Toda escola tem seus clichês.
O popular bagunceiro, o professor ranzinza, o grupinho que vive no fundão e a matéria que ninguém leva a sério.
No colégio Manuel Osterno, não era diferente.
Ramon era o tipo de garoto que você ou amava ou queria socar.
Sorriso torto, cheio de piadinhas prontas e uma confiança que beirava o insuportável.
Ele não era o melhor aluno da turma, mas era o mais comentado. E ele sabia disso.
O ano letivo mal tinha começado, e o diretor já trazia um professor novo pelos corredores.
— Turma, esse é o professor Jander, vai dar aula de Educação Financeira pra vocês. espero que o recebam com respeito — Disse ele, num tom forçado de alegria.
Jander não sorriu. Apenas assentiu com um leve movimento de cabeça e olhou para os alunos como quem analisa um campo de guerra.
Camisa polo, mochila nas costas, óculos no rosto e cara de poucos amigos.
Seus olhos bateram diretamente em Ramon, que estava estirado na cadeira como se fosse dono da sala.
— Puta merda, Educação Financeira de novo — murmurou Ramon, achando que ninguém ouviria.
Jander ouviu.
— Nome? — Perguntou, seco.
— Ramon. Quer que eu soletre?— Respondeu o garoto, sem desviar o olhar.
A turma deu risada. Jander não.
Seu rosto permaneceu inexpressivo, mas a tensão se instalou como um trovão prestes a cair.
— Então, Ramon, pode fazer o favor de se retirar da minha aula.
Primeiro dia, primeira lição: aqui, respeito é o mínimo.
Ramon deu um sorrisinho sarcástico. Se levantou devagar, pegou a mochila e caminhou até a porta com a calma de quem faz isso toda semana.
Bateu a porta.
E foi assim que começou o caos.
~
Nas semanas seguintes, o que era só antipatia virou guerra declarada.
Jander não suportava o jeito desleixado, debochado e barulhento de Ramon.
Ramon, por sua vez, achava Jander o ser humano mais arrogante e insuportável que já pisou numa sala de aula.
— Professor, por que a gente tem que estudar essas porra de juros compostos?
— Pra ver se o senhor aprende algo além de fazer graça, Ramon.
Olhares cortantes. provocações veladas. Expulsões quase semanais.
E mesmo assim, nenhum dos dois conseguia ignorar o outro.
Jander o desafiava com perguntas difíceis.
Ramon respondia com ironia.
Jander o castigava com atividades extras.
Ramon respondia com mais piadas.
Ninguém sabia ao certo quando a raiva começou a virar outra coisa.
Quando os olhares começaram a durar um segundo a mais.
Quando o silêncio entre uma briga e outra pareceu estranho demais.
Mas por enquanto...
Por enquanto era só ranço.
Puro, escancarado e maravilhoso de ver.
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Ramon e Jander: O amor proibido
FanfictionRamon é aluno da manuel osterno, popular, zoeiro e impossível de manter quieto. Quando o novo professor de artes, Jander, chega cheio de regras e cara fechada, o choque é inevitável. Ele detesta o jeito espalhafatoso de Ramon, e Ramon não suporta a...
