Foi então que algo chamou a atenção da passageira. Duas silhuetas, uma claramente maior que a outra, moviam-se ligeiramente entre os prédios. Viaturas passaram em alta velocidade ao lado do táxi, lançando flashes de luz sobre a rua antes de desaparecerem na mesma direção das figuras misteriosas. A cidade se apresentava em toda sua glória. Arranha-céus e construções menores refletindo luzes vibrantes que tentavam se opor à escuridão crescente, enquanto um sinal de morcego era projetado no céu noturno.
- Será que...? - ela começou, mas decidiu ficar quieta, afastando os pensamentos sobre os rumores que circulavam frequentemente entre os moradores da cidade a respeito dos vigilantes. Ela os tratava como meros boatos de lendas, e via o sinal no céu como uma tentativa de intimidar os criminosos, fazendo-os desistir de cometer crimes - o que, na prática, não funcionava muito bem.
Ela suspirou, reencostando a cabeça no assento do táxi, tentando ignorar as figuras que havia visto. Talvez fosse só coisa da cabeça dela...?
[...]
Após algum tempo dirigindo, o táxi finalmente alcançou o porto, onde uma balsa os aguardava. A espera foi rápida, uma vez que não havia ninguém além deles e a embarcação já estava atracada. O motorista conduziu o veículo para dentro da balsa, estacionou cuidadosamente e desligou o motor. À medida que a balsa se afastava, Gotham tornava-se um mero borrão de luzes contra um céu que se tornava cada vez mais sombrio, por conta das nuvens densas.
A loira saiu do veículo assim como o dono do carro, e se aproximaram da borda da plataforma, perdidos na contemplação do reflexo trêmulo da lua sobre as ondas, enquanto a mistura de conforto e inquietação os envolvia.
Envolvendo os braços ao redor do corpo, a jovem puxou o jaleco contra si e murmurou - Pensei que Arkham fosse mais perto...
O motorista lançou um olhar breve na direção da ilha que se aproximava aos poucos e respondeu com um tom que beirava o desdém - Quanto mais longe, melhor. Este não é o tipo de vizinhança que se deseja por perto.
Ela assentiu lentamente, permanecendo em silêncio por alguns segundos, pensativa. Então, perguntou, tentando quebrar o clima tenso - Você notou aquelas silhuetas quando a polícia passou por nós?
O motorista olhou por cima do ombro e balançou a cabeça negativamente. - Não vi, senhorita. Estava concentrado na estrada. Mas já ouvi falar dessas histórias.
Ela virou o rosto para ele, arqueando uma sobrancelha, curiosa, aguardando mais.
Ele coçou a nuca com um suspiro antes de continuar - Tem quem jure que tem um sujeito por aí... vestido de morcego. Alguém que caça criminosos nesta cidade, onde muitos já perderam a esperança.
- O tal de Batman?
- Isso mesmo - confirmou ele, um leve sorriso surgindo em seu rosto.
- Nunca acreditei muito nessa história, nem nas de outros também, como aquele... como se chama mesmo?... Nightwing?
- Ah, sim, o Wing! - ele riu de forma nostálgica , se lembrando de uma lembrança. - ele o Batman já foram um dupla de combatentes. O Wing era muito mais bacana do que o moleque que assumiu o manto dele; o que assumiu era um verdadeiro babaca, pelo menos o que diziam por aí.
- Diziam? - indagou a jovem, já esperando uma resposta que poderia significar uma de duas coisas.
O motorista ficou sério, e a voz ganhou um tom sombrio e pesaroso. - O garoto não teve muita sorte como o outro. Dizem que morreu brutalmente pelas mãos do príncipe palhaço do crime. Nunca ouviu falar dele? Isso faz uns três anos. Todo mundo se lembra...
- É que... eu não sou daqui. Me mudei faz pouco tempo. Sempre ouvi dizer que o Batman trabalhava sozinho - ela explicou.
Ele assentiu, compreensivo. - Tá explicado. Dizem que ele está com outro parceiro de combate ao crime. Ou melhor, parceira. Uma garota. Bem diferente do último, pelo menos o que andam dizendo.
Intrigada, ela franziu a testa e perguntou - Como esse cara consegue tantas crianças dispostas a virar combatentes do crime?
- Bem, as crianças sempre buscam aventuras e emoções. Quem não gostaria de sair fazendo o bem como um herói?
- É, isso até faz sentido. - ela sorriu, concordando com a especulação dele.
[...]
Assim que a balsa finalmente atracou na ilha, o motorista conduziu o táxi pela plataforma de desembarque. O veículo parou a uma boa distância da estrada, que exibia alguns postes de iluminação fracos que levavam até os portões de ferro negro reforçado, arqueados no topo com o nome "ARKHAM ASYLUM". Todo o complexo era cercado por altos muros e torres de vigilância, que se erguiam nas extremidades, observando silenciosamente os arredores. Mesmo àquela distância, era possível avistar os três prédios, interligados entre si, com uma arquitetura vitoriana imponente.
- Desculpe, senhorita, mas é até aqui que posso levá-la. - declarou o taxista. Não arriscaria chegar mais perto daquele lugar, nem que lhe pagassem.
- Não há problema. Obrigada. - respondeu ela, entregando o pagamento.
Após sair do carro e fechar a porta com cuidado, ouviu a última recomendação do motorista - Boa sorte, senhorita. Você vai precisar.
Ela apenas assentiu.
O automóvel permaneceu ali por alguns segundos enquanto o homem observava a passageira seguir em direção ao local, antes de dar ré e desaparecer na estrada por onde vieram, deixando-a completamente sozinha.
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From Villains to Heroes... or Almost Thatm
FanfictionA fanfic é uma releitura do universo do Batman.
