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O espelho quebrado

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Não foi a maçã. Foi a fome. A fome de liberdade, de carinho, de toque... de me sentir viva."

A floresta parecia viva. Cada galho estalava como um sussurro no meu ouvido, cada rajada de vento arrancava um pedaço da minha sanidade. Eu corria sem rumo, com os pés descalços se afundando na lama fria. Meu vestido, antes branco, agora era um trapo manchado de terra e sangue — não meu, mas quase.

Minha madrasta tentou me matar.

E eu vi. Vi o olhar dela. Frio. Vazio. Como se eu fosse só mais um obstáculo. A herdeira que ela nunca quis. A ameaça que precisava desaparecer.

Foi aí que eu fugi. Como uma vadia desesperada em busca de salvação.

Quando achei aquela cabana escondida entre as árvores, minhas pernas já tremiam, e meu corpo queria cair. A porta de madeira velha estava entreaberta, como se alguém me esperasse.

Entrei.

O calor bateu em mim como um abraço. Havia cheiro de madeira, café e... canela? A casa parecia viva também. Não como a floresta. Viva de verdade. Com alma.

Mas mal tive tempo de respirar.

A porta dos fundos se abriu. E então, eles chegaram.

Sete.

Homens.

Não eram simples. Não eram comuns. Eram diferentes. Fortes. Intimidantes. Intocáveis.

O primeiro a me ver foi um de olhos afiados e boca dura. Ele parou, me olhou de cima a baixo como se eu fosse uma ameaça. Ou talvez um problema. Depois vieram os outros, um por um, formando um semi-círculo ao meu redor.

— Quem é você? — o platinado foi o primeiro a falar. Tinha um olhar gélido e uma presença que congelava tudo. Suga. Eu soube o nome depois, mas naquela hora, só senti o impacto.

— Ela tá machucada — disse outro, com olhos doces e um sorriso gentil. J-Hope. O calor em forma de gente.

— Isso é perigoso. A gente nem sabe quem ela é — o de voz firme e postura ereta completou. Namjoon. Inteligente. Líder. Assustador.

— Ela é linda — alguém murmurou perto da porta. Tinha um sorriso de canto e um olhar que parecia despir. Tae. Um problema pronto pra acontecer.

O mais velho, Jin, me olhou com preocupação. Jimin, com olhos intensos demais, parecia tentar me decifrar. E o último... o último me encarou como se eu fosse feita de vidro — ou de pecado. Jungkook. Jovem, mas com uma presença que fazia minha pele queimar.

Minha voz falhou quando tentei falar. Eu estava exausta. Suja. Assustada.

— Me chama... Cristal. Eu... só preciso descansar. Um abrigo. Por favor...

Eles se entreolharam. Cada um parecia travar sua própria batalha interna. Mas ninguém me expulsou. Ninguém me tocou com violência. Pelo contrário... J-Hope me cobriu com uma manta. Jimin trouxe água. Jin pegou uma tigela de comida. E Suga... ele só me observava. Silencioso. Como se eu fosse um enigma que ele ainda não decidiu se queria resolver ou destruir.

Fiquei naquela noite.

Só naquela noite, eu disse a mim mesma.

Mas bastou um olhar de Tae, um toque leve de Jimin, o cuidado de Hope, a firmeza de Namjoon, a proteção de Jin, o silêncio que gritava de Suga... e o desejo que transbordava de Jungkook.

Foi ali que começou.

Sete homens. Sete instintos. Sete formas de me tocar sem encostar.

E eu? Eu comecei a me perder.

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