🌙 - O Cheiro do Destino

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A chuva caía com constância sobre os telhados de Oxenfurt, escorrendo pelas calhas como se o céu estivesse lavando pecados antigos. Geralt de Rívia caminhava pelas ruas de pedra com a capa pesada encharcada e o capuz ocultando parcialmente os cabelos brancos. Ele não gostava de cidades - o cheiro, a multidão, o farfalhar de instintos reprimidos entre alfas e ômegas - tudo isso o irritava.

Mas algo o puxava ali.

Uma sensação que começara dois dias antes, numa estrada vazia, quando o vento soprou o aroma adocicado de verbena, vinho e algo indefinidamente mais... carnal. Familiar.

Ele reconheceu o cheiro antes mesmo de admitir.

Jaskier.

A taverna estava abafada e quente, cheia de risos, vozes embriagadas e sussurros indecentes. E no centro do palco improvisado, sob a luz trêmula das tochas, ele estava.

Jaskier.

Mais bonito do que Geralt se permitia lembrar. Os cabelos mais compridos, soltos, com um leve brilho dourado ao reflexo das chamas. O corpete justo realçava a cintura fina, e a calça preta moldava as coxas com precisão que parecia intencional. Mas o que mais chamava atenção era o cheiro.

Aquele maldito cheiro.

Doce, provocante, envolvente.

Um ômega em pré-cio.

Jaskier viu Geralt na porta. A voz vacilou por um segundo, mas ele se recompôs com um sorriso lento e perigoso.

- Ora, ora... - disse entre uma nota e outra - O Lobo Branco resolveu visitar o covil das tentações?

Geralt apertou o maxilar. Ele odiava quando Jaskier fazia isso - olhava como se soubesse o que ele estava sentindo, como se tivesse poder sobre seus instintos. E o pior... ele tinha.

Mais tarde, num quarto alugado no andar de cima, Jaskier trancou a porta e virou-se devagar.

- Você sentiu, não é? - ele sussurrou, se aproximando.

Geralt respirou fundo, tentando manter o controle.

- Você está perto do cio.

- E você está tremendo.

Jaskier sorriu. Não era arrogância - era doçura com um toque afiado de malícia. Ele deslizou dois dedos pelo próprio pescoço, expondo a curva macia e pálida da clavícula.

- Vai ficar aí me olhando como se quisesse me devorar ou vai deitar comigo só pra conversar? - provocou, num tom leve que escondia a vulnerabilidade nos olhos.

Geralt se aproximou. Seus olhos dourados queimavam. Mas ele não o tocou.

- Você sabe o que acontece se eu perder o controle.

Jaskier deu um passo à frente. Depois outro. Ficaram peito contra peito, quase respirando o mesmo ar.

- Então perca.

Ele estava testando-o. Brincando com o fogo - ou com o lobo. Mas Geralt conhecia bem os limites de Jaskier. Sabia que atrás daquele sorriso doce e provocante havia um pedido silencioso:

"Prove que sou desejado. Prove que sou seguro nos seus braços."

Mas ainda não.

"O Cheiro do Destino"Where stories live. Discover now