capítulo único

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A chuva cai em véus densos contra as janelas do dormitório do Stray Kids em Seul, o som ritmado criando uma barreira que isola o apartamento do resto do mundo.
São duas da manhã, e reina um silêncio interrompido apenas pelo ronco abafado de Jisung no quarto ao lado e pelos murmúrios de Felix falando no sono, soltando frases desconexas sobre" um caminho escuro".

No quarto de Minho e Hyunjin, a luz fraca do abajur lança sombras trêmulas nas paredes.
Hyunjin está deitado no peito de Minho, que o abraça pela cintura num gesto quase automático de proteção.

Incapaz de dormir, ele traça círculos nas costas do namorado, olhando fixo pro teto, onde as rachaduras parecem formar padrões que nunca tinha notado antes.

— Você tá pensando — Hyunjin murmura, a voz rouca de sono, mas cheia de carinho. Levanta o rosto, os olhos brilhando sob a luz suave.

Minho sorri, inclinando-se para beijar sua testa.
— Só em você, Jinnie.

Hyunjin sorri de volta, o peito aquecido pela sensação do momento. O que eles têm foi construído aos poucos, entre ensaios exaustivos e a pressão da vida como idols.
É o refúgio deles, feito de provocações e de um amor que sustenta tudo.

Mas o conforto se quebra com um som que corta o silêncio como lâmina: um sussurro gutural, que parece rasgar o ar, ecoando sem ter origem clara.
Não é uma palavra, mas um lamento profundo que vibra nos ossos, carregado de desespero, como se algo implorasse por libertação.

Hyunjin fica rígido, os olhos arregalados de pavor.
— você ouviu isso? — pergunta, a voz trêmula, já à beira do pânico.

Ele sempre teve um medo irracional do sobrenatural — histórias de fantasmas o deixam acordado por semanas, e evita até objetos antigos, com medo do que possam carregar.

Minho se senta na cama, o semblante sério.
— Ouvi — murmura, tentando manter o tom firme, mas não consegue esconder a tensão.

O sussurro volta, mais forte, e um frio cortante invade o quarto, sugando o calor como se um portal tivesse se aberto ali.

O abajur pisca, a luz fraqueja por um segundo, e as sombras nas paredes parecem se esticar, formando silhuetas estranhas que somem quando pisca de novo.

Hyunjin agarra o braço dele, cravando as unhas, o coração disparado.
— Isso não é normal, Minho, é um fantasma, eu sei que é!

A voz sai quase histérica. Minho o puxa para um abraço mais  apertado.
— Tá tudo bem, amor, eu tô aqui — murmura, mesmo enquanto seus olhos varrem o quarto e se fixam num canto onde as sombras parecem pulsar, como se respirassem.

Ele segura o pingente de pedra preta pendurado no pescoço, presente do avô, que sempre dizia ser “pra proteção”, mas nunca explicava direito. Hoje, o pingente parece queimar contra sua pele, como se respondesse àquela presença.

O barulho ecoa de novo, agora tão perto que parece vir do meio deles. A porta range, abrindo lentamente alguns centímetros, sem nenhum vento.

Hyunjin engole um grito, escondendo o rosto no ombro do namorado, que se levanta puxando-o junto.

— Não me deixa aqui sozinho — implora, pálido.

Minho beija sua têmpora.
— Nunca, Jinnie.

Eles saem pro corredor, onde as luzes voltam a  piscar de forma errática, projetando sombras que dançam e se contorcem em formas quase humanas antes de sumirem.

Antes que avancem, a porta do quarto de Jisung se abre e ele aparece, descabelado, os olhos arregalados de medo.
— Vocês ouviram isso? — pergunta, segurando o celular como se fosse um escudo.

o desconhecido Where stories live. Discover now