Meu nome é karolyne Aparecida da Silva Pereira. Sou filha de Marizete, uma mulher baiana de força e doçura, e deEdgar , um menino que se encontrou com ela na vida — e desse encontro, eu nasci.
Nasci na colônia Juliano Moreira, e isso não é um detalhe qualquer. A colônia é parte de quem eu sou, da forma como vejo o mundo e das feridas e potências que carrego comigo. Desde pequena, eu já percebia que havia algo fora do lugar, injusto, violento, mas nem sempre nomeado. Era como se eu sentisse as dores do mundo sem entender bem por quê.
Sempre tive uma boa relação com os meus pais, principalmente na infância. Eles estavam presentes, cuidavam de mim. Mas eu, bom... eu era uma criança "muito esquisita". Não no sentido ruim — esquisita porque via o que os outros não viam. Lembro de um prefeito que derrubava as casas das pessoas na colônia, e eu dizia que ele era "sem paz". Mal sabia ele que uma menina de olhar atento e alma de tempestade já o tinha enxergado inteiro.
Desde muito cedo, eu era ativista sem saber o nome disso. Queria mudar o mundo. Mas o mundo é um bicho difícil, e eu, uma menina só. Com o tempo fui entendendo que talvez eu não pudesse mudar tudo — mas não deixei de tentar.
Estudei em colégio particular. Meus pais tinham um certo medo da escola pública. Talvez um pouco de preconceito, algo que hoje vejo que precisa ser transformado. A educação deveria ser igual para todos — e meu olhar crítico sobre isso começou desde cedo.
A primeira vez que mergulhei em um livro foi com apenas sete anos, e não foi com um conto de fadas. Li Nietzsche. Sim, o "anticristo", com sete anos. Isso talvez diga muito sobre mim. Eu sentia demais. Tinha uma empatia que ultrapassava o corpo — quase como se eu sofresse pelo mundo, mesmo sem saber explicar o motivo.
Minha infância foi boa, mas cheia de interrogações. Eu era aquela criança que observava o mundo e perguntava o tempo todo: "Por que é assim?"
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Mesmo sem Poder eu Tentei
RandomAutobiografia Essa não é uma história de superação idealizada. É uma história real. De quem caiu, levantou, ajudou, e seguiu. De quem tentou. Mesmo sem poder.
