A angústia da notícia ...

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Aqui vos deixo uma história
Que em nada tem para alegrar
A dor de uma filha ao ver
O seu pai a deixar de estar

A sua magreza era notória
E o cansaço visivelmente marcado
As olheiras enchiam.lhe os olhos e o seu tom de pele já amarelado

Depressa foi à consulta
Para exames ter que fazer
Passado uns dias lá veio a notícia
Do pior que podia acontecer

As suspeitas eram óbvias,
De uma lesão se tratava
Mas só com mais exames se sabia
De que o cancro ali espreitava

Depois o que se seguiu
Foi exames e oncologia
Para saber se a lesão era leve
Ou se já era o que a médica previa...

Um carcinoma no pulmão
não foi notícia muito leve
Ele ingénuo só dizia
Que nao era nada do que se teme

Foi muito devastador estes dias que continuavam
entre consultas e exames
E os medos que ali aumentavam

O veredito foi mau
Intenso e avassalador
O senhor tem um cancro
Tal foi tamanha a dor

Não sabíamos o que fazer
Nem em quem nos agarrar
Pela dor ou pelo dever
A angústia ia durar

Aos médicos nos agarràmos
Movidos pela angústia e dor
Sem sabermos o que fazer
Querendo só uma notícia melhor

Os dias foram passando
E os tratamentos começaram
Quimio a correr no sangue
Até os cheiros nos amedontravam

O meu pai
Sempre com muita calma
Como se nada tivesse a acontecer
Tal foi tamanha ingenuidade
Sem noçao do que estava a acontecer

Acho que estava em negação
Para não vir a sofrer tanto
Mas com tamanha agitação
O seu coração estava num pranto

A médica nos preparou
Para o que poderia aí vir
E também nos alertou
A nunca desistir

Falou nos em apoios
Que poderíamos ter direito
Falou.nos no futuro
De um modo meio sem jeito

Vamos ter muita calma
E muita força lhe temos que dar
Mas ninguém está preparado
Para este bicho nos intimidar

A primeira quimio foi tranquila
Sem grandes efeitos a revelar
O meu pai andava bem
A minha mãe não sabia como estar

Os tacs e ressonâncias
Nos disseram mIs pormenores
Este cancro era mau
Para não dizer dos piores

Era malandro este bicho
Que gostava de passear
Pelo corpo e tecidos
Adorava se espalhar

Nao havia muito tempo
Era tudo acelerado
Entre quimio no hospital
E comprimido a ser tomado

A minha mae, essa coitada
Vinha  com panfletos na mão
Dos cuidados que tinha que ter
Para lhe dar a medicação

Era quimio no hospital
E quimio feita em casa
O cuidado era extremo
E a mãe com a cabeça em massa

O cancro é assim mesmo
Vem silencioso e sem avisar
Os que lidam com ele
Nem sabem o que lhes esperar

Aqui vos deixo uma parte
Do início desta viagem
Entre caminhos escuros e sombrios
Mas que fique uma mensagem







Para ti paiWhere stories live. Discover now