Capítulo 1

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O peso do inevitável comprimia meus pulmões, dessa vez ninguém poderia me ajudar, nem mesmo o príncipe das histórias infantis me salvaria do meu próprio destino quando vi os soldados se aproximando...

Enquanto lutava para manter minha respiração regular a carroça chacoalhou violentamente e fui jogada para o lado. Meio atordoada senti o líquido viscoso de sangue descer pela minha têmpora ao bater a cabeça com força na madeira do veículo. Lembro quando antigamente morria de medo de ver sangue, mas obviamente isso mudou, após os soldados de Ikai invadirem minha aldeia...

Ouço os soldados cochichando, e a carroça diminuindo sua velocidade habitual. Com o coração martelando no peito, tão alto que mal consigo ouvir meus pensamentos, tenho certeza que estamos chegando. Queria poder abrir a cortina, mas meus pés e mãos estão acorrentados, sinto meu corpo mais fraco também.

-Chegamos- um soldado pronunciou com sua voz forte.

Mãos me puxam do veículo como se eu fosse um saco de batatas, eles soltam as correntes dos meus pés, para que eu consiga andar. Meus músculos protestam e o sol castiga meus olhos, um lembrete de quanto tempo fiquei no escuro.

Aos poucos me localizo, vejo as armaduras reluzentes com a estampa bem no meio do peito de um coração vermelho vivo e uma espada o cortando, de resto tudo é de um cinza extremamente brilhante, os rostos dos soldados são impossíveis de distinguir por conta dos elmos. 

Pelo menos dois soldados ficam de cada lado do meu corpo, agarram meu braço com força e me conduzem em direção a muralha. Eu tropeço e cambaleio, mas me mantenho em pé graças a eles. A muralha é de pedras escuras, tão escuras quanto uma noite sem estrelas, tornando-a ainda mais assustadora.

Vou me aproximando do portão de metal,  guardado por mais dois soldados com as mesmas vestimentas, a única diferença é que cada um segura uma lança.

-Viemos trazer um presente para vossa majestade, uma garota do reino que conquistamos.

-Podem passar- os outros guardas falaram em uníssimo, abrindo espaço ao mesmo tempo que o portão se abria, como se eu fosse nada além de um pertence.

Meu coração parece que sairá pela boca, mesmo estando calor, eu tremo e não consigo me controlar. Tento pensar nas colinas de onde vim, o cheiro das flores, o som do vento passando por meus cabelos...

Mas o som e o cheiro da cidade invadem meus sentidos, estragando minhas lembranças. 

Logo em seguida vejo a cidade




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