Capítulo 01 - Primeiros Passos no Nada

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Vagando pela floresta, sem rumo ou direção, à espera de um milagre, sinto os galhos quebrando sob meus pés, o vento gelado soprando em minhas costas, e meu estômago reclama, implorando para ser saciado.
A única coisa que me lembro são as últimas palavras ditas pela minha avó:
"Se um dia os ventos soprarem contra você, minha menina... corra para o norte. A floresta vai te mostrar o caminho."

A insegurança me prende ao passado e traz medo do futuro.
Infelizmente, é preciso seguir em frente e recomeçar — é a minha única opção. Nem sei se encontrarei alguma cidade onde eu consiga criar laços e me estabilizar, mas, no momento, minha única preocupação é encontrar um lugar decente para passar a noite... e uma comida decente.

Depois de andar por mais alguns minutos, avisto o que parece ser uma vila. Não consigo controlar a minha emoção e começo a correr sem parar. Mas, quanto mais me aproximo, percebo que ali só há ruínas e um suspiro do que um dia foi uma vila.
Lentamente, diminuo o ritmo até andar com cautela, sem saber o que irei encontrar.

Começo a caminhar por onde já foi uma rua — agora, só a lembrança de uma — observando os vestígios das casas. Encontro um armazém e logo entro, na esperança de encontrar algo para saciar minha fome. Porém, tudo o que vejo são prateleiras quebradas e paredes mofadas.

Enquanto saio para continuar explorando a vila, enxergo uma maçã no chão. Corro até ela, já imaginando o gosto doce em meus lábios, mas, antes que consiga pegá-la, outra pessoa a agarra. Levo um susto e recuo.
Quando olho com mais atenção, vejo que é um menino me encarando. Sua pele é bronzeada, mas ele está magro.

— Essa maçã é minha — ele diz de forma ríspida.

— Ah... desculpa. Eu não sabia que ela tinha dono — falo, desconfortável com a situação. — Quem é você? — pergunto, curiosa.

— Eu que te pergunto. Nunca te vi por aqui — ele responde, me deixando ainda mais confusa. Olho em volta e não há mais ninguém.

— Você já viu outra pessoa por aqui? — pergunto, sem entender o que ele quis dizer. Esse lugar parece abandonado há anos.

Ele parece pensar por um segundo.
— É... eu realmente nunca vi ninguém aqui — conclui.

— Você ainda não se apresentou — digo, irritada com sua falta de educação.

— Meu nome é Kael Varendel — responde rápido.

— Aurora Lys. Muito prazer, Kael. — Enquanto falo, ele me encara como se eu tivesse dito a maior besteira do mundo.

— Prazer — ele responde e começa a se afastar. Desesperada, corro atrás dele.

— Ei, espera! Você não tem outra coisa pra comer? Estou morrendo de fome — falo, segurando a barriga. Já faz horas que ela está doendo.

— Hm... tenho — responde, sem parar de andar. Fico sem entender, mas continuo o seguindo.

— Você vive aqui? — pergunto, tentando puxar conversa.
— Sim.
— E faz tempo que mora aqui?
— Faz.
— E você mora sozinho?
— Sim.
— Você só consegue falar uma palavra por vez?
— E você só sabe fazer perguntas?

Fico quieta depois disso. Talvez eu esteja mesmo incomodando.

Depois de alguns minutos caminhando em silêncio, chegamos até o que parece ser sua casa. Simples, mal arrumada, mas parece boa o suficiente para viver. Ele abre a porta, e eu entro logo atrás. Observo ao redor: é definitivamente a casa de um homem.

— Toma — ele me entrega uma tigela.

— Obrigada — pego a tigela e, ao olhar para dentro, vejo sopa.
Com um sorriso, começo a devorar sem nem procurar por talheres. A comida quente desce pela minha garganta, me esquentando e trazendo uma sensação estranhamente reconfortante. Fazia dias que eu não comia algo tão bom — naquele momento, era a comida mais deliciosa da minha vida.

— Pode comer com mais calma. Ela não vai fugir de você — diz, olhando para o fogo do forno.

— Eu não comia algo bom assim fazia tempo — limpo a boca com o antebraço. Ele apenas sorri de canto.

Olho pela janela e percebo que está escurecendo. O desânimo me invade instantaneamente. Pelo menos, tem casas aqui... muito melhor do que dormir em uma caverna gelada e escura.

— Pode dormir aqui, se quiser — ele diz, me olhando. Acho que percebeu que não tenho onde ficar.

— Obrigada — sorrio, e, pela primeira vez, vejo ele me olhar com algo além de desconfiança.

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Oii, leitor! Obrigada pela atenção e por ter lido o meu primeiro capítulo.
Se gostou, comenta ou adiciona à biblioteca — isso me incentiva muito a continuar escrevendo! 🩷

A Maldição de AurenwoodStories to obsess over. Discover now