Dizem que todo casamento começa com amor.
Mentira.
Esse aqui começou com dor nas costas, maquiagem vencida e um buffet de 80 reais por cabeça. Ah, e claro: eu sentada no altar assistindo o amor da minha vida se casar com a minha irmã. Quer dizer, se ela aparecer, porque até agora, nada.
Não sei quem foi o imbecil que disse que ser noiva de honra é uma honra, porque até agora não senti honra nenhuma nessa palhaçada.
Mas vamos com calma. Meu nome é Bianca Almeida de Vasconcelos.
Eu tenho 21 anos, duas faculdades trancadas, gastrite nervosa e um talento incrível pra me apaixonar por gente indisponível. Tipo o Lorenzo Kingsley. Nome de vilão de novela das nove ou herdeiro de império falido. No caso, ele é herdeiro mesmo. E muito bem herdado, viu? Rico, bonito, educado. Daqueles que abrem a porta do carro, pagam a conta e ainda te agradecem por existir. Um homem de outro planeta. Planeta onde, aparentemente, eu nunca fui convidada a pisar.
Mas eu tambem nem queria mesmo(só um pouquinho.)
Eu tô aqui, sentada no segundo banco da frente com um vestido bege de tafetá que fede a naftalina e derrota, esperando minha irmã Amara fazer sua entrada triunfal no noivado. Mas até agora: nem sinal dela. Nem um salto batendo no chão. Nem um sussurro. Nada.
Sabe por quê?
Porque a Amara faz isso. Ela some. Sempre sumiu. Especialmente quando as coisas começam a ficar difíceis, tipo manter um relacionamento sério, ou comparecer no próprio noivado.
E eu? Eu fico com o papel que sobrou. O de stand-by. O de reserva. O de plano B. No caso, literalmente: B de Bianca.
Pior: ninguém sabe que eu estou apaixonada por ele.
Nem minha mãe. Nem meu terapeuta (ok, talvez ele desconfie). Nem meu gato, e olha que ele costuma farejar fracasso amoroso a quilômetros.
Mas essa paixonite não surgiu do nada.
Tudo começou a muitos, muitos, muitos anos atrás... Calma ae não é pra tanto eu nem sou tão velha assim.
A exatamente sete anos pra ser mais exata.
Eu tinha 14 anos quando vi o Lorenzo pela primeira vez. Magricela, cheia de espinha, usando aparelho e um moletom com estampa de gato astronauta. Isso resume bem o estado emocional e estético em que eu me encontrava.
No caso a lei maria da moda nunca tinha me pegado pra eu acordar pra vida né.
Ele tinha 18. Entrou na sala com aquele jeito de "nasci no berço de ouro, mas sou humilde, viu?" e riu de alguma piada idiota que o pai dele contou. E só pra constar: quando ele riu, eu senti minha alma deixar meu corpo pela primeira vez. Foi como ver um eclipse solar de terno Armani.
Amara também tinha 18. Mas ela parecia ter 25, vinda direto de uma campanha da Victoria’s Secret. Cabelo perfeito, postura perfeita, roupa perfeita, e aquele olhar de “vou pegar o homem que você quiser, só de raiva”. E ela pegou mesmo.
Não demorou nem dois dias pro Lorenzo começar a buscar ela em casa com flores. E eu? Eu era o ser invisível que passava correndo no corredor pra ninguém ver meu sutiã bege pendurado na janela.
Ele me tratava bem. Claro. Como se trata um hamster. Dava bom dia. Me chamava de “pequena”. Um clássico. Nada mais humilhante do que ser chamada de pequena pelo cara que você ama. Pequena. Como quem diz “own, olha o mascote da casa”.
E era isso que eu era: o mascote. A irmã caçula. A que ficava na sombra. A que segurava a bolsa da outra enquanto ela beijava o homem da minha vida no elevador.
E agora? Agora eu tô aqui, anos depois, vestida de apoio emocional, esperando essa vaca sumida aparecer pra dizer sim pro meu homem.
De volta ao presente...
O salão tá cheio de gente bonita, rica e com zero empatia. Minha mãe já tá no quarto ataque de pânico disfarçado de “cadê a Amara, meu Deus do céu, essa menina vai me matar do coração”.
Os convidados estão se remexendo nas cadeiras, desconfortáveis. Alguém já perguntou se houve um cancelamento? A imprensa tá lá fora, faminta por uma fofoca. Eu estou aqui, segurando um buquê que pesa mais que minhas frustrações sexuais.
E ele. Ele tá no altar.
Lorenzo Kingsley.
De terno preto, olhar distante. Lindo. Sóbrio. Intacto.
Gostoso.
Ele parece calmo, mas eu conheço esse homem melhor do que gostaria. Ele tá furioso. Só que não é do tipo que grita. É do tipo que congela por dentro.
E eu? Eu tô prestes a desmaiar. Mas com elegância é claro.
Porque hoje seria o noivado da minha irmã com o homem que eu amo desde os 14 anos. Só que ela não apareceu.
E agora tá todo mundo olhando pra mim.
Pra mim.
E eu só consigo pensar em uma coisa:
Será que alguém vai sugerir o Plano B?
Continua...
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A Noiva Errada
RomanceAmara sempre foi a estrela da família. Bianca, a sombra. O que Bianca nunca soube foi que sua timidez guardava um amor profundo: Lorenzo, o noivo da irmã. No dia do tão esperado casamento, Amara foge com Henrique, o pai do noivo. Para evitar escânda...
