Capítulo 1-Onde Sangra o Silêncio

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🥊 Capítulo 1 – Onde Sangra o Silêncio

As lâmpadas piscavam na entrada do clube, iluminando mal os grafites descascados nas paredes de concreto. Era ali que as lendas nasciam — ou morriam tentando. Entre os corredores mofados e o ringue empoeirado, um nome ecoava entre os apostadores: Jeon Jungkook, 26 anos, campeão invicto nas lutas clandestinas e profissional no circuito obscuro de boxe. Um alfa de sangue quente e mãos pesadas, conhecido tanto por sua força quanto por sua frieza.

Mas havia uma coisa que poucos sabiam: Jungkook não lutava só por glória. Ele era a principal arma de cobrança de Kang, um agiota cruel que financiava desde pequenas dívidas a grandes crimes. O trabalho de Jungkook era simples: bata até eles pagarem. E se não pagarem, bata até não poderem mais pedir ajuda.

Depois de uma luta intensa — mais uma vitória limpa, apesar da costela trincada — Jungkook recebeu o próximo nome: Park Ilhoon, morador de uma vila pobre no bairro velho da cidade.

— Ele já devia faz tempo. Pega leve, mas... não pega mole. — disse o segurança de Kang, entregando um envelope.

Jungkook não respondeu. Enfiou o papel no bolso e saiu. Era só mais um. Só mais um nome.

Na vila, o ar era denso, misturado com poeira, lembranças e promessas esquecidas. Dentro da casa pequena, Park Jimin, 23 anos, finalizava mais um ensaio de dança no pequeno estúdio que ele improvisara com espelhos rachados e piso gasto.

Jimin era um ômega sensível, mas determinado. Bailarino desde os 10 anos, ele abandonara a faculdade pra cuidar do pai doente. O amor pela arte era o que ainda o mantinha de pé, mesmo que o corpo vivesse exausto e o coração apertado.

Quando Namjoon, seu melhor amigo e mentor, chegou com café e preocupação, Jimin sentiu o aviso silencioso.

JM-O que foi agora? — perguntou Jimin, puxando a toalha pra secar o suor do pescoço.

NJ-Teu pai. Ele... ele fez de novo. Pegou dinheiro com um agiota.

JM-Não… não pode ser. — o copo caiu da mão de Jimin, estilhaçando no chão.

NJ-Eu tentei impedir, Jimin. Mas ele já devia há meses. E agora… o cobrador tá vindo.


A batida na porta não foi um toque. Foi uma ameaça.

O pai de Jimin empalideceu. Jungkook entrou sem pedir licença, os olhos frios como gelo.

JK-Setenta mil. Com juros, oitenta e cinco. Vocês têm até sexta.

Jimin apareceu no corredor ao ouvir a voz grave. E quando seus olhos encontraram os de Jungkook, algo inexplicável aconteceu. Era como se o tempo parasse por um instante. O cheiro do alfa invadiu seu sistema como um soco — amadeirado, com ferro e suor. Dominante. Cru.

JK-Quem é você? — Jimin perguntou, engolindo em seco.

JK-O cobrador. — Jungkook respondeu, direto.

P/J-Não temos esse dinheiro. — disse o pai, desesperado.

— Então comecem a cavar um buraco. — Jungkook virou-se para sair, mas parou ao encarar Jimin de novo. Um ômega... ali. Magro, com músculos definidos pela dança, mas os olhos queimavam com raiva.

JM-Eu vou resolver isso. — Jimin falou firme.

JK-Resolve até sexta. Ou alguém se machuca. — Jungkook respondeu, saindo sem olhar para trás.

Mais tarde naquela noite, em um bar do centro, a gangue dos amigos estava reunida:

JH-Eu juro por Deus, Taehyung, esse terno azul royal é um ataque à moda. — dizia J-Hope, rindo alto, já meio bêbado.

TH-Você usa calça de oncinha e quer falar do meu terno? — retrucou Taehyung, se ajeitando todo estiloso.

JH-Não dá pra acreditar que Jin trouxe a carteira hoje. — zombou J-Hope.

JN-Só porque o Yoongi ameaçou me vender se eu esquecesse de novo. — disse Jin, cruzando os braços.

Yoongi, calado no canto, apenas sorriu de canto.

YG-A ideia não seria ruim. — murmurou ele, fazendo os outros rirem.

JH-Ei, falando sério... vocês ouviram sobre o Jungkook? — perguntou Hoseok, de repente mais sóbrio.

JN-O quê? — Jin ergueu uma sobrancelha.

JH-Dizem que ele vai pegar pesado com a próxima vítima do Kang. — Hoseok falou. — Um velho devedor... e o filho dele. Um dançarino.

O silêncio caiu por um segundo.

De volta à vila, Jimin olhava pela janela com as mãos trêmulas. Ele nunca teve medo de lutar por si. Mas agora… ele tinha que lutar pelo pai.

E o lobo que havia batido à sua porta… talvez fosse mais do que apenas o inimigo.


✨ Continua...

SOB A PELE DO LOBOStories to obsess over. Discover now