Flashback on ⌛︎
Eles não estavam brigando.
Na verdade, fazia semanas que tudo parecia calmo demais.
Beijos suaves, mãos entrelaçadas sem muita força, sorrisos que vinham mais por hábito do que por espontaneidade. Como se os dois estivessem tentando segurar algo que já tinha começado a escorrer pelos dedos.
Phuwin chegou atrasado naquela noite.
Não pediu desculpas. Só sentou ao lado de Pond no banco da praça e ficou em silêncio, encarando o escuro do céu como se estivesse procurando uma saída por entre as estrelas.
Pond sentia.
Ele sempre sentia antes.
O coração dele era como um alarme silencioso: pressentia quando algo estava prestes a desabar.
— Tá tudo bem? — ele perguntou, tentando soar leve. Tentando não demonstrar que já estava com medo da resposta.
Phuwin demorou.
Havia algo na forma como ele olhava que doía. Uma ausência já presente. Um adeus no jeito de respirar.
— A gente... já não se olha mais do mesmo jeito, né?
Pond virou o rosto devagar.
— Que merda você tá falando?
— Eu tô falando a verdade. Você sabe.
A voz de Phuwin era calma. Calma demais. Era como quem decide que vai sair e já desligou a parte de si que poderia se arrepender.
— Não, eu não sei. — Pond respondeu baixo, tentando manter o controle. — Então me explica. Porque se você veio até aqui pra me dar esse discurso pronto de quem já tá indo embora, me dá pelo menos a decência de entender o porquê.
Phuwin passou as mãos pelo cabelo, nervoso. Mas o olhar... era vazio.
— Eu não vim pra isso.
— Então veio pra quê?
Silêncio.
O tipo de silêncio que grita mais do que qualquer palavra.
— Phuwin. Me diz.
A voz de Pond vacilava. Os olhos já úmidos, mas ele ainda tentava parecer forte. Ainda tentava ser o mesmo que segurou o outro tantas vezes, o mesmo que acreditava que o amor era o suficiente.
Phuwin não disse nada por alguns segundos. Então, com um suspiro amargo, disse o que o coração de Pond já sabia, mas não queria ouvir:
— Vamos terminar.
As palavras caíram como um soco no peito. Secas. Frias. Definitivas.
E mesmo assim, ditas com a dor de quem ainda ama.
— Só isso? — Pond sussurrou. — Depois de tudo?
Phuwin o encarou, os olhos marejados mas firmes.
— Você tem um mundo inteiro pela frente. Um coração bom demais pra ficar preso à sombra de alguém quebrado.
Fez uma pausa.
— Por favor… não carrega isso com você. Não se destrua tentando entender. Não se fecha pro amor só porque o meu não soube ficar. Viva, Pond. Vive bonito, inteiro... e ao lado de alguém que saiba merecer você.
Aquilo doeu mais do que qualquer silêncio.
Pond sentiu o corpo inteiro tremer. Mas não chorou. Ainda não.
Ele só ficou ali, olhando pro rapaz que o amou — e que mesmo assim, decidiu ir embora.
Phuwin deu um passo pra trás. Depois outro.
E antes de virar as costas, disse:
— Me desculpa por não saber ser seu lar.
E foi.
Sem um último beijo.
Sem um toque.
Sem uma explicação sequer.
Foi nesse momento que Pond soube o que era ser deixado por alguém que jurou que nunca deixaria.
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Ao Nascer do Sol
RomancePhuwin desapareceu da vida de Pond sem avisos sem explicações, sem despedida. Anos depois uma ligação muda tudo: Phuwin sofreu um acidente e perdeu parte da memória. Agora sua família quer que Pond o ajude a lembrar... inclusive do relacionamento q...
