A chuva caía com constância sobre os telhados de Oxenfurt, escorrendo pelas calhas como se o céu estivesse lavando pecados antigos. Geralt de Rívia caminhava pelas ruas de pedra com a capa pesada encharcada e o capuz ocultando parcialmente os cabelos brancos. Ele não gostava de cidades - o cheiro, a multidão, o farfalhar de instintos reprimidos entre alfas e ômegas - tudo isso o irritava.
Mas algo o puxava ali.
Uma sensação que começara dois dias antes, numa estrada vazia, quando o vento soprou o aroma adocicado de verbena, vinho e algo indefinidamente mais... carnal. Familiar.
Ele reconheceu o cheiro antes mesmo de admitir.
Jaskier.
A taverna estava abafada e quente, cheia de risos, vozes embriagadas e sussurros indecentes. E no centro do palco improvisado, sob a luz trêmula das tochas, ele estava.
Jaskier.
Mais bonito do que Geralt se permitia lembrar. Os cabelos mais compridos, soltos, com um leve brilho dourado ao reflexo das chamas. O corpete justo realçava a cintura fina, e a calça preta moldava as coxas com precisão que parecia intencional. Mas o que mais chamava atenção era o cheiro.
Aquele maldito cheiro.
Doce, provocante, envolvente.
Um ômega em pré-cio.
Jaskier viu Geralt na porta. A voz vacilou por um segundo, mas ele se recompôs com um sorriso lento e perigoso.
- Ora, ora... - disse entre uma nota e outra - O Lobo Branco resolveu visitar o covil das tentações?
Geralt apertou o maxilar. Ele odiava quando Jaskier fazia isso - olhava como se soubesse o que ele estava sentindo, como se tivesse poder sobre seus instintos. E o pior... ele tinha.
Mais tarde, num quarto alugado no andar de cima, Jaskier trancou a porta e virou-se devagar.
- Você sentiu, não é? - ele sussurrou, se aproximando.
Geralt respirou fundo, tentando manter o controle.
- Você está perto do cio.
- E você está tremendo.
Jaskier sorriu. Não era arrogância - era doçura com um toque afiado de malícia. Ele deslizou dois dedos pelo próprio pescoço, expondo a curva macia e pálida da clavícula.
- Vai ficar aí me olhando como se quisesse me devorar ou vai deitar comigo só pra conversar? - provocou, num tom leve que escondia a vulnerabilidade nos olhos.
Geralt se aproximou. Seus olhos dourados queimavam. Mas ele não o tocou.
- Você sabe o que acontece se eu perder o controle.
Jaskier deu um passo à frente. Depois outro. Ficaram peito contra peito, quase respirando o mesmo ar.
- Então perca.
Ele estava testando-o. Brincando com o fogo - ou com o lobo. Mas Geralt conhecia bem os limites de Jaskier. Sabia que atrás daquele sorriso doce e provocante havia um pedido silencioso:
"Prove que sou desejado. Prove que sou seguro nos seus braços."
Mas ainda não.
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"O Cheiro do Destino"
FanfictionEm um mundo onde os ciclos ômega estão se tornando mais intensos e imprevisíveis, os reinos tentam controlar os nascimentos e uniões com rigidez cruel. Ômegas são marcados desde o nascimento, proibidos de andar sozinhos em tempos de cio. Mas Jaskier...
