Cap 1 NOSSAS VIDAS

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O dia estava quente. Quente de um jeito grudado, sabe? E eu já estava de mau humor antes mesmo de sair de casa. Mas any insistiu.
"Vai ser rapidinho, só me acompanha", ela disse.
E eu, como sempre, fui.

O estúdio ficava a uns quinze minutos do nosso apê, em Los Angeles. Era moderno, lotado de espelhos, gente bonita, música alta e energia pulsando nas paredes. Eu lembro de pensar: "Esse lugar é o tipo de cenário onde tudo acontece — menos coisas que envolvem gente comum como eu".

Any estava nervosa. Ia fazer uma audição pra entrar em um grupo musical novo, e precisava de alguém pra segurar a ansiedade com ela. Eu era boa nisso — pelo menos em parecer calma.

Sentei no canto da sala, cruzei as pernas e fiquei ali, observando tudo. Foi quando ele entrou.

Josh.

Ele chegou como se pertencesse àquele lugar desde sempre. Usava uma camiseta branca larga, calça esportiva preta e um boné virado pra trás. O cabelo loiro meio bagunçado e um copo de café na mão.

Mas o que me prendeu de verdade foi o jeito como ele andava — como se o chão fosse uma extensão dos pés dele. Ele não caminhava... ele flutuava.

A any correu até ele. Eles se abraçaram e trocaram algumas palavras rápidas antes de ela me chamar.

— Josh, essa é a Sn . Minha melhor amiga. E conselheira de vida. — disse, rindo.

Ele olhou direto nos meus olhos. Como se estivesse me analisando.

— Então você é a famosa sn... — ele disse, sorrindo. — Já ouvi falar.

— E você deve ser o Josh, o que dança como se estivesse desafiando a gravidade.

Ele riu. Um riso de canto de boca, meio desacreditado.

— Gosto de você já.

Não sei explicar, mas foi ali que tudo começou.

Nos dias seguintes, ele passou a estar presente em tudo.

Assim como o Josh, Any também foi aceita no grupo, e começou a frequentar o estúdio quase todo dia. E onde a any ia, eu ia também — pelo menos nas primeiras semanas.

Josh sempre aparecia.
Seja pra ensaiar, conversar, rir ou simplesmente existir.
Ele era o tipo de pessoa que fazia as outras gravitar em volta.

E, sem perceber, eu comecei a girar em torno dele.

Viramos amigos rápido.
Tão rápido que parecia que a gente se conhecia de outras vidas.
Ele me mandava vídeos de dança às duas da manhã e memes aleatórios que não faziam sentido, mas me faziam rir de um jeito que ninguém conseguia.
Eu implicava com a mania dele de cantar enquanto escovava os dentes.
Ele me zoava pela quantidade absurda de açúcar que eu colocava no café.

Tinha alguma coisa ali. Algo crescendo. Silencioso, mas insistente.

O parque de diversões ficava a duas quadras do estúdio.

Era um daqueles parques vintage, com luzes penduradas entre os brinquedos, barraquinhas com cheiro de pipoca e um carrossel que tocava música lenta demais pra década em que estávamos.

Num dia de calor, depois de um ensaio exaustivo, ele sugeriu de irmos até lá.
Eu, ele e a gabi.
Mas a any acabou encontrando uns amigos e ficou pra trás.

Eu e Josh nos afastamos sem perceber.
Ou talvez... percebendo demais.

— Sabe... — ele começou, enquanto caminhávamos entre as luzes piscando — você é diferente das pessoas que eu costumo encontrar por aqui.

— Por quê? Porque eu não sei dançar? — brinquei.

— Não. Porque você não parece tentar ser nada além de você mesma. Isso... é raro.

Fiquei sem saber o que dizer. Então, apenas sorri.
E ele sorriu de volta.

Subimos juntos na roda-gigante. Eu juro que não era o plano. Mas parecia certo.

Lá de cima, a cidade parecia pequena. O vento batia forte no meu rosto, e ele me olhava como se eu fosse uma daquelas vistas que a gente tenta guardar pra sempre na memória.

— Você sempre me olha assim? — perguntei, baixinho.

— Assim como? — ele retrucou, como se não soubesse exatamente do que eu estava falando.

Eu ia dizer alguma coisa. Qualquer coisa.
Mas ele se inclinou. Devagar. Com calma. Sem pressa.
E me beijou.

Foi um beijo tranquilo, mas cheio de verdade.
Como se ele estivesse dizendo: "eu tava só esperando o momento certo".

E talvez estivesse mesmo.

Depois daquele dia, tudo foi como em filme.

Ele me levava pra tomar sorvete na calçada do estúdio. Me esperava sair do trabalho com flores idiotas, só porque tinha lembrado de mim vendo um buquê qualquer. Me ouvia reclamar da vida. Me mostrava músicas novas. Me abraçava quando eu dizia que estava bem, mas não estava.

A gente se encaixava.
Não perfeitamente, mas de um jeito que fazia sentido.

Começamos a namorar semanas depois.

Sem pedidos formais, sem legendas no Instagram. Só a certeza de que não fazia sentido viver isso tudo e chamar de outra coisa.

E eu sei que toda história de amor começa parecendo fácil.

Mas com ele...
Com ele era mais do que isso.

Era como se o mundo finalmente tivesse se ajeitado.

Só que o problema do "felizes para sempre"...
é que ninguém ensina a gente a continuar feliz quando o sempre começa a chegar.

Nossas vidas Where stories live. Discover now