Aurora Bianchi
Itália, Centro Hospitalar de Castelluccio, Domingo.
— UMA MACA, RÁPIDO, TEMOS UMA SOBREVIVENTE — Consigo ouvir uma voz masculina, estava distante de mim.
Ouço um barulho alto do que parecia ser ambulâncias, meus ouvidos estão doendo, meu corpo inteiro doía, sinto tudo girar, minha cabeça parece que vai explodir. Escuto passos vindo em minha direção quando, de repente, não ouço mais nada, um completo silêncio.
1 mês depois.
— Ela não vai poder ficar aqui por mais tanto tempo. — diz uma mulher, sinto cheiro de Doritos vindo dela. Sinto ela mexendo em meu braço.
— Eu sei, mas ela é tão nova, está a tanto tempo em coma, e ainda perdeu os pais tão cedo. - Estão falando de mim?.
Conforme volto a ter consciência, tento reconhecer onde estou, sinto cheiro de remédios, uma maquina que faz um barulho constante e extremamente irritante. Hospital. Definitivamente ela está falando de mim.
— É uma pena que a única família que ela tinha eram seus pais, agora vai ficar sozinha, coitada. — A mesma voz feminina volta a falar, agora cochichando, suponho que esteja falando com outra enfermeira. Pela voz da segunda, parece ser mais velha do que a primeira.
Ela está cochichando, deve pensar que estou em coma ainda, o efeito do remédio passou a um bom tempo, mas não forças o suficiente pra me mexer.
— Bom, sozinha ela não fica, tem aquele senhor que vem aqui toda semana vê-la, qual é o nome mesmo? Não me recordo.
O quê? um senhor? vem me ver todos os dias? Tento manter meu rosto sem expressão alguma, pois ainda quero saber o resto da conversa, e mesmo se quisesse me mexer, estou sem forças.
— Sr. Alessandro Morreti, Mocheti, algo assim, parece ser um homem bem importante, daqueles bem chiques sabe. Será que ela é uma de suas filhas perdidas? Por isso a preocupação com ela. — Alessandro? filha perdida? quem é esse homem? sinto minha cabeça doer mais ainda.
Se eu tivesse com água na boca, com certeza teria cuspido na cara dela, de fato. Mas, calma lá, Eu sou filha do meu pai, quer dizer, eu espero que seja.
— Não faço ideia, nem sabia disso, mas de qualquer jeito não queria ser ela - diz com um toque de pena em sua fala - Ficar órfã deve ser terrível. - Ela deu uma pausa, escuto alguns passos em minha esquerda - Enfim, vamos logo que já falamos demais.
Ouço barulho de algo sendo jogado, suponho que um lixo, perto da minha cama.
— Essa menina ainda tem muito muito pra viver, que Deus abençoe e cuide dela. — elas deixam o quarto e o silêncio toma conta do lugar, os pensamentos permanecem, quem é Alessandro Morreti, e onde estão meus pais. Após isso, sinto tudo sumir de novo.
•Uma semana depois•
Escuto a porta do meu quarto abrir, ela sempre bate duas vezes antes de entrar para saber que ela está vindo. Senhora Doritos. O apelido lhe caiu bem, e acabou ficando. Não reclamando, porque ela me ajuda muito, mas o cheiro de Doritos vindo dela continua o mesmo desde o primeiro dia
— Senhorita Bianchi, você tem visitas.
— Visitas? Tudo bem. - estranho um pouco, é raro alguém vir me ver. Na verdade acho que nem nunca ocorreu.
Me ajeito na cama ansiosamente esperando a visita entrar, na verdade já tenho uma ideia de quem possa ser, mas ainda não tive a oportunidade de conhecê-lo, pois a Senhora Doritos me disse que ele passou a ultima semana viajando a trabalho.
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Constantius
RomanceApós perder os pais em um acidente, Aurora - uma jovem cega - vê sua vida virar de cabeça para baixo. Quando um homem, que revela ser seu padrinho, conta ter prometido aos pais dela, no dia de seu batismo, que cuidaria dela se necessário. Agora, viv...
