Agosto de 2018
O estúdio estava em plena movimentação. Microfones sendo ajustados, câmeras posicionadas, e o burburinho dos participantes preenchia o ar com tensão e expectativa. Paola Carosella caminhava entre as bancadas com passos calmos, observando detalhes, corrigindo pequenos excessos nos pratos, como sempre fazia. Mas naquela noite, havia algo no ar, algo que nem ela sabia nomear.
Lá fora, a chuva caía fina, escorrendo pelos vidros altos do estúdio. Um som constante, quase reconfortante, que contrastava com a energia elétrica do ambiente. Talvez fosse só o tempo fechado. Talvez não.
Enquanto se aproximava daquela espécie de palco central onde os chefs ficavam, sentiu um olhar fixo. Levantou os olhos quase sem querer e encontrou os de Henrique Fogaça, do outro lado do estúdio. Ele estava parado ao lado de Jacquin, aparentemente distraído, mas seus olhos estavam cravados nela. Não havia sorriso, apenas aquele olhar sério, fundo, que ele raramente deixava escapar diante das câmeras.
O tempo não parou. As pessoas continuaram andando, o som da Ana Paula gritando "faltam 30 minutos" ainda se fazia presente, mas por um segundo, tudo pareceu mais lento. Uma troca muda, carregada de algo que os dois ainda fingiam não perceber.
Paola desviou o olhar com naturalidade, como se nada tivesse acontecido, mas seu corpo parecia ter registrado o momento inteiro. Seguiu andando, parou diante de uma bancada, elogiou discretamente o ponto da carne de um dos competidores, e ao se virar, sentiu novamente: o olhar de Fogaça ainda estava lá.
Não era novidade que os dois tinham uma química em cena. O público adorava. Mas aquilo era outra coisa. Não roteirizado. Não ensaiado. Quase imperceptível.
Pequenos gestos começaram a se repetir naquela noite, um comentário mais gentil do que o habitual, um toque de humor nas provocações, um "obrigado" dito mais baixo, apenas entre eles. Tudo dentro do que as câmeras podiam captar, mas carregado de nuances que só quem vivia ali, dentro da tensão do estúdio, poderia perceber.
Jacquin, sempre atento, notava a mudança na atmosfera. Lançava olhares rápidos entre uma prova e outra, franzia a testa, mas nada dizia. Talvez por respeito. Talvez por instinto.Lá fora, a chuva continuava a cair, cobrindo a cidade com um véu cinza. Aqui dentro, algo começava a ferver. Silencioso, intenso, e impossível de ignorar.
Nada havia sido dito. Mas algo, definitivamente, tinha começado.
As gravações seguiram até tarde. Os participantes deixaram o estúdio um a um, exaustos, empolgados, tentando disfarçar a ansiedade pelo resultado. Os jurados gravaram suas falas finais, e a equipe técnica começou a desmontar o cenário aos poucos. A tensão vibrante do programa dava lugar ao cansaço e ao silêncio que preenchia aquele estúdio agora vazio. Paola, no entanto, demorou a sair. Gostava de ficar mais alguns minutos ali, quando o estúdio estava quase vazio. Era uma forma de desligar devagar, de respirar depois da intensidade do palco. Sentou-se em uma das bancadas vazias, mexendo distraidamente numa colher esquecida, os olhos voltados para a janela embaçada pela chuva que ainda caía lá fora. Ouviu passos atrás de si. Reconheceria aquele andar em qualquer lugar, firme, um pouco arrastado, como de quem carrega mais do que mostra.
Fogaça.
Ela não se virou. Só continuou olhando a água escorrendo do lado de fora.
- Achei que já tivesse ido - ele disse, a voz baixa, quase gentil. - Tá esperando a chuva passar?
Paola deu um meio sorriso, ainda sem olhar pra ele.
- Tô esperando alguma coisa, eu acho. Só não sei bem o quê.
Ele chegou mais perto, apoiou os antebraços na bancada ao lado dela. Havia algo no silêncio entre os dois que não pedia pressa. A respiração dele era audível agora, e seu cheiro amadeirado com um misto de couro molhado, era mais familiar do que deveria ser.
- Cuidado com o que você espera, Carosella - ele disse, num tom que pretendia ser leve, mas saiu carregado de intenção.
Ela finalmente olhou pra ele. E naquele segundo, ambos souberam: aquilo que ainda não tinha nome já era real demais pra ser ignorado.
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E aí pessoal? Tudo bem? Me conteeem o que acharam desse início de história ein. Coloquem aqui nos comentários, e até breve!
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TEMPEROS PROIBIDOS
FanfictionNos bastidores iluminados do MasterChef Brasil, entre panelas fumegantes, câmeras implacáveis e frases ensaiadas, algo imprevisto começa a ferver em silêncio. Paola Carosella, chef respeitada e voz firme entre os jurados, sente seu mundo mudar com u...
