Era mais um dia normal para James Macoler. Os pássaros cantavam, os carros buzinavam, e sua vizinha fumante tossia mais alto do que todos os carros e pássaros juntos.
James era um jovem branco, de cabelos pretos e crespos. Morava no edifício CENTER, no trigésimo andar, apartamento 33. Não se lembrava exatamente há quanto tempo vivia ali — só sabia que já fazia um bom tempo.
Às 7 da manhã, ele se levantou da cama e foi preparar seu café. Colocou a água para esquentar no fogão elétrico branco, já sujo de açúcar, e foi até o armário ver se ainda restavam os pães que havia “resgatado” do trabalho, enquanto ninguém olhava. Mas tudo que encontrou foi um resto de bolacha esquecida.
Sem nenhum motivo plausível, James sempre tinha a sensação, no fim do dia, de já ter vivido aquele dia antes. Talvez fosse coisa da sua cabeça… ou um déjà vu que o perseguia incansavelmente.
Depois de tomar o café, se arrumou, pegou as chaves e abriu a porta. Ao sair, deu de cara com Dona Maria, que morava no 34, bem em frente.
Dona Maria era uma idosa de pele muito clara, cheia de rugas e com a pele que parecia estar derretendo pelo corpo, devido à idade avançada. Tinha cerca de 81 anos. Exercia a profissão mais respeitada de todo o prédio: câmera de segurança. Isso mesmo. Tudo que passava por aquele corredor, ela via — e, claro, repassava para Dona Chaminé, a vizinha fumante de James, que morava no 35. Seu nome era Lurdes, e vivia com o marido Christopher, que muitos suspeitavam já estar morto, pois só ouviam falar dele, mas nunca o viam.
— Bom dia, James — disse Dona Maria.
— Bom dia, Dona Maria. Como você está?
— Estou bem… tirando o barulho de briga, que está me matando, sabe?
— Briga? — perguntou James, franzindo a testa.
— Sim, menino! Amanda e Pedro não param de brigar desde ontem, depois da festa na casa da mãe dele...
Nesse momento, James imaginou Dona Maria com um sobretudo e uma lupa, abrindo a fechadura do apartamento 38 e vasculhando cada canto em busca de pistas que revelassem tudo o que queria saber.
— Aí ela disse pra ele: "Cala a boca, sua lombriga solitária"...
James viajou tanto na imaginação que nem percebeu que a conversa já tinha mudado de assunto.
— Vixi… complicado, hein? — respondeu, meio perdido. — Eu tenho que ir, Dona Maria. Depois conversamos mais.
— Ah, sim, tudo bem, meu filho. Pode ir lá.
James pegou o elevador e desceu até o primeiro andar, onde ficava a recepção. Abriu a porta do prédio (que sempre rangia) e saiu.
Enquanto caminhava pelas ruas, olhava para os grandes prédios de Citynopoles e pensava em como seria bom ter um emprego melhor, uma vida melhor… e um pote de sorvete infinito. Por quê o pote? Porque era melhor ter sorvete do que feijão. Quando era pequeno, sempre se decepcionava ao abrir o pote no congelador da mãe — o pote que prometia sorvete e entregava feijão. Para James, não existia decepção maior.
Depois de andar alguns quilômetros, parou em frente à loja com as vitrines cobertas por anúncios coloridos e as palavras “PROMOÇÃO” estampadas em letras gigantes.
Ao entrar, foi direto ao balcão e disse:
— Três caixas de cerveja, por favor.
— Eu vou é te dar três murros se você não vestir o uniforme e começar a trabalhar logo — respondeu a balconista, chamada Emily.
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MORPHOOZ- A praga peluda
De Todoum homem cuja vida é repleta de desventuras, até que aceita algo inusitado por dinheiro, logo após ter sua vida e corpo transformada pela proposta, descide ir atrás de quem fez aquilo e assim descobrindo algo além de sua compreensão. é uma história...
