Capítulo Prologo: O Livro Que Nunca Devia Ser Aberto

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 O relógio da velha biblioteca da cidade soava uma melodia antiga, engolida pelo silêncio. Entre prateleiras empoeiradas, uma jovem de cabelos escuros e olhar inquieto buscava algo que ela mesma não sabia nomear. 

 Seu nome era Elyra Castellan. 

 Aos 19 anos, Elyra carregava a sensação incômoda de nunca pertencer a lugar algum. Adotada ainda bebê, sabia pouco sobre sua origem. Cresceu entre livros e solidão, com uma mente inquieta e uma alma faminta por respostas. Era diferente. Sonhava com símbolos desconhecidos. Via formas estranhas em reflexos. E, às vezes, sentia que alguém a observava - alguém que não era deste mundo. 

 Naquela tarde de chuva fina, ao se abrigar na biblioteca municipal, algo a chamou. Não um som. Não uma voz. Mas uma sensação magnética, puxando-a para uma estante que ninguém parecia notar. 

 Ali, envolto em couro escuro e preso por correntes de prata já enferrujadas, estava o Livro das Linhagens Perdidas. Não constava em nenhum registro. Não tinha autor. Mas no canto inferior direito havia algo gravado:

 "Apenas o sangue certo poderá abri-lo. Apenas o destino certo poderá sobreviver." 

 Elyra mal pensou. Tocou o livro. As correntes se desfizeram em poeira. As páginas se abriram sozinhas. 

 E então... veio a luz. 

 Uma explosão branca a envolveu. Ela gritou. Ou tentou. O som não saía. O chão sumiu. 

Quando abriu os olhos, estava deitada sobre pedras úmidas, envolta por névoa e o som distante de espadas. Ao longe, figuras tatuadas com runas lutavam contra demônios sombrios em um beco iluminado por lâmpadas mágicas. 

Ela não estava mais na biblioteca.

 Estava em Alicante. Ou melhor... No mundo dos Caçadores de Sombras.

Marca do destinoWhere stories live. Discover now