Capítulo 1
Nunca soube exatamente quando comecei a te perder.
Talvez tenha sido naquela tarde em que você sorriu com os olhos cheios de ausência. Ou na noite em que me abraçou como quem já havia partido — mas ainda assim ficou.
Eu me lembro de tudo, mesmo do que tento esquecer.
Do som da tua voz atravessando meu nome com ternura e distância. Do teu perfume escapando pelas frestas do tempo. De como sua presença se tornou fantasma muito antes da tua ausência.
Mas eu continuei ali.
Mesmo depois que teus passos começaram a seguir direções que não me incluíam mais.
Mesmo quando o toque virou costume e os beijos, silêncio.
Mesmo quando eu já sabia que estava te perdendo — e mesmo assim, não tive coragem de gritar.
Eu me calei.
E foi no meu silêncio que te disse as mil verdades que nunca couberam em palavras.
Você me pedia sinceridade, e eu te entregava metáforas.
Você me olhava nos olhos esperando promessas, e eu respondia com medo.
Você dizia “estou aqui”, e eu queria te dizer “eu estou indo embora por dentro”, mas não conseguia.
Talvez eu achasse que você deveria saber.
Talvez eu esperasse que você me enxergasse por trás da armadura que construí para sobreviver.
E mesmo assim… eu amei você.
Com a intensidade de quem sabe que vai doer.
Com a entrega de quem sabe que não vai durar.
Com a fé idiota de quem acredita que o amor por si só é suficiente.
Você foi minha poesia preferida.
Mas até as poesias se perdem, quando a gente lê rápido demais.
Hoje, quando fecho os olhos, ainda consigo imaginar você entrando por aquela porta.
Com a mochila no ombro e a dúvida nos olhos.
Com o coração dividido entre o que fomos e o que ainda poderíamos ter sido.
A gente se amou do jeito mais torto que existe:
Com pressa.
Com medo.
Com falhas.
E com uma vontade absurda de acertar.
Mas não deu.
E sabe o que é pior?
Ainda existe amor aqui.
Apenas não há mais espaço para ele florescer.
Você se foi antes de partir.
E eu fiquei, tentando juntar os pedaços de um “nós” que nunca foi inteiro.
Talvez um dia você leia isso.
Talvez sinta algo.
Ou talvez apenas passe os olhos como quem folheia uma página irrelevante.
Mas essa é a primeira das mil verdades que não pude te dizer:
Eu nunca deixei de te amar.
Só aprendi a fazer isso em silêncio.
KAMU SEDANG MEMBACA
As mil verdades Que eu Não Pude te dizer
Romansa"As mil verdades que não pude te dizer" é um sussurro prolongado de tudo o que ficou engasgado - no peito, na garganta, nas memórias. É o retrato cru de um amor que não morreu, mas precisou partir. Nesta obra melancólica e visceral, acompanhamos a n...
