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Prólogo

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Fiquei encarando os dois caixões pretos descerem lentamente para a terra

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Fiquei encarando os dois caixões pretos descerem lentamente para a terra.

As pessoas ao meu redor choravam, murmuravam palavras de conforto e lançavam flores sobre as sepulturas, mas eu mal conseguia prestar atenção em qualquer coisa. A ficha ainda caía aos poucos, como se minha mente se recusasse a compreender o que estava acontecendo. Eu sabia que meus pais tinham morrido, tinha visto os corpos, tinha participado do velório, e mesmo assim tudo parecia distante, irreal.

Os dois me fizeram sofrer muito. Meu pai, com sua violência. Minha mãe, com sua negligência.

Era cruel admitir que uma parte de mim acreditava que deveria estar aliviada por finalmente estar livre deles. Depois de tantos anos tentando sobreviver dentro daquela família quebrada, talvez o normal fosse sentir algum tipo de libertação. Mas não era isso que eu sentia. Não havia alívio algum dentro de mim. Tudo o que existia era dor, tristeza, raiva e uma culpa sufocante.

Se eu não tivesse entrado na vida deles carregando todos os meus fantasmas, eles ainda estariam vivos. Dominic jamais teria descoberto a existência deles. Nunca teria olhado para eles como uma forma de me atingir. E era isso que tornava tudo ainda mais difícil de suportar. Eles não morreram por algo que fizeram. Não morreram por estarem envolvidos naquela guerra. Dominic os matou porque queria me machucar, porque sabia exatamente onde acertar para causar o máximo de dor possível.

O que tornava tudo ainda mais cruel era que as coisas finalmente iam mudar. Meu pai tinha ido embora e minha mãe estava disposta a recuperar tudo o que havíamos perdido.

Ainda me lembrava do dia em que meu pai saiu por aquela porta. Lembrava do silêncio estranho que tomou conta da casa depois que ele foi embora, e principalmente do abraço que dei na minha mãe. Pela primeira vez em muito tempo, parecia que seriamos apenas nós duas e as crianças. Sem gritos. Sem medo. Sem a constante sensação de estarmos esperando a próxima tragédia acontecer.

Naquele momento, enquanto ela me apertava nos braços, algo dentro de mim acreditou que tudo ficaria bem. Eu tive esperança. Eu prometi a ela que nós ficaríamos bem. Prometi que encontraríamos uma maneira de seguir em frente e consertar tudo o que havia sido quebrado.

Mas agora, encarando aqueles caixões desaparecerem sob a terra, eu entendia o quanto as promessas podiam ser frágeis. A segunda chance que eu achei que teríamos nos foi arrancada antes mesmo de começar.

E a pior parte era saber que, não importa o quanto eu desejasse voltar no tempo, não havia nada que eu pudesse fazer. Minha mãe estava morta, e eu jamais teria a oportunidade de cumprir a promessa que fiz naquele abraço.

Quando me dei conta, a maioria das pessoas já estava indo embora. As vozes ao meu redor haviam diminuído até se tornarem apenas um murmúrio distante, e restavam ao meu lado apenas as minhas crianças, as gêmeas e Liam. Vestidos de preto, com os olhos vermelhos e inchados pelas lágrimas, eles encaravam as sepulturas em silêncio.

FRAGMENTADOS: VOLUME 2Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora